terça-feira, maio 02, 2006

água de rosas

hoje, mais uma vez no meu local de pseudo-labuta, aconteceu outro acontecimento notável, fora o pleonasmo.
noves fora nada.
quem nada não se afoga.
chega!!
bem... estava o (grande) autor sentado à sua secretária, ocupadíssimo com um jogo de lemmings num pc de 1999, quando sente uma vontade de ir "orinar".
como quase todas as vezes, geralmente aquelas em que não se encontra alcoolizado, dirigiu-se o nosso herói até ao cubículo irmão gémeo de um wc de avião.
chegado à porta, depara-se com a luz acesa.
como muitas vezes os anti-ambentalistas que por ali trabalham se esquecem da luz acesa, aproximou (estupidamente) a cabeça da porta, afim de detectar algum ruído.
o silêncio imperava mas, subitamente, um odor a curral apoderou-se das narinas do mestre, tal como o tio patinhas se apodera de uma nota de cinco contos.
como se tivesse levado um soco de um tal tyson, o (grande) autor é empurrado para trás, agarrando-se ao nariz e tentando escapar com vida.
meio tonto e quase cego, consegue chegar até à sua cadeira, situando-se esta a uns escassos 3 metros da entrada do quarto-da-morte.
se a vida lhe salvou impedindo que abrisse a cabeça no chão depois de desmaiar, a cadeira iria acabar por matá-lo, visto encontrar-se a uma distância nada segura das radiações!
e que radiações!!, já que atravessavam a porta e espalhavam-se pelo corredor até à secretária do pobre autor.
respirando só pela boca, uma técnica que aprendera nas idas à casa-de-banho da escola, depois de a contínua ter limpo a mesma com lixívia, o nosso mártir consegue vislumbrar o unabomber rectal quando este escapava ileso.
era uma das pequenas e elegantes funcionárias do escritório.
incrédulo, o (grande) autor deixa de pensar que do wc iria sair um homem das obras de 2 metros e 120kg depois de almoçar caril de feijões vermelhos com feijões pretos, para passar a respeitar todo e qualquer funcionário que por ali andasse.
afinal, não é a palavra a melhor arma...

segunda-feira, maio 01, 2006

piu piu BANG BANG

o (grande) autor vive num 5º andar, numa bela avenida cheia de árvores, cheia de vida, uma alegria.
nessas árvores vivem passarinhos, uns amores, pardais e outros tais que não reconheço.
há, porém, um dos passarinhos que adora o parapeito da minha varandinha.
e todas as manhãzinhas lá está ele, "piu piu piu", na minha janela.
as primeiras vezes foram agradáveis, acordar com o chilrear do passarinho, piu piu piu, põe qualquer um bem-disposto.
pois agora tem o efeito precisamente contrário.
agora durmo com 3 pares de sapatos junto à cama para poder, quando o filho-da-p#$a do pássaro se põe naquela lenga-lenga, atirar um à janela.
ao embater na janela, o sapato assusta o sádico alado e ele desaparece...durante uns 3 minutos.
justamente quando volto ao sonho erótico com a fátima felgueiras..."piu piu piu"...
e zumba, mais um sapato à janela.
quando se acabam os sapatos está na altura de levantar, visto que a águia-waNNabe não descansa até que eu esteja de pé a praguejar.
o gajo chega ao cúmulo de, quando eu me aproximo da janela mas não a abro, ficar a olhar para mim, parado, como se nao fosse nada com ele.
quando abro a janela para lhe partir o pescocinho, o sacana atira-se em queda livre durante um metro ou dois, para me dar a ilusão de que se vai matar, mas depois, estende as penas e lá vai ele para a árvore em frente, a fazer-me manguitos com as patas.
ai, era uma gripe das aves para a mesa 3 se faz favor...

sexta-feira, abril 28, 2006

a prima vera

nunca o sol me bateu tão forte no corpo
sabe bem andar ao sol, deixa-me absorto
a caminho do trabalho, pela manhã
sabe bem esse calorzinho... hãn hãn
atravesso a rua sem ser atropelado
sinto-me, de facto, um privilegiado
subo os dois andares até ao escritório
chego cedo, nada mau, um factor abonatório
passo pela máquina do café e dou-lhe uma bofetada
ouço a voz do meu chefe, nada animada
"(grande) autor, você tenha cautela"
logo fiz as pases com a máquina, fiz-me amigo dela.

quarta-feira, abril 26, 2006

há que dizê-lo

mandaram-me um mail há baita buéda time que contava a história de um tuga que foi trabalhar para um desses países lá do norte, onde o frio congela até os manuelinhos.
versava assim:
lem lem lem, o tuga e o amigo nativo iam para o trabalho.
o nativo dava boleia ao tuga e chegavam ao trabalho 20 minutos antes da hora todos os dias.
o nativo fazia questão de parar no 1º lugar do parque de estacionamento da empresa, o mais perto da saída e mais longe da porta de entrada do edifício.
lem lem lem, lá iam 6 minutitos a pé, ainda dava tempo para o cafézinho e cigarrinho da manhã.
um dia o tuga perguntou ao nativo, enquanto caminhavam do carro ao edifício:
- olha lá man, porque é que paramos o carro todos os dias tão longe? temos lugar à porta e tu páras ali ao fundo, tás parvo, ou quê?
- amigo tuga, nós chegamos sempre antes da hora, logo, temos tempo para caminhar a distância do carro ao edifício, no relax. quem chegar atrasado, precisa de ter os lugares mais perto da porta, para demorar o menos tempo possível. tázaver a cena?

ps - quem souber o que são "manuelinhos" ganha um prémio.

segunda-feira, abril 24, 2006

então e vai um cafézinho?

um dia destes, no meu local de trabalho em part-time, decidi (estupidamente) ir beber um cafézinho.
dirigi-me à máquina e optei por abordá-la como se de um cão se tratasse, de mão aberta e devagar, para que me pudesse cheirar e não me arrancasse um dedinho.
"é uma bela máquina", dizia eu para o fantasma ao meu lado, com o intuito de a elogiar e fazê-la babar-se, de preferência para dentro da minha chávena.
feito o contacto inicial, já com alguma confiança, abro o dispositivo, coloco neste a quantidade certa de café para me abrir as pálpebras e "zumba", atarracho-o de novo na chavala.
"on", chávena prontinha a levar com a torrente cafeínica, pacote de açúcar já aberto na mão...
nada sucede.
"hmmm...o erro é sempre humano", penso.
vai de pousar o açúcar, tirar a chávena e espreitar por debaixo do mamilo da senhora.
nisto, visto ter-me esquecido de tranformar o "on" em "off", começo a sentir uma ligeira quimadura húmida na testa.
rapidamente ponho-a em "off" e vou a correr buscar um pano à casa-de-banho.
quando acabo de limpar o anúncio à buondi que circulava na minha cara, reparo que a correria levou a que cerca de 20ml de café se tornassem os melhores amigos da minha camisa.
bonito.
volto para a máquina, a tempo ainda de constatar que o açúcar, emocionado com tamanha algazarra, se tinha jogado para o chão, qual liedson, espalhando-se pela alcatifa.
da minha boca sai um palavrão digno de taberna do cais do sodré.
volto a colocar a chávena debaixo do mamilo do aparelho, ponho-o de novo em "on" e espero mais um pouco.
desta feita para ver o café a sair em direcção ao fundo da chávena como se de um miúdo de 30kg na rampa mais alta do aquaparque se tratasse.
ou seja, galvanizado pela velocidade, chegou ao fundo da chávena e logo começou a sua subida pela borda, lançando-se na direcção mais uma vez do quê?
da minha camisa, claro está.
desta feita solto mais um palavrão digno de taberna do cais do sodré, mas agora em inglês.
se bem me lembro, chamei um nome à mãe da máquina.
de seguida, num impulso furibundo (marido da bunda, furibunda) mando-lhe um soco tal, que o manipulo do café se solta e "zás", voa em direcção à alcatifa começando uma relação do foro sexual com o açúcar.
ligeiramente chateado com " f " grande, começo a tentar acabar com o canal 18 ao nível do chão, enquanto proferia palavras dignas de banda sonora dum filme do género.
nisto sinto uma palmadinha nas costas.
viro-me e dou de caras com quem?
a empregada da limpeza a oferecer-se para apanhar aquilo?
não, claro que não.
com o chefe a dizer-me que "e vão duas...à terceira é de vez."
volto para a secretária com a camisa igual à de um miúdo de 3 anos depois de comer uma sopa de feijão preto, sem ter posto o babete.
adormeço passados cinco minutos, pois café, nem vê-lo.
quer dizer, vê-lo vi, apenas não o bebi.

sábado, abril 22, 2006

bola vs igreja

ir à bola é o mesmo que ir à igreja.
a bola é aos domingos, a missa também.
a bola tem árbitro, a missa tem padre.
a bola tem um esférico, a missa um crucifixo.
a bola tem 22 jogadores, a missa 22 crentes.
na bola o liedson atira-se para o chão, na missa o crente ajoelha-se.
na bola há foras de jogo e faltas, na missa há a bíblia.
na bola há claques, na missa há orações em conjunto.
na bola há "golo!", na missa há "amén!".
na bola paga-se bilhete, na missa paga-se esmola.
na bola há estádios, na missa há igrejas e catedrais.
na bola há equipamentos, na missa existem hábitos.
a luz é a catedral.
simão o deus.
golo!!!
amén.

quinta-feira, abril 20, 2006

back in business

de volta à vida lisboeta, depois de uma semana por terras de pasta, gelados e italianas, o (grande) autor faz assim um rescaldo da última jornada de repouso:

- os pés cheios de bolhas
- a barriga com mais uns centímetros derivado a hidratos de carbono e docinhos
- a cabeça cheia de cultura (não é só para usar chapéu)
- as pernas cheias de músculo andante
- a máquina fotográfica, vítima, com um processo instaurado por abuso de confiança
- as costas com a forma de uma mochila
- os bolsos cheios de chocolates (rebentou-se o pacote)
- a alma ainda a tremer de medo de atravessar nas passadeiras, nomeadamente em nápoles

é com este rescaldo que informo os caros leitores e ouvintes [este blog existe na versão áudio, só que ainda ninguém descobriu como aceder, nem o próprio (grande) autor] que as opiniões estão de volta, bem como o vosso motivo de sorrir...
(ou de cortar os pulsos com um canivete suíço falso comprado na almirante reis.)

terça-feira, abril 11, 2006

só assim por acaso...

se vossa excelência for num automóvel a 146km/h, sentado no lugar ao lado do motorista (vulgo lugar-do-morto) e iniciar a seguinte conversa com o seu amigo:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só destrancar aqui as portas.
- destrancar as portas? porquê?
- porque se tivermos um acidente e capotarmos, não te está muito a apetecer ficar trancado aqui dentro porque o fecho centralizado pifou no meio da cambalhota, pois não? hehehe...
- .......

e passados uns cinco minutos iniciar esta outra conversa:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só pôr aqui o telemóvel no bolso de dentro do casaco.
- para quê meu?
- para, se tivermos um acidente e capotarmos, eu for cuspido do carro e ficar imobilizado, poder ter o telemóvel junto a mim e não dentro do carro, todo partido.
- ............................... !!!!!!

sugiro que peça para ir à casa-de-banho fazer uma chichoca na bomba seguinte e nunca mais volte.

domingo, abril 09, 2006

férias na figueira (parte I)

a viagem começou às 20h, depois de um jantarinho em que vítor se foi despedir dos seus amigos, antes de rumar à figueira da foz, sua terra natal.
seriam 22h seguidas a conduzir desde o norte de frança e, apesar das reticências da sua mulher andreia, vítor insistia que conseguia conduzir a viagem toda sem parar.
- não sou homem pra isso, não? além disso perdia os 50€ que apostei com a malta do café...
bem regadinho para o caminho e com as duas filhas, cátia e jessica, sedadas no banco de trás e com uma algália incorporada, seguiam caminho pelas ICs francesas, a fim de evitar as portagens.
passadas 9 horas de viagem, andreia diz a vítor:
- oh amori, vai lá mais devagar...não achas que podíamos parar um bocadinho? é que tenho as pernas dormentes e precisava de mijar.
- cala-te!!!
- ok, tá bem, mas ao menos abre os olhos, que já me tás a fazer impressão.
- cala-te, fo%$-se !!! passa-me os óculos escuros!!
- oh vítor, mas são 5 da manhã...
- cala-te, ca€*lho!!!!

passadas 18h da viagem, tendo vítor abrandado apenas para pôr gasolina em andamento, andreia começa a preocupar-se, pois os olhos do seu valente marido começam a pesar nos palitos, já dobrados de tal forma que pareciam partir-se a qualquer momento.
a distribuir chapadas nas duas filhas e a ler ao mesmo tempo as questões dos leitores da "marie", andreia decide que está na hora de comer.
abre as quatro latas de atum e começa a alimentar as filhas à colherada.
jessica, a dada altura, queixa-se de que está mal-disposta:
- mãe, tou mal-disposta, je quero vomiter...
vítor, olhos raiados, antecipa-se à sua mulher no tempo de resposta:
- car€*ho!!! se me vomitas o carro não comes mais nada o resto da viagem, ouviste??

