quarta-feira, setembro 13, 2006

análise de poema

tal como se analisam os poemas de Pessoa no secundário, pensa o (grande) autor ser de extrema urgência a análise de canções infantis cantadas por esses recreios fora.
assim:

sete e sete são catorze
com mais sete vinte e um
tenho sete namorados
mas não gosto de nenhum

ora, começando pelo primeiro verso:
sete e sete são catorze, denota uma forte capacidade das crianças para a matemática.
está arruinado o mito de que os portugueses não têm jeito para a matemática.
escusam os jovens de, a partir de agora, ir para letras "para fugir à matemática".

segundo verso:
com mais sete vinte e um, confirma a tendência patente no verso anterior.

terceiro verso:
tenho sete namorados, denota uma grande promiscuidade não revelada pela juventude.
enquanto se pensa que as criancinhas estão a jogar ao berlinde ou a saltar à corda, eis que, subliminarmente, se afirma numa canção a predisposição para o namoro.
salienta-se aqui também o sentimento de partilha entre o género masculino, que não se importa de compartilhar a namorada, tal como empresta as canetas de feltro.

quarto verso, finalizando:
mas não gosto de nenhum.
aqui é utilizada uma metáfora, fortíssima.
dado que a moçoila tem sete namorados mas não gosta de nenhum, é claro como água engarrafada que a catraia está apaixonada pelo figo, o ex-jogador com o nº 7 da selecção portuguesa de futebol.
ou então, que é lesbiana.

sexta-feira, setembro 08, 2006

uma análise brilhante

há uns dias, estava o (grande) autor nas suas lides nocturnas numa tasca da nossa Lisboa, quando, em conversa inevitável com um nativo sobre o recente caso "mateus", este mesmo espécime bolsou a mais simples e completa análise ao caso.
passo a citar:

" (...) eu não sou leigo nestes assuntos, mas o problema é que o major (valentim loureiro) fez tudo nos conformes!! aí é que está a porra!! "

tá feito...foi o mordomo!

quinta-feira, setembro 07, 2006

73 virgens

o pessoal já sabe que morrer em nome de alá dá direito a 73 virgens no além.
o além não é um bar no cais do sodré, mas sim o sítio para onde um gajo vai parar depois de morrer em nome de ála, vulgo, "paraíso".
entonces, morrer em nome de alá é sinónimo de "desflorar-73-virgens-novinhas-em-folha-lá-no-paraíso".
porra.
como diz um amigo meu, então um tipo esfola-se a trabalhar cá na terra, um gajo mata-se lá nas obras e depois de morrer em nome divino ainda tem de ir desmamar meninas?
quer dizer, o pessoal cá em baixo desgrunha-se em trabalhos pesados, come mal o mês inteiro, poupa para ir à bola aos fins-de-semana e ainda tem de, depois de batida a bota em nome do senhor, ir ensinar virgens a brincar aos médicos??
pelamordedeus...
isso das virgens não interessa a ninguém!
o que interessa hoje em dia, é morrer em nome do senhor, mas chegar ao paraíso e ter 73 pamelas anderson, que sabem o que fazem!
73 porno-stars, habituadas às lides sexuais e que não precisam de indicações!
agora um gajo sacrificar-se, mas chegar ao paraíso e ter de dar uma de professor pardal no jardim de infância da casa pia?
poupem-me à crise...

segunda-feira, setembro 04, 2006

top ten dos mais odiados

aqui fica um top ten [elaborado pelo (grande) autor ], das pessoas mais odiadas pela maioria dos portugueses, na actualidade:

10º - josé castelo-branco (porque sim)

- osama bin laden (porque fica bem ser anti-terrorista)

- abel xavier (pela mão no jogo contra a frança)

- george w. bush (porque é mesmo estúpido)

- zidane (pelos dois penaltis concretizados)

- durão barroso (por ter fugido para bruxelas, para comer couves dum tacho)

- herman josé (por nos ter dado "o tal canal" e o "hermanias" e agora nos dar a merda do "herman sic")

- o "espanhol" (porque quase todos os tugas odeiam os espanhóis)

- pauleta (por ser o maior falhado da história do ataque futebolístico nacional)

- antónio fiúza - presidente do gil vicente (vejam uma conferência de imprensa dada pelo senhor e percebam porquê)

quinta-feira, agosto 31, 2006

expliquem-me uma coisinha

o (grande) autor tem uma dúvida.
todos as temos, de quando em quando, e há umas mais pertinentes que outras.
começando, o (grande) gajo-que-escreve-isto adora ver o telejornal das 13h.
por vezes até se senta uns minutos antes do início da cena, para não perder pitada e fazer a contagem descrescente para as 13h, juntamente com os relógios da tv, aos berros e despido de roupas e pudores.
acontece que, há uns dias, entusiasmado com a chegada do telejornal, o nosso herói resolveu ver o final do programa da sic que antecede o noticiário.
que erro, minhas caras pessoas-que-estão-a-ler-isto.
tentem juntar na mesma sala psicológica o joão malheiro (sim, aquele senhor do benfica, com a voz de bagaço estragado), a maya (a astróloga privada da lili caneças, que a deixa aparecer nos meandros do jet 7), o josé figueiras (iolaré, iolaré, ih uh!) e o cláudio ramos (o zézé camarinha que joga na outra equipa).
já conseguiram?
tragam agora um saquinho de plástico para o caso da indisposição não passar ao longo do dia.
pois é senhoras e senhores, estas quatro personalidades importantíssimas do nosso Portugal, juntam-se todas as manhãs para comentar....
a fome no mundo?
o conflito israelo-árabe?
os problemas na amadora?
a falta de água no planeta e o aquecimento global?
não.
estão parvos?
eles comentam...as revistas cor-de-rosa.
que por sua vez comentam a vida de pessoas também muito importantes do nosso Portugal.
concluindo, estas quatro...aaah...digamos...figuras...comentam matéria já comentada.
e aqui reside a dúvida do (grande) autor:
este grupo, come os restos dos pratos dos outros?
ou mastiga a comida já mastigada?