(continua...)

sábado, abril 08, 2006

emigrante

uma amiga minha está (para muito bem dela) a fazer erasmus na suíça.
terra de emigrantes tugas, a minha amiga tem visto diversas cenas protagonizadas pelos nossos conterrâneos.
porém, houve uma frase que a deixou mais do que convencida de que os tugas, aquando de um desastre nuclear de proporções apocalípticas, prevalecerão.

diz então a mãe para o seu filhote:

"(...) mas porque é que sempre que vimos ao supermarché do centre ville, tu tens que levar nos cornos ?? "

portugal é portugal, o resto vai com a maré.

sexta-feira, abril 07, 2006

coisas

há coisas e coisas que, por muito velhas que sejam, nunca ninguém mas tirará:

1- nestum mel
2- cassetes de vídeo com o "tal canal"
3- capri sonne maçã
4- andar de metro sem pagar (e sem ser apanhado)
5- ouvir cassetes no walkman
6- ver os desenhos animados de manhã (sendo que a diferença é que dantes os via ao acordar e agora vejo-os antes de deitar, mas sempre com pequeno-almoço incluído)
7- cérelac
8- livros do pato donald
9- gemadas

ps- a infantilidade subliminar deste texto não é subliminar. é uma infantilidade presente. porque, e passo a citar o (grande) autor...

o futuro risonho está no passado e na forma como o recordamos no presente.

porém, eu não sou infantil.
tenho acessos de criancice, que é algo bem diferente.

quarta-feira, abril 05, 2006

estrangeirismos

numa época em que a nossa língua é maltratada pelo calão, em que para tudo e todos "muito" é "bué", "possível" é "na boa" e "co'a breca" é "daaa-seee", penso ser a altura de abordar um tema que me está a deixar "uma beca" nervoso.
o estrangeirismo.
não há alma lusitana que não aplique pelo menos um estrangeirismo numa frase de 5 palavritas ou menos.
exemplo:
- tudo bem, jovem?
- tudo nice.
- queres um pontapé no cú?
- népia, não tou no mood.
- então fuck you man, até logo.
- hasta, bro!

sinceramente, não compreendo esta atracção pelo estrangeirismo.
ele é na rua, no autocarro, na tv, no trabalho, na escola, no futebol.
um dia destes imagino-me a entrar no autocarro e o pica vir a dizer "os seus tickets fachavôôôr".
ou numa repartição de finanças: "next..."
será que a nossa língua não é digna de ser utilizada a tempo inteiro?
será que, por já ter uns aninhos, é considerada uma língua "cota"?
já me imagino na bancada a ouvir:
- é offside shôr árbitro!! este muthafucker é mesmo blind!!
e na pizzaria da esquina:
-oh diolinda, queres comer aqui ou pedimos take away?
-não sei alfredo, as you wish.
e para terminar....há uma palavra que me deixa ainda mais arrepiado do que qulquer outra:
"baby".
baby não existe, ninguém pode tratar seriamente um namorado/a por baby!
"bonequinho", "torrãozinho", "amor", ainda vá que não vá, mas baby não, por favor!
e quando forem pais, como será?
- oh baby, vai lá buscar a baby para lhe mudares a fralda que até a vizinha de cima já deve tar mal-disposta, caraças...
- oh baby, vai lá tu, baby...
- não baby, ontem eu dei o banho à baby, hoje és tu no pivete, baby...

fiquêmo-nos pelo nosso tuga, que dá tanto espaço de manobra para as mesmas alarvidades e assim não pagamos imposto pela utilização de língua alheia...

terça-feira, abril 04, 2006

oh inerte, a inércia quer-te

atrapado entre a vontade de ir e a de ficar, enterrei-me mais um pouco no sofá.
mais um zapping, um botão, a programação não era má.
pés na mesa, uma beleza, sentia-me confortável.
mas a indecisão que sentia, ai mau maria, era uma proeza notável.
tenho de me decidir em 5 minutos, senão perco a oportunidade.
vou mesmo ou por aqui fico, que irritação, que dubiosidade.
ok, lá irei, mas primeiro tiro os pés de cima da mesa.
eles caem no chão, que preguiçosos, nunca vista, tamanha moleza!!
arrasto-me sala fora, acendo a luz da casa-de-banho a medo e entro.
aproximo-me da sanita, preparo tudo e levanto o assento.
contas feitas, a coisa já está, já posso voltar ao meu sofá.
para pôr os pés em cima da mesa, ai que beleza, e ver a programação que não era má.

segunda-feira, abril 03, 2006

frases erasmus


como ainda nunca disse isto, estive em erasmus no ano passado.
foi o melhor ano da minha vida.
e na casa onde vivi, dei eu início a um costume algo raro a princípio, mas logo depois seguido por todos os que entravam naquela mansão, nomeadamente, na cozinha.
cada pessoa que pusesse um pé no "quarto-de-cozinhar-coisas-boas", seria livre para escrever o que lhe desse na bolha, nas paredes de azulejo.
este é um ditado (espanhol?) que um amigo hermano escreveu e que significa:

"vive à custa dos teus pais até que possas viver à custa dos teus filhos."

e eu que pensava que era comodista...

quinta-feira, março 30, 2006

saudades

estive a passar números de telefone da memória do telemóvel para uma agenda.
uma agenda à antiga, feita de papel e escrita a caneta.
depois de um ano em erasmus, eram muitos os número de pessoas estrangeiras, de pessoas portuguesas, números de pessoas que não sei quem são...simplesmente já não me lembro.
mas de muitas outras lembro-me perfeitamente.
então, nessa boa meia-hora estive a ver caras a passarem-me à frente.
é impressionante como um número e um nome automaticamente nos transportam para um rosto e um local.
fartei-me de ver amigos, amigas, conhecidos, conhecidas, pessoas em quem já não pensava há muito tempo.
todos apareceram no meu quarto para dizer olá e seguirem caminho, ao bater das teclas do telemóvel.
todinhos, de A a Z...

segunda-feira, março 27, 2006

dono de casa

há uns dias fui estender a roupa.
o dia estava de chuva, por isso tinha de a estender "indoor".
aprochego-me da máquina de lavar e ouço um risinho em surdina.
como estava sozinho em casa, mas não me chamo macaulay culkin, pensei que seria o vento a passar numa frincha duma janela, ou coisa que o valha.
abro a portinhola da máquina e logo sinto um friozinho nos pézinhos.
um friozinho húmidozinho.
coçando a cabeça como um babuíno, logo reparo que o frio e a humidade provinham da água que por sua vez provinha de dentro da máquina.
direccionando todas as injúrias desta língua portuguesa à máquina de lavar, concluo que a mesma se escangalhou e a água não escoou.
a prova estava nos meus pés, que obrigavam o meu corpo a procurar uma pneumonia.
deitando fumo pelas orelhas, tiro a roupa cá para fora e deposito-a no lava-louças, pois estava encharcadinha, como é óbvio.
quando acabo de atirar a roupa lá para dentro, vejo uma pontinha de madeira a sair de debaixo do amontoado de tecido.
era uma colher de pau.
uma colher de pau?
sim, e suja de um molho vermelho.
SUJA DE UM MOLHO VERMELHO???
tiro a roupa a verifico que tinha acabado de a atirar para cima de um tacho que previamente tinha sido utilizado para cozinhar algo com molho de tomate.
daí a colherzinha suja.
passando a proferir impropérios em inglês, atiro a roupa encharcada e suja de molho de tomate para dentro de um alguidar e vou buscar a esfregona para enxugar a piscina olímpica que tinha na minha cozinha.
a coisa começa a correr melhor, eu parecia um profissional da esfregona, consegui apanhar a água toda num tempo record de 16 minutos, enquanto via uma telenovela da tvi, para me acalmar.
de seguida vou com um pano de cozinha enxugar o restante da água de dentro da máquina de lavar.
ensopa o pano, torce para dentro do balde.
ensopa, torce, ensopa, torce, ensopa, torce.
o riso em surdina continuava.
no final da tarefa, reparo que havia um cantinho da cozinha que ainda parecia uma zona para cultivo de arroz.
pego de novo na esfregona, ponho-a naquele buraco para a torcer, começo a torcer a safada e....
SSSPLAAAAAAASSHH
...com a força empregue na torção, viro o balde da esfregona e faço de novo um aquaparque na minha cozinha.
já de lágrimas nos olhos, repito tudo e no final vou à procura da frincha de janela aberta para cessar o riso em surdina.
todas as janelas estavam bem fechadas.
o riso vinha da p... da máquina de lavar.

vamos lá a ver uma coisa

toda a gente sabe que é melhor causar algum tipo de sentimento nas pessoas do que ser ignorado.
é melhor levar uma estalada da rapariga que amamos do que ela passar por nós e nem olhar.
e este blog, como muito outros, está sujeito a críticas.
claro, a crítica, positiva ou negativa, faz parte do jogo e, a meu ver, é muito bem recebida.
porque já me disseram muito bem e já me disseram muito mal.
aceito todas as opiniões, ou não fosse esse o nome do blog.
contudo, um grande amigo meu, por quem tenho grande carinho, outro dia perguntou-me se eu estava a ficar maluco.
não compreendendo, retorqui um elaborado "hãn?".
ele completou:
"estive a ler o teu blog...é tão mau!! parece que andas a escrever merda a metro!!"
ok.
não quero que apenas aqui fiquem os comentários bons, os que me levam a escrever com regularidade, por isso também os comentários que "deitam abaixo" têm de ter o seu espaço.
porém, vamos lá a ver uma coisa:
este blog é merda escrita a metro?
e, na hipótese de o ser.... cheirará muito mal?
é que já se sabe que, aos nossos narizes, a nossa própria merda nunca cheira tão mal como a dos outros...

sábado, março 25, 2006

serviço público

o (grande) autor, um vivido nestas andanças do serviço público, pode afirmar e prontificar desde já uma listinha, das certezas existentes em qualquer desses serviços.
sejam as repartições de finanças, as conservatórias, ou as câmaras, estas são as 11 certezas existentes:

1 - todos os desktop (ambientes de trabalho) de todos os computadores dos funcionários têm uma fotografia de uma ilha paradisíaca, de umas férias ou de um animal de estimação, algo que os faça sair dali em pensamento.
2 - há sempre duas máquinas para tirar senhas, mas apenas uma tem senhas lá dentro.
3 - ao lado dessas duas máquinas há sempre um papel escrito à mão que diz "senha única".
4 - ninguém sorri. nem funcionários nem utentes.
5 - há sempre um papel escrito à mão, pregado ao placard das informações, que diz "por favor evite falar ao telemóvel".
6 - há sempre alguém a falar ao telemóvel ao lado desse papel.
7 - o serviço de pagamento por multibanco nunca funciona, porque há sempre "uma falha no sistema, desculpe lá. olhe, pode ir ali ao multibanco, que fica só a 4 quarteirões daqui, e levantar o dinheiro. quando voltar, tire só uma senha, espere mais 58 números que seja a sua vez e depois poderá efectuar o pagamento".
8 - há sempre gente a praguejar dentro das instalações.
9 - há sempre marcas de socos nas paredes.
10 - pelo menos um dos funcionários tem de estar sempre doente e a queixar-se de que devia estar em casa em vez de estar ali. por vezes pede aos utentes para lhe porem a mão na testa a ver se têm febre. varia.
11 - sempre que se vai levantar um documento, tendo-se telefonado antes para saber se já estava pronto e a resposta ter sido sim...o documento nunca está pronto. falta sempre um carimbo, uma lambidela ou uma assinatura da pessoa que "foi almoçar, aguarde só aí um bocadinho qu'ela vem já tá bem?"

quinta-feira, março 23, 2006

a frase

caros leitores, o (grande) autor esteve outro dia na presença auditiva da melhor frase deste ano.
aquando do grande golo marcado por simão sabrosa ao liverpool, visto a bola ter entrado no canto superior direito da baliza, "na gaveta", uma amiga minha proferiu a seguinte pérola:

"o meu pai sempre me disse: joaninha, no cantinho ninguém vai lá buscá-la..."

autora: joana a.k.a. mémé

terça-feira, março 21, 2006

bip bip bip

ultimamente, tem-me acontecido uma coisa deveras peculiar.
ora então não é que, ao dirigir-me às pessoas, em vez de um cordial "bom dia/boa tarde/comé, tá-se bem?", pela minha boca é cuspido um "tou!" ??
sim, um "tou!"
não é referência aos cromos que saíam no bollicao, os "tou fixaró", "tou c'uma ganda ressaca" ou o "tou com comichão no pé".
eu, literalmente, ATENDO as pessoas.
faço como se de um telefone se tratasse e a 1ª coisa que lhes digo é... (digam lá vocemessês...isso mesmo!)... "tou!"
achava uma certa graça à coisa, até ao dia em que, de saída de um estabelecimento comercial de venda de objectos para divertimento sexual, (vulgo sex-shop), ao passar pela porta de saída, digo à empregada um repinpante "boa tarde, beijinhos, com licença..."
ora, até podia ser a empregada que me atende todos os dias, quando lá vou comprar as recargas do aparelho, mas não, era uma nova, uma que nunca tinha visto mais chicoteada!
mais uma vez, o síndroma-de-falar-com-pessoas-que-estão-à-minha-frente-como-se-estivesse-ao-telefone-com-elas apoderou-se de mim!
só falta daqui a bocado parar de falar a meio de uma conversa e começar para a pessoa à minha frente "tou, tou, TOOOU...", como se me tivesse acabado a bateria do celular.

segunda-feira, março 20, 2006

factor medo

- olá, então, está pronto?
- estou com medo - respondi.
entrámos na sala iluminada.
daquelas iluminações tipo hospital, cheia de recantos escuros, mas superfícies que ferem os olhos, de tão brancas.
sentei-me na cadeira, já não sentia aquele material há cerca de dois anos.
"então, não vem cá há muito tempo, assim vai custar mais..."
"pois, a ti deve custar-te muito, deve...", pensei com os meus botões.
hhmm...tinha uma camisola vestida, não havia botões.
pensei com as minhas costuras, então.
ela disse-me para me inclinar para trás, que íamos começar.
fechei os olhos, apertei as mãos contra os braços da cadeira.
"au!" gritou ela.
um dos braços não era da cadeira, era dela.
"desculpe" retorqui prontamente, pensando se aquele engano não teria sido o carimbo no meu passaporte para o inferno.
começou a tortura.
pensava incessantemente para com as minhas costuras e braguilha que havia torturas bem piores que aquela, que no iraque e outros cenários de guerra, muita gente sofreria muito mais que aquilo que eu estava a sofrer.
mas alguém há muito tempo inventou as proporções.
e, proporcionalmente mais baixa, a minha dor não deixava de ser sempre uma dor.
sentia o sabor do meu sangue na boca que ela lapidava, via-lhe de perto as pingas de suor que lhe escorriam da testa de encontro aos meus olhos.
"está a tentar cegar-me" pensei de novo, desta feita para com os boxers.
se o esforço a fazia suar, a consequência de tal era a força empregue na minha cavidade de "cumer e buber".
senti-me a desmaiar, não sei quanto tempo estive inconsciente.
quando acordei ela tinha uma mola no nariz, o que me levou a deduzir que durante o sono devo ter solto um gás ou outro, como consequência do terror em que me encontrava.
finalmente acabou...
estalando os dedos e tirando as luvas de plástico utilizadas para outros fins como exames rectais, ela despediu-se de mim com um suave "até breve".
eu saí, pensando que realmente sempre era melhor ir ao dentista fazer uma higiene de rotina do que ir não-sei-onde fazer um exame rectal.

sexta-feira, março 17, 2006

taxi

em atitude burguesa, incompatível com o seu bolso camponês, o (grande) autor decidiu ontem apanhar um táxi para se deslocar de aqui para ali.
como o futebol não seria a conversa mais interessante, visto o glorioso ter deixado o guimarães ganhar, decidiu-se por puxar o assunto "as-obras-do-metro-do-saldanha-nunca-mais-acabam-não-é-ó-chefe?".
o taxista, mortinho por cascar nos governantes, apressou-se a contar uma história, como exemplo da lentidão deste país.
"c'andeu tavali na praça de taxs de sete rios, aí há uns...vintianos...vi uma vez uma cena...quédzer...em Portugal as coisas não é pa se fazer...é pa sir fazendo...
então não é que tava um buraco aberto dumas obras. uma noite, andaram lá aí uns 7 ou 8 calceteiros a fechar o buraco, porque as obras tinham acabado. no dia seguinte, eu pegava às 11h da manhã...e o buraco tava aberto outra vez!!
eu até fui lá perguntar então mas vocês esqueceram-se aí dalgum tesouro dentro ou quê??
e os gajos respondem-me que não, que as obras agora eram para o gás e que os outros que fecharam o buraco eram dos telefones...
e pronts, lá continuou o buraco aberto mais uns meses..."
chegado ao destino, o (grande) autor pagou e, em jeito de despedida, desejou boa sorte ao taxista e que "a ver se as coisas agora andam prá frente..."
o senhor respondeu prontamente:
"atão não hão dandar?? f...-se, mais pra trás é que não dá!!"

quarta-feira, março 15, 2006

EMEL...GA (parte II)

ok, é mais do que óbvio que ontem lá fui feito estúpido para a emel, com todos os documentos que vos mencionei no último post, e não consegui a merda dos dísticos, por variadas razões.
tenho apenas um conselho a dar-vos:
se algum dia tiverem de ir à emel tratar do que quer que seja, não vão armados, pois podem destruir a vossa vida em milésimos de segundo, por causa de uma funcionária inteligente.

ps- a opção fumar-umas-ganzas-antes-de-entrar também não é má.

ps2- é também óbvio que, enquanto havia uma senhora para atender as pessoas que lá iam tratar de assuntos relativos à emel (éramos 4 pobres coitados), havia 5 (cinco) senhoras sentadas em frente ao computador sem fazer nada porque, como tão simpática e lógicamente me explicaram, "estes balcões destinam-se exclusivamente a serviços da câmara".
ora, a emel, não é um serviço municipal, pois não?

"e não-sei-quê, estamos na cauda da europa..."
não, pudera...

terça-feira, março 14, 2006

EMEL...GA

melga não era bem a palavra que queria para descrever essa tão boa empresa municipal de f.... os carros das pessoas que trabalham.
bem, já há uns tempo que os gafanhotos me têm vindo a deixar uns papéis no carro a dizer que tenho de ir revalidar o dístico (gosto da palavra) de morador.
liguei para lá a perguntar que documentação precisava de levar.
claro que me atendeu uma senhora muito simpática, prestável e, inclusive, inteligente.
[note-se o sarcasmo exacerbado do discurso do (grande) autor]
ora, preciso então da seguinte listinha de documentos:
- o dístico que tenho agora
- carta de condução
- título de registo de propriedade da viatura
- cartão de eleitor
- comprovativo do domicílio fiscal

passo assim a analisar cada um dos documentos, inteligentemente pedidos:
- o dístico-que-tenho-agora
acho óptima a ideia de ter de entregá-lo. como o novo dístico não vai ser completamente diferente nem nada, o que mais me apetece é ter de entregar a única coisa que me permite parar o carro sem ser multado. como os serviços andam um nadinha mais devagar que um caracol manco, cheira-me que vou estar um mesinho sem dístico de morador, consequentemente, a pagar parquímetro para estacionar à minha porta.
(nota mental: destruir as máquinas de parquímetro da zona à machadada)

- a carta-de-condução
normal, ando sempre com ela, por isso acho bem, não custa nada levá-la. até porque a maior parte das pessoas que tem carro não tem carta de condução.

- o título-de-registo-de-propriedade-da-viatura
também acho bem. pode ser que alguém ande com excessos de altruísmo e ande a pedir dísticos de morador para os amigos, perdendo horas de vida em filas de espera, o que é perfeitamente normal.

- o cartão-de-eleitor
ah, isto sim, compreende-se. no caso de a pessoa querer votar em qualquer coisa pelo caminho ou mesmo no edifício da emel, sei lá...votar no empregado mais estúpido ou no que consegue demorar mais tempo a dar uma informação complicada do género, "que horas são por favor?".

- o comprovativo do domicílio fiscal
ah...também compreendo a razão de ser deste documento. como a morada, freguesia, código postal e p...que o pariu não estão na carta de condução nem no título de registo de propriedade da viatura, é normal que nos peçam isto.
sim, porque a autenticidade dos serviços da DGV não é a mesma coisa que a dos serviços das finanças. porque um quilo de chumbo pesa mais que um quilo de algodão, sem dúvida.

agora, estou a pensar em levar mais qualquer coisa que me identifique e que identifique o meu carro, assim como o papel higiénico por mim utilizado nas últimas duas semanas e ainda os pedaços de merda de pombo que tenho vindo a recolher desde há um mês, de cima do capôt do pópó.

domingo, março 12, 2006

ModaLisboa

o (grande) autor, como figura de alguma coisa que é, foi até à moda lisboa, dar um passinho na passerelle e ver passar umas meninas.
ora, sem mais delongas, passo a descrever numa só frase (deveras actual diga-se) todo este evento:

"se as aves raras apanhassem H5N1, aquele pavilhão era fechado pela direcção-geral de saúde. irra...."

ps- de salientar a iluminação do evento. essa sim, estava muito boa. mesmo. a sério. não estou a brincar. já perceberam a ideia, espero.

sexta-feira, março 10, 2006

OPERAÇÃO STOP

vi hoje no telejornal que os funcionários da câmara municipal do porto passam a ter um controlo de alcoolémia a seguir ao almoço, antes de pegarem ao serviço da parte da tarde.
ora bem, vejamos a seguinte situação.
o sr.andrade vai almoçar à tasquinha, como faz todos os dias.
e todos os dias despeja dentro de si pelo menos meia litrosa de vinhaça.
como o sr.andrade, fazem o mesmo o sr.falcão o sr.piçarra e o sr.nunes.
já os estou a imaginar a voltarem para o trabalho:
- eh pá, num bamos pla escadaria norte qu'disse-me a nandinha da secretaria que bai haber operaçaum stop...
- olhameste...(agride o sr.nunes com uma belinha na nuca) pla escadariiia...queres matar a gente ó quê?? qués qu'eu bomite o cuzido tuodo?
- oh pá, bamos mazé plo ilvador tuodos juntos qu'assim ao menos se apanharem alguém há semprum ou duois que se escapam, num éi?
- eu quantabócês num sei, mazeu bou à casinha trincar grãuns de café pa enganar a máquina, essa baca...

e a conversa agentes da autoridade:
- boa tarde (continência), os seus cartões de picar o ponto por favor. ora muito bem, os senhores ingeriram alguma bebida alcoólica nos últimos 15 minutos? pelo bafo, quer-me parecer que sim...queiram sair do elevador um a um por favor, vamos proceder à despistagem de alcoolémia...

terça-feira, março 07, 2006

conselheiro cinemental

já abriu o conselheiro CINEmental.

da autoria do (grande) autor, pois claro...

triste mas verdade

como não só de risos vive o homem, aqui fica uma história tristonha sobre uma entre muitas realidades portuguesas algo ocultas.
ontem vinha para casa do supermercado com a minha mãe quando, enquanto tirávamos os sacos do porta-corpos...aaah, porta-bagagens, um homem nos interpela.
começa a dizer que está desempregado, que trabalhou 28 anos na lisnave, que não quer pedir dinheiro, mas que tem muita fome.
tinha óptimo aspecto, uma pessoa normal, dir-se-ia.
e começa a chorar.
parvo, eu fico sem reacção.
a minha madre dá-lhe um pacote de leite para a mão.
ele agradece muito, muito e começa a andar enquanto abre o pacote de litro.
em 15 metros mandou um pénalti naquele merda.
não estou a brincar, ele bebeu o litro de leite de pénalti.
ao vê-lo a afastar-se optei por lhe dar mais uma laranja e um pacote de batatas fritas grande, que eram as únicas coisas comestíveis no momento, sem preparação.
tudo o resto eram infelizmente congelados e afins.
que vontade de o convidar para jantar lá em casa e dar-lhe tudo.
mas o medo e a desconfiança são mais fortes que a bondade, não é?
a minha mãe advertiu-me, antes de dar a laranja ao senhor:
"não lhe dês uma laranja, que isso vai-lhe fazer mal. ele acabou de beber o leite!!"
pois, mas o que não mata engorda, não é?
e aquele senhor bem precisava de engordar...

segunda-feira, março 06, 2006

piscina

o (grande) autor, em época pre-veraneante, decidiu tornar aos grandes palcos molhados da piscina do inatel.
visto lá ter andado largos anos em competição [o (grande) autor é muita bom], decidiu voltar a entrar no rectângulo aquático de outrora e dar alguma alegria aos seus músculos agora tapados por uma camadinha isolante de frios e tempestades.
dirigiu-se então o nosso herói à secretaria do inatel, em busca de informações e papéis de inscrição.
direcciono-me à secretaria, para constatar que está fechada às 18h15m, embora o horário indique um suposto fecho às 20h.
dirijo-me então ao SIgurança que, interrompendo pacientemente a novela da tvi, me informa que "a secretaria agora é ali ao fundo, naquele edifício, não sabia???".
pois, não sabia.
e não sabendo muita coisa, talvez passe a trazer sempre a maya comigo.
entro na nova secretaria e, após constatar que as barracas estão de novo na moda, verifico que existe uma bela estante, cheiiiiinha de papéis e folhetos informativos.
"ora bem, ora bem, deixa cá ver...natação livre..."
não existia um folheto relativo a esta modalidade.
não que não me oferecessem yoga, natação com bóias, pilates, judo, futebol, ping-pong, petanca ou apedrejamento de políticos...apenas natação livre não existia.
passa o (grande) autor à frente de umas jovens babadas que guardam o seu autógrafo, somente para perguntar pelos famosos panfletos.
"vá ver na estante dos folhetos informativos" responde-me um senhor nitidamente sem vida sexual a dois activa.
respondo-lhe então que já tinha dado uma vistinha de olhos de 12 minutos e que não a tinha encontrado.
o punho partido pergunta então ao seu colega pelos pedaços de papel.
o colega contesta que estão guardados numa gaveta mesmo atrás de si.
o esfrega-mastros faz um esforço que quase lhe custa uma vértebra e alcança-me o folheto, finalmente.
eu saio triunfante, não sem antes ter levado com um "faça o seu trabalho que eu faço o meu" por ter sugerido uma possível deslocação dos panfletos sobre natação livre da gaveta para a estante-maravilha.
vai uma braçada?

quinta-feira, março 02, 2006

comentário

ontem, observava eu atentamente o jogão que a nossa selecção fez contra uma equipa que nem sabe o que é um esférico, quando me apercebi que havia alguém ainda mais atento do que eu.
o comentador da televisão estatal que transmitia o jogaço disse:

"quaresma remata.......ah, mas está lá o guarda-redes!!"

caramba...há que ter olhos de lince...

quarta-feira, março 01, 2006

wc

visto que em portugal muito pouca coisa funciona como devia, agravado ainda pelo facto de a casa-de-banho ser um domínio pouco explorado pela indústria portuguesa, temos de dar a mão à palmatória aos 88% que não lavam as ditas.
senão vejamos:
o tuga está a trabalhar e tem de ir ao wc, já à rasca, apertado entre duas tarefas.
tem de fazer a coisa a correr porque o sacana do patrão escolheu logo o dia em que a diarreia atacou para passear a tromba pelo escritório.
não se faz, caraças. dia de mal-estar intestinal deveria automaticamente ser dia de estar-sentado-na-sanita-com-a-bola-o-record-e-o-jogo-e-uma-sandes-de-frutos-do-mar.
o tuga entra no wc a correr, esbaforido de pressão pançal e perseguido pelo tic-tac do relógio de parede.
faz a sua cena, provocando risos em todos os presentes no wc devido ao espectáculo de formula 1 perpretrado pelos seus intestinos.
limpa-se mal e porcamente porque a dona palmira e a dona almerinda, funcionárias da limpeza do escritório, meteram baixa na mesma semana e não há quem coloque mais papel higiénico nas cabines de som.
(pensa-se que estão juntas num motel nos arredores de lisboa)
o tuga sai da cabine já aliviado, limpando as pingas de suor ao lencinho que a sogra lhe deu no natal.
vai lavar as mãos, molha-as, mas não há sabonete.
as mãos continuam um nojo, mas molhadas.
dirige-se ao secador de mãos e este não funciona.
o tuga prega-lhe um soco e o bicho continua sem responder.
o tuga coloca as mãos nas variadas posições sugeridas pelo autocolante já todo riscado pelos filhos da dona palmira que acompanham por vezes a mãe ao trabalho e nada.
resultado, o tuga fica com as mangas da camisa molhadas porque estas, previamente arregaçadas, com tanto soco e chapada na máquina, acabaram por descair encharcando-se nos pingos de água tépida.
o tuga volta à secretária a limpar as mãos as calças, mesmo a tempo de ver o boi do chefe a mexer-lhe no computador e a constatar que o tuga não estava a trabalhar, mas sim a ver os mails de conteúdo pornográfico que os amigos lhe mandam.
e ainda por cima a diarreia dá de novo sinais de vida!

terça-feira, fevereiro 28, 2006

no carnaval ninguém leva a mal

diz o ditado que no "carnaval ninguém leva a mal".
passo assim a descrever situações em que ninguém poderá levar a mal:
- levar com um ovo podre na cabeça depois de uma permanente de 75€ feita em cabeleireiro da moda
- bombinhas de mau cheiro no metro que empanou entre picoas e o marquês há 32 minutos
- esguicho de água pelas costas abaixo quando estão 3ºc na rua
- bisnagas empunhadas por mascarados dentro do BES da cova da moura
- algemas de plástico postas em tornozelos de polícias de verdade
- cabeleireiras afro em concentrações de neo-nazis
- cabeças rapadas em concentrações dos palop's
- disfarces de lobos em festas de capuchinhos vermelho
- disfarces de porquinhos em festas de lobos
- chapéus de cowboys em brokeback mountain
- petardos na assembleia da república
- disfarces de homens-aranha junto à fábrica da baygon
- máscaras de michael jackson junto a jardins de infância

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

prendas e afins

devido ao facto de o (grande) autor ter efectuado 24 aninhos no último sábado e de se ter ausentado da capital por 4 dias para os festejar devidamente, a maravilhosa escrita bloguista levou um valente rombo.
deste aniversário muito há para relembrar, muitas prendas, muitos sorrisos, muita coisa.
mas a prenda mais original e especial foi a dada ao (grande) autor pelo vítor.
oh vítor, não era preciso tanto, por isso aqui ficam prestados publicamente os meus agradecimentos à tua generosa pessoa.
és um bacano vítor, continua assim.
vítor...vítor baía, entenda-se...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

ski em comprimento

nos países do norte da europa, e especialmente na finlândia, há uma tradição que nos ajuda a compreender o porquê de serem sempre os finlandeses a ganhar as competições de saltos em comprimento de ski nos jogos olímpicos.
corre o boato de que as mães das criancinhas até aos 5 anos, as enviam para a escola, não no schoolbus como nas americanadas, mas sim de outra forma.
de manhã, depois do cerélac no bucho e do cestinho preparado com o fígado e arroz do almoço e o nogat do lanche, as mães sentam os filhotes no topo da rampa de lançamento situada ao lado do casebre.
depois, dizem frases do género "filhinho querido, olha ali um elefante a voar" e, quando os putos tentam vislumbrar o paquiderme alado, as progenitoras dão-lhes um empurrãozinho rampa abaixo, depois de lhes terem colocado um par de skis com o triplo do tamanho dos catraios.
as rampas, diz-se, são direccionáveis, por isso as mães fofinhas podem apontá-las para onde quiserem, conforme os putos vão para o edifício central ter finlandês ou para o pavilhão 2, ter educação física em calções com -23º ao sol.
é assim, nos países desenvolvidos.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

hi tech, goodbye tech...

imaginem-se frente a uma TV a ver a formula 1.
agora imaginem que depois de 15 minutos a ver a corrida nessa primeira TV, vos tiram a dita e vos entregam outra onde vos obrigam a ver a mesma corridinha, mas em câmera lenta.
carros que passam de 300km/h em pista aberta para 30km/h no meio das ruas da costa do castelo.
e isso durante a coisa toda!
já tinham visto aí umas 20 voltas na primeira TV, por isso restam-vos aí umas 50 a passo de caracol coxo, com ciática e joanetes.
é assim que me sinto a trabalhar neste fi...duma grande p... deste computador donde vos escrevo este belo textinho.
não que sequer tenha tido direito às primeiras 20 voltas a velocidade normal, isso era só um termo de comparação.
porque neste posto de trabalho, o computador não está cá para facilitar a vida, mas sim para me f...., não, F....a mesma.
a senhora que trabalha ao meu lado é que de quando em quando solta uns olhares de admiração.
não sei se é por causa de me ver a levantar o monitor só com uma mão enquanto com a outra agarro no teclado e os faço dar beijinhos violentos um no outro.
talvez fique admirada com a minha força de braços.
no outro dia convidei-a para jogarmos ao "atira o computador pela janela", um joguinho por mim inventado.
o objectivo é o de fazer o computador bater em todos os aparelhos de ar condicionado perspegados da parte de fora do prédio antes de se espalhar no chão.
ela não quis.
eu fiz beicinho e fui jogar sozinho.
pelos vistos sou o único a ver as coisas em câmera lenta aqui no prédio...

sábado, fevereiro 18, 2006

tu e eu

tu e eu somos nós.
nunca esquecerei aqueles 3 anos agarrado a ti.
sabemos que nunca nos esqueceremos, que tudo o que passámos foi algo de maravilhoso.
nunca terei alguém como te tive a ti, naquela parte tão importante da minha vida...
mas tens de compreender que as coisas mudam, as pessoas crescem, evoluem, partem para novas caminhadas, por vezes sozinhas, por vezes acompanhadas.
tê-la conhecido não invalida o que nós vivemos, apenas me tranporta para um novo mundo em que tu, infelizmente, já não existes.
mil desculpas meu amor, tenho de partir, mas nunca te esquecerei, lembra-te disso.
agora uso a sanita e por isso tu, meu querido penico, terás sempre um cantinho no meu coração, mas não mais te verei...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

resultado final

chegámos em definitivo ao final da 1ª volta da época 2005/2006 de exames da vida do (grande) autor.
resultado final de 3 para os exames 3 para o mestre.
assim, fazemos o rescaldo desta 1ª volta, com resumo alargado:

- 1-o para o (grande) autor dia 6 de janeiro. a começar bem o campeonato, o nosso herói adianta-se no marcador.
- o empate verifica-se no dia 26, 20 dias depois. apanhado à sombra da bananeira e de costas, os exames aproveitaram de forma cobarde para igualar o marcador.
- dia 30 o (grande) autor passa de novo para a frente. jogada espectacular, um pleno de mestria, sem ajudas dos árbitros e com pouca preparação, o 2-1 está feito.
- vem de novo o empate no dia 3 de fevereiro. em mês azarado e com muita culpa do terreno e do esférico (incrivelmente redondo), mais uma vez os exames empatam a partida, levando a plateia de algumas dezenas de perguntas ao rubro.
- no dia 4, ou seja, um dia depois, os exames passam para a frente. aproveitando-se mais uma vez de forma mesquinha da má condição psicológica do (grande) autor depois deste ter sofrido mais um empate, os exames não perdem tempo e fazem o 3-2, desta feita com muitas culpas do árbitro e vencendo pela diferença mínima (nota de 9 quando para passar bastava o 10).
- porém, o nosso (grande) autor não baixou os braços e, dia 10, vingou-se de tanta facada nas costas, fazendo um jogo magistral, aproveitando tudo o que eram tácticas ilícitas e escapando-se a 2 vermelhos directos, igualando o marcador a 3-3, resultado com que termina esta 1ª volta.

passamos agora na íntegra, a entrevista a cócó, defesa central dos exames:
- cócó, como vê esta 2ª volta depois deste empate na 1ª?
- hee, né? veijo cuzólhus, né? eu penso quiiiiiiii...u grandji autorr feiz uma bôa primêira vólta, né? agora nóis temu qui prepará bem a sigunda vólta, né?
pensu cuzárbitrrus desti jógos não foram múito fávuráveiss à gentxi né?
maisé asi meismo né?
vamus istar dji cabeça levantáda i tentarr o nossu mélhori né?
lá nu brasiu a gentxi não tábituada a tanta pressão du publico né?
mais a gentxi vai trabalhá e, portantu né, vamu fazê u nóssu mélhó prá ganhá essi campionato dessi filhádaputa qué essi grandji autô qui pára mim, não sabe né? não sabi jogá esti jôgo...
i joga fêêio, u cara...

aguardemos então a 2ª volta deste emocionante campeonato.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

friends

eh pá eu adoro o "friends".
epás comem-se na praia.
na praia faz sol.
o sol traz calor.
calor é bom quando está frio, no inverno.
quando está frio agasalhamo-nos.
o agasalho é castanho.
castanho é o outono.
no outono as folhas caem.
as folhas nascem na primavera.
na primavera já faz sol.
o sol traz calor.
quando está calor vamos à praia.
na praia comem-se epás.
eh pá eu adoro o "friends"...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

eu tenho um sonho

eu tenho um sonho.
não é dos eróticos, dos que levam ao desespero da minha empregada, que tem de me mudar os lençóis todos os dias.
também não é dos premonitórios, em que sonho que vou ter 12 a uma cadeira e depois tenho 6.
é um sonho de merda.
literalmente.
sonho com o dia em que vou na rua a pisar todos os cócós de cão que encontre!!
não que tenha qualquer fetiche com bestialismos e chuvas douradas e coisas do género.
não que goste do aconchego de uma bela bosta a aquecer-me a plantinha do pé.
o objectivo desta maratona mal-cheirosa era o de, após 32kg de cagalhões pisados pelos meus piores ténis, ir passear-me a casa de todas as pessoas que têm cães no meu bairro.
do estilo, ir lá pedir ovos, apresentando-me como o vizinho do andar de baixo que, ups, pisou merda de cão no seu trajecto para casa.
quando fossem buscar os ovinhos, eu apresentava o seu tapete do hall, de preferência um arraiolos ou uma bela alcatifa, ao meu "téni" (no qual estaria grudado o presente saído do traseiro do seu lulu há tão pouco tempo), insistindo para que este e o tapetezinho se tornassem melhores amigos, vincando bem o contacto entre eles.
é um sonho que cheira mal, mas é o meu sonho.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

futebol Lda.

numa semana está o sporting na maior crise de sempre.
duas semanas e 6 golos no bucho depois, está o benfica praticamente a fechar portas ao futebol e a ter como modalidade única o pião, sendo outros os maiores do mundo.
isto do futebol tem muito que se lhe diga mas, pricipalmente, as pessoas não querem viver o jogo, mas sim o escândalo.
ontem fui à bola.
comigo e outros veio um amigo meu islandês.
no final, após muitos palavrões em português tentado ao árbitro, eu perguntei-lhe se tinha gostado do jogo.
ele respondeu:
- sim, claro! 4-0, foi um bom jogo. e estar aqui no meio (de uma claque sem nome) é diferente, para melhor.
a sua frase foi a prova de que não é preciso assistir a programas de televisão e alimentar crises para se gostar de futebol, seja aqui ou ali.
crise há com o aquecimento global...agora se foi pénalti ou não...

sábado, fevereiro 11, 2006

fim da 1ª volta

chegou ao fim a 1ª volta do campeonato académico 2005/2006 da vida do (grande) autor.
tendo apenas duas equipas a jogar esta liga [o (grande) autor e os exames ], até agora o resultado pende a favor do nosso mestre.
2-1 é o resultado provisório, sendo que faltam sair ainda 3 notas, para obtermos a classificação final desta 1ª volta (terminada agora em início de fevereiro).
com duas vitórias e uma derrota, o (grande) autor está confiante, acreditando num resultado positivo de, pelo menos, 4-2.
o ambiente no balneário está sereno e as tácticas de estudo utilizadas pelo nosso herói, embora muitas vezes não se coadunarem com as regras do jogo (cábulas), têm sido deveras eficazes.
os árbitros (vigilantes de prova) têm fechado os olhos a algumas grandes penalidades e até cartões vermelhos directos para a equipa de quem escreve.
a equipa dos exames clama por justiça académica e ameaça até, à semelhança do que um clube ali do campo grande fez há uns anos, declarar luto pela morte da verdade académica deste campeonato.
aguardemos então pelos resultados dos últimos 3 jogos para declararmos o vencedor desta 1ª volta.
e já se sabe...num jogo como este não há empates!
é copiar...aaah, desculpem....estudar ou chumbar.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

que saudades...

dos jogos de berlinde
dos roda-bota-fora
dos guarda-redes avançado
dos bate-pé
dos piões
dos meliantes à porta da escola à última hora quando já era de noite
dos "hoje na ginástica é futebol!!"
dos chochos
dos linguados
dos apalpões
dos rankings de "o mais-giro/a mais-gira da turma"
dos vir a pé para casa com os amigos
dos estudar de véspera para o teste e ter muito bom
dos trabalhos manuais em EVT
dos concursos de chuva de estrelas em educação musical
dos a ver quem chega mais depressa ao balneário
dos hoje é no ginásio, esqueci-me das sapatilhas

.......

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

impor-expor

já que é tanto o medo das lojas de chineses aqui no nosso jardim à beira-mar plantado, que me dizem de abrirmos uma cadeia de lojas de portugueses na china?
a cuca já foi para lá, infiltrar-se no meio, tirar umas medidas à coisa, pois eu e ela temos um esquema montado para invadirmos aquilo, em poucos meses.
vamos mandar à volta de 80 srs.manéis, cerca de 60 donas lucindas e 100 dos nossos melhores srs. zés, com capital suficiente para montar quase duas centenas de "é tud'a cem!", nomes das nossas lojas no estrangeiro.

nas nossas lojas vender-se-ão os seguintes produtos:
- escoadores para arroz
- carninha de pombo, importada directamente da praça do comércio e arredores
- rímel especial para olhos em bico
- preservativos de 8 centímetros
- coletes reflectores, para quando a moda pegar
- galos de barcelos, para centros de mesa
- canecas com o nuno gomes e o pedro barbosa
- garfos, facas, colheres e pratos rasos
- detergentes para limpar a gordura das paredes
- bonés, para eles começarem a aprender o conceito de "apanhar bonés"
- sanitas em forma de alvalade XXI

e aquele que pensamos ser o top de vendas:
- remendos para pneus de bicicleta!!

chiça, vamos tomar conta daquilo...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

o seu bilhete por favor

ontem vi no telejornal que um avião da tap teve de aterrar de emergência em paris, porque levava um passageiro a mais, que não constava na lista daqueles.
já estou a imaginar o pica do avião:

- boa tarde, o seu bilhete por favor.
- aaah...boa tarde, eu não tenho bilhete, eu sou amigo do santos.
- o santos? quem é o santos?
- é o piloto...ele disse-me que eu podia vir, que me dava uma boleiazinha, que ninguém ia reparar...
- pois, meu caro, mas se o senhor não viaja com um título de transporte devidamente obturado, não poderá prosseguir viagem.
- sim, compreendo, mas o santos disse...
- o santos aqui não manda nada! eu sou a autoridade neste veículo de transporte colectivo de passageiros! e você terá que abandonar o veículo.
- mas, mas...estamos a 32 mil pés de altitude...
- pois, vamos ter de encostar em paris e o senhor leva uma multinha, para não andar aqui a brincar aos cowboys, tá a compreender??
- aaah...sim...
- porque isto já o meu bisavô, que era fiscal no eléctrico em 73 dizia "esses meliantes, que vão agarrados lá atrás à pendura...era dar-lhes com um pau e ficar a vê-los a rebolar pela linha fora, para aprenderem...". e o senhor é como se viesse aqui à pendura!
- sim, mas o santos disse...
- o santos, o santos...o santos vai mas é encostar este bichinho ali no charles de gaulle e você vai a pé pra casa, meu amigo...

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

novo dito popular

há uns dias atrás, aquando de condução cabazmente conseguida, o (grande) autor viu atravessar-se na sua frente um rapaz, saltando de entre dois carros estacionados.
com destreza, mestria e uns travões abs, o (grande) autor evitou o pénalti cometido pelo carro sobre o miúdo, que daria expulsão certa.
aliviado, logo o (grande) autor se recordou do ditado popular acerca de quando uma bola atravessa a estrada, que versa assim:
"atrás de uma bola, vem sempre uma criança."
incorrendo talvez em alguma falta de gosto, logo o (grande) autor inventou outro dito popular:
"atrás de uma bola, vem sempre uma criança. e atrás dessa criança, vem sempre o bibi."
por isso, se algum dia se vos atravessar à frente do veículo uma bola, seguida de uma criança, esperem um pouco e, quando for o bibi a passar, entrem de carrinho e a pés juntos e vão tomar banho mais cedo...

domingo, fevereiro 05, 2006

erasmus

vocês já foram fazer erasmus?
sim? muito bem.
não? ponham-se a caminho.
porquê?
porque só aí poderão entender o significado de uma conversa entre um português, dois italianos, uma boliviana e uma japonesa, num carro português, perto da fronteira entre Espanha e França, acerca da quantidade de tabaco e álcool que poderá cruzar a fronteira sem cruzar a fronteira do consumo próprio para o tráfico...

como termina essa conversa?
num grande ponto de interrogação e tantas figas feitas quantas as permitidas pelos dedos que existem no nosso corpo...

vão fazer erasmus, caramba!!
co'a breca...

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

adlkpkwsp pepkk

tenho um exame amanhã à tarde e outro no sábado de manhã.

não tenho tempo para nada.
excepto para escrever estas belas linhas, em intervalo de fritanço cerebral.

se o meu cérebro frita, é porque não está habituado a trabalhar, devem estar alguns de vocês a pensar.

pois a esses digo:

QUEM DIZ É QUEM É, CALA A BOCA JACARÉ, CHEIRAS MAL DO CHULÉ, O TEU PAI BEBE CAFÉ E A TUA PILA NEM SE PÕE EM PÉ!

tenho dito.

("joãozito, já te tenho dito, que não é bonito andars-m'enganar...")

quarta-feira, fevereiro 01, 2006



sms

no período festivo mais recente (natal e fim-de-ano), os portugueses enviaram, num conjunto total das 3 redes mais utilizadas, a módica quantia de 543 milhões (quinhentos e quarenta e três milhões) de mensagens escritas.
tendo o facto em conta, passo a reproduzir um futuro diálogo entre mãe e filha via sms, já que assim é muito mais fácil.

(tit-tit)
filha, vem jantar que já está a comida na mesa.beijinhos,mãe.
(tit-tit)
ñ, ñ tenh fome.e ñ ass as msgs kja sei kes tu.
(tit-tit)
??? vem lá e despacha-te senão ficas de castigo.beijinhos.mãe.
(tit-tit)
cala-t bruxa, ñ mandas em mim!
(tit-tit)
não me falas assim minha filha, olha que chamo o teu pai.beijinhos.mãe.
(tit-tit)
ahahahah,iss dev ser p rir,ele aind manda - ktu. ess urso movid a viagra.
(tit-tit)
filhinha, vem lá comer e olha que não percebi a tua mensagem, já te disse que não deves escrever assim com abreviaturas que não se percebe nada.beijinhos.mãe.
(tit-tit)
ai é?tao ñ m xateies e vai tu cmer o nojo k fzste.
(tit-tit)
??? vem comer.beijinhos.mãe.
(tit-tit)
já tou em casa d maria, amanh cheg p peq-almoço, s calhar.
(tit-tit)
já está tudo frio, se não vieres vou dar a tua parte ao cão.beijinhos.mãe.
(tit-tit)
o cao vei cmg, otária!!
(tit-tit)
??? vá,vem lá.beijinhos.mãe.

terça-feira, janeiro 31, 2006

neve em lisboa

cai a neve em lisboa.
ai que lindo, é bonito, muitos lisboetas nunca tinham visto neve.
e no verão, tão bom, aquele quentinho, tudo na praia, papo pró ar, 40º à sombra, uma maravilha, "maria, tráz lá mais uma sand'atum e uma bjeca!!"...

bom bom era se nevasse mesmo na noite de natal...assim era mesmo como nos filmes, o pessoal à lareira, chocolate quente, prendinhas debaixo da árvore...

então e será que há 100 anos também nevava em lisboa no inverno e faziam 40º no verão?
esporadicamente sim...mas nos dias de hoje?
secas como quem muda de cuecas, frio como nunca aqui se viu?

ou isto é tudo produto da alteração climática, aquecimento global, destruição humana do planeta?

ah, pois, mas esse tipo de problemas não ganham audiências nem fazem circular 3 milhões (sim, 3 milhões!!!) de mensagens escritas entre télélés portugueses no dia em que a branquinha caiu...

enfim, tenho é pena dos nossos filhos, e do mundo que lhes vamos deixar...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

eu, eu mesmo e o meu exame


(as cábulas da minha colega)

hoje tive um exame que durou 3 horas e 10 minutos.
caraças...

durou mais:
- que dois jogos de futebol
- que 5 episódios do friends
- que o senhor dos anéis na versão mais curta
- que ir a carnaxide e voltar em hora de ponta
- que 99% das relações sexuais
- que a mais curta relação sexual tantra
- que as horas que dormi na noite passada
- que o tempo de antena dado aos palhaç...aaa...políticos
- que eu demorei a nascer
e...
- que o tempo total de estudo para o próprio exame...

será que vou passar?

sábado, janeiro 28, 2006

novo ditado

outro dia, aquando de umas cervejas em excesso ao jantar, mas não necessariamente por causa disso, o (grande) autor inventou um provérbio, adaptado de um famoso conto de fadas.
reza assim:

"não podemos ser cigarras, neste mundo de formigas"

sexta-feira, janeiro 27, 2006

o segundo caso da nova presidência

uma conhecida minha foi votar, deixando a filha no carro.
"lem lem lem, lem lem lem..."
lá foi cantarolando, qual capuchinho vermelho num mundo de lobos maus.
chegada ao cubículo de voto, deparou-se com um problema bicudo, irritou-se, votou e zarpou.
chegada ao carro, indignada, comentou com a filha que "era uma vergonha, não me deixaram votar em branco!!"
ao que a filha indaga o normal "porquê".
responde a senhora:
- só havia quadradinhos com candidatos, não havia nenhum para votar em branco!!

(isto aconteceu! aliás, que me caiam já os testículos, se não aconteceu!)

segunda-feira, janeiro 23, 2006

o primeiro caso da nova presidência


apanhado desprevenido pelos resultados que ditavam a sua vitória, o nosso presidente soltou um berrinho de emoção, fazendo uma estranha careta.
mais tarde, recorrendo às imagens virtuais, o (grande) autor constatou um facto, até ao momento desconhecido pelos portugueses:
o berrinho e a careta não foram provocados pela emoção, mas sim pelo facto de o senhor de óculos (em 2º plano na imagem) lhe ter dado um apalpão no rabiosque.

domingo, janeiro 22, 2006

iiiiihhhh...leições

em dia solarengo, os tugas puseram finalmente a praia de lado e foram até às escolas da zona marcar cruzes dentro de quadrados feitos em papel.
a tinta permanente alguns, com uma pena outros, todos tiveram o direito a dar a sua opinião.
o voto é secreto, por isso aqui digo que o meu voto permanecerá na urna que o albergou, tal como uma mãe acolhe seu filho nos braços.
eu, o pai da criança, tive alguma relutância em deixá-lo partir assim, de repente.
não estava preparado para o choque, devo confessá-lo.
porque o meu filho se foi juntar aos seus irmãos para, todos juntos, decidirem o futuro do nosso país à beira-mar refastelado.
ou seja, cavaco brotou dos nossos filhos.
assim sendo, cavaco é o nosso neto mais recente.
resta-nos saber se seremos os avós dedicados, que pagam guloseimas sem fim ao netinho, ignorando as vontades dos nossos filhos enclausurados em caixas, de que deixemos os dentes do seu rebento em paz.
ou será que cavaco será o neto mimado que fará birra se não o levarmos a andar no carrocel?
de qualquer das formas, sempre se disse que a família não se escolhe, calha-nos.
e cavaco é o novo corpo sentado à nossa mesa todos os dias.
veremos se come a sopa, a salada e a fruta, como um bom menino...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

meia bolha

um tio-avô de um amigo meu, beberola inveterado, mandou a sua mulher ao médico e com ela foi.
um leão nunca acompanha a sua leoa na caçada, mas para uma ida ao consultório, achou que era melhor ir mijando em tudo o que era poste de electricidade, para marcar bem o seu território.
o doutor atendeu-os e, após verificar o bom estado da senhora, mirou o tio-avô do meu coleguinha.
vendo-o com os olhos amarelados, advertiu sorrateiramente a senhora para o facto de o seu marido, possivelmente, estar quase quase quase a contrair uma cirrosezita.
chegados ao café, a sra.dona advertiu também o seu leão.
o leão rugiu então:
- o quê? ele é que vai ter uma cirrose, mas é nos co#*ões pá... oh zé, serve lá aí meia bolha fachavor!!

passados 2 meses o sr. continuou a beber, mas só água benta, deitado...

quinta-feira, janeiro 19, 2006

ah pois é...

certo dia solarengo, foi o (grande) autor enfiar-se num dos compartimentos mais fechados de sua casa, para peregrinação diária.
a coisa corria bem, a matéria fluia com abundância, com alguns intervalos para arejar o campo.
entretido numa leitura deveras interessante como é a revista maria, curioso pelas questões suscitadas na zona reservada a cartas dos leitores, deixou-se o (grande) autor levar pelo entusiasmo e prosseguiu a peregrinação como se para compostela se dirigisse.
terminada a etapa diária, lidos os problemas sexuais alheios, decide o (grande) autor fazer-se à estrada.
pronto para limpar o terreno, sacudir as botas e enfiá-las no saco para futuras caminhadas, depara-se com o facto interessante de que não existia nas proximidades, material digno de recolher a relva cortada.
vermelho até ao tutano e já com algumas irritações cutâneas, decide o (grande) autor, em detrimento da opção de saltitar até ao armazém dos corta-relva, gritar pela funcionária caseira de sua modesta casa, em jeito de socorro.
a senhora acedeu ao pedido e, muito corajosamente, devido à proximidade do lixo radioactivo, ou por ter colocado a velhinha mola no nariz, entregou ao necessitado o produto, tendo-o recebido este como se de cerveja se tratasse, em noite de jogo do glorioso.
agradecimentos feitos, afastada a senhora, pôde o (grande) autor proceder à limpeza do local e seguir o seu caminho.
depois de lavadas as mãos, está claro.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

global warNing

rimar não faz sentido, quem o faz está perdido e quem vos avisa é vosso amigo.
não percam tempo nessas andanças, façam outro tipo de poupanças, procurem outras armas, outras lanças.
quem rima é um ser demente, com as rimas não se anda para a frente, procurem outra solução, minha gente.
é um apelo que a todos faço, uma mensagem que a todos passo, fujam, que o tempo para o fazer é escasso.
caramba!! só agora reparei, que nas rimas me afundei, estou tramado...AQUI D' EL REI!!
ai, pobre de mim, que também eu fui agarrado, nesta teia das rimas estou enrolado, não tenho safa, estou condenado!
fujam vocês, caros leitores! fujam ao pior dos temores! continuem a saga e façam-se também (grandes) autores...

terça-feira, janeiro 17, 2006

batalha

há dias, houve uma batalha verbal num aeroporto europeu.
a voltar de uma bela cidade, vinha um casalinho amigo meu.
os dois aprochegam-se do check-in e procedem aos trâmites usuais:
- máximo 20kg de bagagem,
- não se pode fumar no avião,
- se este for a cair, gritar o máximo que se puder até perder os sentidos,
- o truca-truca terá de ser na casa-de-banho, com a tranca na porta e o sinal de "ocupado", para não assustar mentes que voam mais baixo que os 32mil pés de altitude.

até aí tudo bem.
eis-senão-quando-porém, a minha amiga enceta uma bela conversa com o o funcionário da companhia aérea, destacado para a função de "levado da breca":

- olhe, desculpe, nós não queremos estes lugares, não fomos nós que os marcámos.
- olhe, eu também não.
- aahh, pois então, queremos lugares à frente se faz favor.
- minha senhora, à frente vai o piloto. (!!!!!!)
- ah sim? então queremos lugares logo a seguir a esse senhor, o tal piloto.
- a seguir ao piloto é a 1ªclasse.
- então queremos lugares logo a seguir a essa senhora, a 1ªclasse.

o funcionário, mal-disposto por alguma mal-função anal, acedeu à derrota verbal e até admitiu ter tentado acertar alguns golpes abaixo da cintura.
a sorte do chico-esperto foi a de que a vencedora do diálogo estava de férias, bem-disposta e sem a mesma mal-função anal.
não fosse isso e, conhecendo-a como conheço, teria procedido aos trâmites usuais para apresentar queixa do funcionário-palhaço e até tinha perdido o avião só para se certificar que o batatinha assinava ali mesmo o formulário de despedimento com justa causa.

olé.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

cineminha

há uns dias fui ao cinema.
fui à sessão da meia-noite e, berdadeberdadinha, na sala só estava eu e quem comigo ia.
não divulgo a cadeia de cinemas, pois adoro ir ao cinema com pouca gente.
a coisa foi de tal ordem que os comentários foram feitos aos berros e as palavras sonavam no ar como se de bombas se tratassem.
ao fim e ao cabo, pareceu-me estar numa sala de estar gigante, com um ecrã gigante, tudo só para nós.
chato foi não poder ir ali só à cozinha buscar uns aperitivos e uma aguinha das pedras para empurrar...

domingo, janeiro 15, 2006

futebol s.a.

era uma vez um grupo de amigos.
o grupinho costuma jogar o desporto-rei (sem ser a procriação, que ainda não é desporto) aos sábados de manhã.
ora, quem é que se lembra de ir jogar à bola aos sábados de manhã??
é que se está mesmo a ver que ninguém irá aparecer.
zé e tozé, um dia, não podiam ir.
como boas pessoas que são, assim como líderes do grupo, enviaram outros dois em sua representação, amigos estes que não conheciam o resto dos jogadores.
chegádos ao campo à hora marcada, não habituados à não-comparecência da maltosa, esperaram um bom par de quartos de hora.
contando o que se passou aos dois amigos zé e tozé, despertaram nestes uma verdadeira furibundisse.
levados da breca, decidiram zé e tozé impor multas aos jogadores que se atrasassem ou não colocassem mesmo o seu real rabo no quadrado de campo.
na semana seguinte os incautos sujeitos a multas não voltaram a aparecer.
zé e tozé decidiram então formar uma sociedade recreativa.
mas uma cena mesmo a sério, do género de estar registada e com estatutos e actas e reuniões...tendo todos os supostos jogadores assinado a coisa e feito, como tal, um compromisso para com a sociedade.
ao serem perguntados na matéria de "porque raio formaram vocês, zé e tozé, uma merda duma sociedade recreativa??!?", estes contestaram:

- assim podemos processá-los...!!

(isto é verdade, ou incendeie-se já aqui o meu velhinho computador!)

quinta-feira, janeiro 12, 2006

"à noite" ou "ah, noite..."

de noite a vida é diferente.
eu, se pudesse, vivia só de noite.
de noite não há trânsito. de noite há silêncio na rua.

de noite podemos ter medo do escuro, é verdade.
porém, a noite encombre as nossas passadas, os nossos movimentos, as nossas atitudes.
se juntarmos à noite um pouco de álcool, ficamos totalmente camuflados, já que a maior desculpa para quando se mete a pata na poça à noite é a de que "já tinha bebido uns copos".
a noite fascina-me, é algo que existe desde sempre, que nunca poderemos mudar.
e a mim fascinam-me as coisas que os seres humanos não podem alterar.
eu gosto de estar num sítio que está como veio ao mundo.
claro que provavelmente nesse sítio a água para o banho matinal é fria, mas não importa.
a noite existe, não é para nos passar ao lado por estarmos a dormir, mas sim para a vivermos. por isso, adormeço a meio da noite e acordo a meio do dia.
para agradar a gregos e troianos.




esta seria a minha resposta à pergunta "Desenvolva o seguinte tema: a noite no século XXI" do exame da disciplina de Partes do Dia e do Quotidiano I

quarta-feira, janeiro 11, 2006

brisa do mar

nas traseiras do meu prédio há gaivotas.
eu não moro assim muito perto do mar, mas elas devem achar que por aqui se está bem.
eu gosto de estar ao pé da janela, a fingir que estudo e a ouvir o som que elas fazem.
faz-me lembrar a praia, o som das ondas a rebentar, o cheiro a maresia.
como lá fora faz um frio de rachar, cá dentro os aquecimentos estão todos ligados e um gajo quase que consegue andar de tronco nu, como na praia.
bem, tenho é de ter cuidado senão um dia destes dá-me o calor e ainda mando um mergulho pela janela fora para refrescar e bato com a cabeça numa rocha...5 andares mais abaixo.
não tinha piada nenhuma, até porque dentro de casa não ando nem com a bóia à volta da cintura, nem com o pára-quedas às costas.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

cuidado: FRÁGIL

morreu uma amiga minha.
uma amiga que não via com tanta frequência como algumas outras, mas uma grande amiga.
era da minha faculdade e era minha amiga, não conhecida nem colega.
por variadas vezes se provou ser minha amiga, como eu amigo dela.
ela ia para os E.U.A. na 4ª feira, durante o último semestre do curso, acabá-lo em grande.
era um génio.
muitas vezes brincava com ela e dizia-lhe que ia ser presidente da república mais tarde, que tinha de me manter amigo dela, que ia dar jeito.
e ríamos.
ontem sentiu-se mal e, a caminho do hospital, entrou em coma e daí passou para a outra margem.
a última vez que falei com ela foi na 6ª passada, antes de entrar para o meu exame.
ela estava no bar, também ia ter exame, mas daí a meia-hora.
a última coisa que lhe disse foi:
- então já nos vemos, para pormos a conversa em dia. boa sorte!
e virei costas.
voltei atrás meio segundo depois para lhe dizer "ainda bem que não agradeceste, porque agradecer a um desejo de boa sorte dá azar!!"
e rimos.
quando saí do exame, 3 horas de fritanço cerebral, a cabeça prestes a explodir, só via a minha cama à frente, não a procurei para pormos a conversa em dia.
e olha...agora nunca mais a vamos pôr...

beijinhos, marta!

domingo, janeiro 08, 2006

já agora

já leram o jornal hoje?

e ontem?
e amanhã?

sábado, janeiro 07, 2006

ciência e tecnologia

no aeroporto há uns pássaros especializados em afastar outros pássaros.
assim a modos que como os polícias das manifestações dos pássaros.
"tá a circular amigo, não há nada para ver aqui".
e porquê?
porque no chão, junto às pistas dos aeroportos, as minhocas e bichos semelhantes brotam da terra como a merda brota da boca do fernando rocha.
os aviões, ao aterrarem e levantarem voo, causam tal vibração no terreno, que as minhocas parecem estar sob o efeito de vodka-red bull e "amandam-se" cá pra fora como o liedson se "amanda" para o chão nas grandes áreas adversárias.
assim, há pássaros-bófia que afastam as gaivotas, pombos e todo o tipo de ave menor que se alimenta dos drogados invertebrados, para evitar que aqueles, numa descida de olhos postos na minhoca da pista 4 e já a salivar, não sejam sugados para um dos reactores de um 747, provocando um desastre aéreo como jamais visto, desde camarote.
(por exemplo: camarote presidencial)
resta saber se estes bófias alados aproveitam para ficar com os possíveis repastos alheios, aproveitando-se da condição de VIP no espaço do aeroporto.
eu cá aproveitava-me, mas não tenho asas.
nem como minhocas (ainda).

quarta-feira, janeiro 04, 2006

caramba

epá (ou calipo ou supermaxi), o (grande) autor não morreu!
facto é que se encontra em mais uma grande batalha desta guerra que é a dos exames em janeiro.

com a cabeça ainda a latejar de uma passagem de ano calminha, o (grande) autor debate-se agora com outra dor de cabeça que responde pelo nome de "exame de dia 6 - o 1º de seis".

parece um filme de bollywood, mas não, é a mais pura das realidades.
o protagonista é bonito, sim, ou não fosse interpretado pelo (grande) autor.

porém, a beldade da película não será uma scarlett johannson ou uma naomi watts, mas sim uma bela nota de 10 ou mais na pauta.
aguardemos então pelas sequelas, que serão 5.

muita sorte para o (grande) actor/autor que, se munido de verdadeiros talentos representativos como o grande stallone, safar-se-á com distinção...

quinta-feira, dezembro 29, 2005

newsflash

hoje à noite vi uma notícia no telejornal.
o título era:
"o governo espanhol vai acabar com uma das maiores tradições do país"

pensei:
"fixe, acabaram as touradas! vá lá, não são assim tão maus, os nossos irmãos..."

continuei a ver o desenvolvimento da notícia.
era:

"o governo espanhol vai emitir um decreto que porá fim à tradicional siesta"

a partir daí a minha casa passou a ter bolinha no canto superior direito, pois só asneiras me saíram pela boca...

terça-feira, dezembro 27, 2005

do (grande) autor

o cão do joão, um grande caozarrão, chama-se leão.
leão é nome de gato, mas o leão é pacato, é um verdadeiro amigão.
um dia foram à rua, já ia alta a lua, sem nuvens, sem problema.
de repente voa no ar, um aroma um paladar, algo que lhes criou um dilema.
era uma menina maria bem jeitosa, muito alta e formosa, digna de um poemazinho.

o joão olhou para o leão, o leão olhou para o joão, e o joão seguiu o seu caminho.
a menina maria reparou e logo os parou, indangando o porquê da fuga apressada.
o joão olhou para o leão, não respondeu à questão e retomou a caminhada.
"és uma maria vai com as outras, olha que como eu há poucas", ripostou a rapariga.

o joão admitiu o facto, mas confirmou o próprio acto e fez-se à própria vida.
"nunca saberá como seria", pensou para si a maria, afastando-se indignada.
triste passou o serão, pensando no menino joão e esperando a alvorada.
"porque me recusou o menino, se estava ali sozinho, não lhe custava nada tentar..."

o joão foi-se embora, desapareceu naquela hora, pensando em um dia talvez voltar.
agora a rapariga vai para um lado, coração algo apertado e sozinha para outra vida.
o rapaz vai com o leão, pensando na sua acção, e vendo a partida da rapariga...

hi tech!! hi, how are you?

somos acordados por despertadores.
aquecemos o leite do pequeno-almoço no microondas.
vamos para a rua de elevador.
apanhamos o autocarro, o metro ou o carro para ir trabalhar.
atendemos as chamadas no telemóvel.
trabalhamos em computadores.
bebemos café das máquinas.
pagamos o supermercado com o cartão multibanco.
vemos televisão a segurar no comando.
corremos para o telefone de casa.
falamos no messenger.
dormimos a ouvir música na aparelhagem.
sonhamos com o filme que vimos no cinema.

mas nunca havemos de "fazer o amor" com as tomadas!!

uff... (suspiro de alívio com pingo de suor frio a escorrer pelo meio das costas)

domingo, dezembro 25, 2005

no natal ninguém leva a mal

(se o melhor vinho e whisky é o mais antigo, então...)


diz o zézinho para o pai natal:

- pai natal, tu róis as unhas?

- ROU, ROU, ROU...

quinta-feira, dezembro 22, 2005

natal

o natal é quando um homem quiser
foi assim que aprendi
também, nunca tive natais perfeitos
pois nunca tive aquilo que pedi

a minha árvore era um ramo
a minha lareira um fogareiro
as minhas prendas o pão e água na mesa
mas num ano deram-me um mealheiro

"para guardares os teus trocados"
diziam a custo os meus pais
porém, nunca o enchi muito
pois havia coisas mais fulcrais

os medicamentos para a minha irmã
o álcool da minha mãe
os cigarros do meu pai
e para mim, nada...também

assim cresci sem natal feliz
e a ver as outras famílias a sorrir
por isso comigo o natal é quando um homem quiser
e quando a minha carteira o permitir

pensando bem e melhor
o natal existe é no nosso coração
natal não deve existir no nosso bolso
e deve ir desde o avô até ao cão

por isso hoje sorrio
e dou prendas aos meus filhos sempre que posso
porque natal é quando um homem quiser
e o natal cá em casa, é um natal só nosso...




este texto podia ter sido escrito por tanta gente...
e o vosso natal, como é?

quarta-feira, dezembro 21, 2005

a todos os bloguistas e afins

escrevo hoje para reportar que não irei organizar o tão famoso jantar dos bloguistas e que me demito da função de presidente da associação mais famosa do mundo.
a vida não corre de feição, as circunstâncias não são as melhores, como tal, nada mais posso fazer do que enfrentar os factos e sair de cena.
peço muitas desculpas, a todos os que sei que têm de as receber.
delego todas as minhas funções para o MPR, sendo a secretária-geral, eleita por mim mesmo e por unanimidade, a mary mary.
façam vocês o jantar e, parafraseando uma "line" que existe em todos os filmes de guerra do mundo:

"continuem vocês, que eu não consigo..."

assim, continuo a ser um simples bloguista [mas sempre um (grande) autor], trabalhando dia a dia, um pé à frente do outro, para satisfazer os olhos e opiniões alheias.

(we'll always have...the dog farm!)

terça-feira, dezembro 20, 2005

conto popular

diz a cigarra para a formiga, vendo-a encostada a um canto, pensativa:
- então formiga, não vais armazenar alimentos durante o verão para os teres no inverno e passares bem?

responde a formiga:
- não. ouvi agora no telejornal que vem aí uma tempestade tão grande no inverno que me vai estragar tudo o que armazenei. é a vida, são coisas da natureza, não as podemos evitar.
- então e quê? vais morrer de fome e frio no inverno?
- não sei, a ver vamos, como dizia o cego...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

suspiro

uma coisa é certa:
nunca ninguém está bem como está.
mas outra coisa também é certa:
quem nada tem, não se pode queixar, mas pela pior razão.

temos de dar valor ao que temos, aproveitar enquanto podemos e deixar o futuro vir ter connosco, em vez de irmos a correr ter com ele.

e afinal de contas, o mundo é minúsculo, se comparado com o universo.

mas verdade é também, que os nossos problemas serão sempre os maiores, quando inseridos dentro de uma coisinha pequenina como é o nosso corpo.
se compararmos o nosso corpo e os nossos problemas com a imensidão do universo e de tantos outros problemas, a moral sobe.

mas a tristeza ninguém no-la tira.

e pe-ron-to.

(quem não sabe rimar fala
quem não sabe nadar afoga-se
quem não sabe cozinhar compra congelados
e quem tem medo de voar...droga-se
ou então...aprende-se de tudo um pouco nesta vida
e consegue-se chegar a um ponto longe do de partida!)

sábado, dezembro 17, 2005

I wonder (olá stevie)

será que irem 5 pessoas no carro, mas estando uma delas grávida, dá direito a coima por violação do artigo do código da estrada que delimita um máximo de 5 pessoas por carro?
e se for um monovolume, mas forem 7 pessoas lá dentro, incluindo uma grávida?
e se for num táxi e forem 4 clientes (estando uma grávida) e o condutor?
e se forem 4 clientes, mas for a condutora a estar grávida?

ora qu'isto tá aqui um berbicacho...
são as chamadas..."contracções da vida".

sexta-feira, dezembro 16, 2005

dubiosidades

há palavras que, pela sua formação e significado, significam significados (passando o pleonasmo elevado ao cubo) distintos.
senão atentem:

"tufone"
- oh maria, passa-me aí o tufone que vou ligar pró zé a pedir mais cervejas.
ou
- bem, isto passou aqui um tufone que arrasou com isto tudo, caraças.

"ds'que"
- bem, diz que ele andava metido com a empregada do pingo doce e que foram apanhados no armazém dos enlatados.
ou
- Disque 123 para ouvir as suas mensagens.

"cardamaço"
- bem, esse livro é cá um cardamaço...
ou
- oh ruben andré, ata-me os cardamaços senão ainda tropeças!

"eclair"
- vê lá se me consegues soltar aqui o fech'eclair da braguilha que tenho de ir mijar.
ou
-hmm...depois desta bela refeição composta por feijoada à transmontana e 2L de vinho da casa, acho que remato com um eclair...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

brilhantismo

se não podemos ganhar o euromilhões, se não nos dão a chave do banco de Portugal, se não há a eureira (árvore do euro)...cheguei à conclusão de que deveríamos ter direito a todo o dinheiro de todas as multas às quais escapamos.
pensem comigo:
a sociedade seria muito mais dinâmica!
haveria um misto de adrenalina por incumprir a lei e perspectiva de ganhar algo com isso.
falo nomeada e unicamente nas contra-ordenações, nas infracções ao código da estrada.
só valia nesse campo.
(imaginem-se de novo no 6º ano: "só vale até à parede e há guarda-redes avançado!")
eu, por exemplo, tinha feito dinheiro suficiente hoje à tarde, em apenas 15minutos e 2km de estrada, para não ter de trabalhar o resto do mês!
eu tenho um sonho...o de ser remunerado por cada multa à qual escapo.
assim, a polícia seria mais eficaz e o automobilista, se um mariquinhas-pé-de-salsa, cumpriria.
se um verdadeiro rei da estrada, infrigiria e teria a possibilidade de embolsar (ou desembolsar) algum.
uma questão a pensar...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

ode (iabo)

no verão inflama-se o terreno
deste nosso Portugal
para no inverno as cheias
virem lavar o mesmo quintal

muitos dizem que fazem
outros muito que noticiam
mas que alguém tomasse mesmo medidas
era o que ainda outros queriam

os candidatos gladiam-se
mesmo debaixo dos nossos narizes
os jornalistas salivam-se
enquanto nós criamos raízes

ofuscados por luzes fortes
sem capacidade para protestar
lá vão os cordeirinhos
para o mato a pastar

venha a água venha o fogo
venham as relações internacionais
venham os casos de polícia
venham mais audiências e jornais

que o povo está cá para os receber
e nunca compreender o que andam a fazer de nós
e não ver o que vão fazer aos nossos netos
e esquecer o que fizeram aos nossos avós


terça-feira, dezembro 13, 2005

ele há dias

ele há dias em que não há vontade nem motivação para escrever.
nem aqui, nem onde quer que seja.
bem, se for para assinar o recibo do prémio máximo do euromilhões, talvez se pense no caso.
mas hoje, é um desses dias em que apenas o materialismo me abana.
talvez esteja gordo, talvez esteja com os pés enterrados até às canelas num bloco de cimento já seco.
enfim, não tenho vontade de escrever.
como tal, se vocês estiverem a ler algo nestas linhas, ui...é melhor darem um pulinho ao sr. doutor e dizerem "tguinta e tguês" de língua de fora.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

desata-me este nó

(esta é mais uma verídica)
o jovem mário, atrasado para o casamento e de braço ao peito, não tinha como fazer o nó da gravata.
chegado a casa dos amigos, depois de ter vindo a guiar, a fumar um cigarro e a falar ao telemóvel, tudo ao mesmo tempo, só com um braço, pensou estar nos braços alheios, a solução para o seu nó cego.
mas não, pois pobres colegas, atrasados também para o evento, não sabiam os próprios como descalçar essa bota.
o jovem mário volta então para a rua, esperando os amigos e buscando um par de mãos habilidosas.
corre para junto de um senhor e pede-lhe a gentileza, ostentando o braço engessado, de lhe fazer o nó da gravata.
ao que o transeunte responde:
- oh amigo, já não tenho mãozinhas para isso.
julgando o jovem mário que o senhor padecia de parkinson ou algo do género, sente o próprio queixo a roçar o chão quando repara que o senhor...
não tem um braço!!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

SLB

ontem fui lá. onde? lá.
e fui para o meio da claque do meu clube, os no name boys.
já algumas vezes tinha ido e, a meu ver, é ali que se sente bem o jogo.
atrás de uma baliza, é certo, mas ali vê-se mais do que o beto a marcar o 2-1, vê-se a alegria que não se vê noutros locais, embora possa estar presente.
onde mais poderei abraçar-me a quem me aparecer à frente, onde mais poderei gritar a plenos pulmões que "é falta chiça penico chapéu de côco!!", onde mais poderei saltar e bater palmas e cantar com mais milhares de gargantas?
e digo-vos, ontem parei para ouvir o uníssono e até smarrepiaram os pêlos da nuca.
pois é, há muitas ganzas ali e está quase tudo sempre com um grãozinho na asa.
mas quantos pais de família não estão iguais, mas no sofá de casa, enquanto a maria vai buscar a cerveja e prepara a sand'coirato?
quantos de vós não berram sozinhos no carro com a pobre estereofonia?
quantos de vós nunca desejou atirar o telemóvel à televisão, tal o calhau que tinham na asa?
pois é, meus caros, ali, apenas se verbalizam e exteriorizam todos os sentimentos, maus ou bons. e ali não se assobiam os jogadores da própria equipa por ninharias, como nos lugares mais caros do estádio.
ali grita-se e perde-se a voz por causa de uma coisa que não está ligada à pessoa, mas a que a pessoa está ligada.
e quando o luisão, o anderson e o koeman vêm dizer que adoraram o apoio dos adeptos e que foi fundamental, ninguém se lembra que os cânticos de "slb, slb, slb, glorioso slb" começam nos tristes que só sabem é arranjar confusão e drogar-se, esses vândalos.
claro que também os há, mas nunca vi uma bolacha ou duas fazerem um bolo inteiro.
vão para o meio de uma claque e percebam do que falo.
eu já fui, por isso já posso falar.

ps - granda benfica...e como ontem ouvi, num berro atrás de mim:
"vamos cantar juntos, até à vitória!!"

quarta-feira, dezembro 07, 2005

muito riso, pouco siso

há uns anos fui ao dentista.
só agora conto isto, porque só ontem, enquanto estava na casa-de-banho a ler o 24horas, me apercebi de que já me passou o trauma.
(ah, e já fui ao dentista depois disso.depois do trauma, não depois da casa-de-banho).
bem, às 14h30 de um dia qualquer arranquei os dois dentes do siso, do lado direito.
estava de saída do consultório, já me estavam a começar a doer as moelas.
a anestesia parecia o ben johnson, tal a velocidade a que passou pela minha boca e se marchou.
em casa, depois de alguns analgésicos, continuavam as dores. a dada altura aquilo voltou a sangrar.
os pontos dados na minha bocarra tinham aberto.
boa.
o médico tinha dito que, se tal sucedesse, eu deveria engolir o sangue, em vez de o cuspir, porque o movimento de cuspir ajudava a abrir mais as feridas.
às 03h da madrugada entro em santa maria, zona de urgências, ligeiramente mal-disposto e com a boca patrocinada pela ferrari e pelo GLORIOSO.
entro na sala de espera, com a maior das convicções de que me encontrava bem mal.
nisto, chega uma senhora, vítima de acidente de viação, com uma fractura exposta na perna direita.
aí, pensei em sair de fininho e parar com as mariquices.
a senhora aguarda, como todos nós, porque as filas existem para alguma coisa.(coitada)
a senhora, a dada altura, começa a berrar como dali para o saldanha.
tinha uma câibra na perna esquerda.
os paramédicos vão lá, esticam a perna, normal.
passados outros 10min, a sirene ouve-se de novo.
agora era uma câibra, mas na perna direita.
como se estica uma perna com fractura exposta?
pois, compram-se uns tampões para os ouvidos.
com este cenário, já eu estava ainda mais mal-disposto.
cand bai peu seratendido, sinto-me como às 8h da manhã depois de 7 gin tónicos no lux...
"não tem aí um saquinho de plástico?" digo para a enfermeira.
a senhora entrega-me um daqueles sacos de 30 litros, transparente!!
eu começo a vomitar, mas nada mais nada menos do que todo o sangue engolido desde as 16h da tarde...
caso para dizer que a senhora da fractura exposta, ao ver o cenário, levantou-se e foi-se embora ao pé-cochicho e a chamar pela mãe.
fui então ser atendido.
chorei de dor (e já era um homenzinho, hein!!), mas as compressas na minha boca estancaram-me a hemorragia, não me deixavam gritar e quase não me deixavam respirar (ainda bem que tinha o nariz desentupido).
a última coisa de que me lembro foi a de levar uma injecção para as dores na minha firme nádega (dada por um enfermeiro preto), apertar as calças e começar a ver cavalinhos brancos a voar na minha direcção.
quando acordei, de manhã, só me doía a boca, não o rabo, por isso acho que correu tudo bem.
hoje em dia ando a ganhar coragem para arrancar os outros dois...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

easy jet

numa altura em que muitos dos bloguistas comentam os debates e feitos pré-presidenciais, o (grande) autor passa aqui a comentar um outro debate, desta feita entre o próprio e a impressora do seu local de trabalho em part-time.
longe dos assentos almofadados e dos copos de água servidos pelas estações de televisão, enfiado num ambiente propício à criação de bactérias e germes, tal é o calor que paira no ar, o (grande) autor, de ora em diante "je", atravessou uma crise tecnológica digna de proporções catastróficas.
incumbido de tarefa menor, muito desaproveitadas as suas capacidades em qualquer área, "je" tinha de imprimir uma simples carta, previamente redigida, brilhantemente, se mo permitem, pelo mesmo.
a tarefa de escrita foi passada com distinção, a de formatação de texto, com louvor, mas foi na parte de impressão que "je", dependente de trabalho alheio (leia-se, da pu#a da impressora) se viu colocado em situação semelhante à de guarda-redes do marítimo frente a mantorras, ou seja, atascado.
dada a ordem de impressão, refastelado e deveras orgulhoso do seu trabalho, "je" inclinou-se na cadeira de pau para logo em seguida saltar dela.
as costas da sujeita estavam soltas e "je" ia caindo para trás.
enquanto colocava as traseiras do assento da morte no sítio, começou a ouvir um estranho gargarejar vindo da impressora (de ora em diante "PDI - PU#A DA IMPRESSORA").
convencido de que um mero encravar de folhas se tratava, "je" abriu a PDI, buscando a causadora de tal ruído.
é aí que, justamente quando "je" coloca a linha de visão em alinhamento com a ranhura de saída do papel, a PDI começa a despejar folhas para o seu exterior, qual galinha dos ovos de ouro com excesso de carga e à pressão.
imprime folhas atrás de folhas, com caracteres nunca antes vislumbrados por "je", levando-o a pensar que seriam insultos destinados à sua tão digna pessoa.
o nosso herói vê-se assim obrigado a desligar a PDI e tentar novamente, depois de contar até 100, respirar fundo e apanhar as 34 folhas do chão.
nova tentativa então.
a PDI começa a imprimir normalmente, "je" suspira de alívio e dirige-se com a mais recente impressão ao gabinete do seu patrão quando, nas suas costas, se começa a ouvir a galinha a ter outro ataque de diarreia de papel.
"je" corre e aplica um golpe visto demasiadas vezes no wrestling, deixando a PDI absolutamente KO e desprovida de luz ou som.
rindo ainda de satisfação, olhando para o adversário derrotado, pontapeando ainda o cadáver cinzento, "je" é porém surpreendido pelo patrão, que indaga (convenhamos que com alguma razão) o porquê de estar uma parte da impressora no chão, folhas por todo o lado e o cotovelo de "je" a sangrar...
como a PDI se remeteu ao silêncio, quem sabe se para sempre, terá "je" de contar com o primeiro ordenado para pagar as despesas de hospital da PDI ou arranjar uma nova dor de cabeça que cumpra a função da quase-defunta.

sapiência

do (grande) autor esta ausência
que na comunidade blog causou turbulência
foi considerada até uma indecência
por causar na própria obra má aparência
e denotar até algo de imprudência

mas não entrais vós em demência
pois está de volta a hortênsia
bem mais regada e sem qualquer renitência
para colmatar essa vossa carência
e parar com a maledicência

queira por favor vossa excelência
não considerar este escrito impertinência
apenas transmito que não foi decretada falência
e que com toda a minha ciência
volto para deixar reminiscência

o (grande) autor
(em lisboa, não em valencia)
 
origem