quarta-feira, agosto 30, 2006

o pudim d´avó

nos dias que correm, todos temos avós e avôs.
quer dizer, alguns avôs e avós já morreram, mas todos os tivemos, como um casal.
a ideia que temos, é a de que os avós vêm sempre aos pares.

outra coisa.
tenho um primo que, quando era mais jovem, dizia que queria que os pais se separassem para poder receber duas mesadas.
uma dada pela mãe, a outra pelo pai.
há ainda os casos em que os avós também dão uma mesada.
aí, o meu primo teria três mesadas.

hoje em dia, 90% das pessoas que conheço têm os pais separados.
é o meu caso.
ou seja, quando os meus filhos nascerem terão, se tudo correr bem, quatro avós.
o avô e a avódrasta.
e a avó e o avôdrasta.
[será que estas palavras existem? se não existirem quero direitos de (grande) autor!]

já pensaram bem nisto?
podemos ter o nosso filho a dizer que almoça com o avô e janta com a avó.
que estranho, não é?
ter os pais separados já é algo normalíssimo.
agora...ter os avós separados?
será que haverá miúdos com quatro mesadas?
não se me entra na cabeça, tanta separação...e tanta mesada!

terça-feira, agosto 29, 2006

legendas on/off - parte II

aqui fica uma piquêna curiosidade, no seguimento do tema abordado anteriormente sobre legendagem vs dobragem.
em itália, e digo isto de fonte fidedigna (conterrâneos do materazzi), existia um único actor que dobrava o al pacino, o robert de niro e o stallone.
isto é verdade.
chamemos ao "dobrador"... zeca.
o zeca, deveras famoso (um verdadeiro breyner italiano), dobrava os três actores mencionados.
tinha um tom de voz diferente para cada um e nunca se enganava.
em filmes como o "heat - cidade sobre pressão", não se percebia que era o zeca a dobrar tanto o al como o robby.
assim, toda uma população, a partir de uma dada geração, reconhecia a voz do al, do robinho ou do silvestre, vindas estas, porém, de um só mesmo conjunto de cordas vocais.
agora, passada a incredibilidade da cena, vem a parte gira da história.
o zeca morreu há dois anos.
na altura, a grande preocupação dos meus amigos era a de como seria possível ver um filme com qualquer um daqueles três actores, sem a voz que o zeca fazia para cada um??
mas seguramente já existirá um cajó ou um tó mário a dobrá-los outra vez.
o que é muito mais simples do que uma piquêna legendagem, não é?

domingo, agosto 27, 2006

legendas on/off

tem o (grande) autor agora em sua casa a colecção em dvd da série "friends".
puro prazer televisivo.
porém, lembram-se de quando o "friends" estava incluído na programação da rtp1, aos sábados à tarde?
provavelmente não, visto que durou pouco, pois a série estava...
dobrada para português!!
sim, as vozes eram de portugueses, mas saíam das bocas dos americanos!
um fenómeno nunca visto no nosso Portugal.
inédito e único nas sitcoms estrangeiras, desde então até hoje, felizmente.
a moda não pegou, por favor mantenha-se assim!!

agora, um facto interessante, constatado pelo (grande) autor no ano em que esteve em erasmus, é o de que nem franceses nem italianos nem espanhóis falam bem inglês.
digo-o de uma forma geral, confirmado pelos próprios nacionais dos países mencionados.
e que interessa isso, perguntam bocemessês?
interessa que, nestes três países, há a tradição de dobrar para a sua própria língua qualquer anúncio, filme, série ou filme porno que lhes apareça diante da olharia.

ora, a juventude italiana, francesa e espanhola, em vez de consumir o charles bronson ou o stallone no seu perfeito americano, consomem-no na língua materna, não havendo a aprendizagem que a maioria da juventude portuguesa teve com os stevens seagals e afins.

eles não se importam, aliás, detestam que os filmes sejam legendados em vez de dobrados e dizem que nem conseguem ver as imagens e ler as legendas ao mesmo tempo, que é horrível e não sabem como é que em Portugal ainda se faz assim, como se de um terceiro mundo se tratasse.

concluindo, em Portugal há muita coisa feita "terceiro-mundo-style", porém, esta história das legendas é uma medida bem avançada, cá para mim.
o (grande) autor, bem como 98% dos seus amigos, aprenderam e melhoraram em muito o seu inglês/americano desde miúdos, com mcgyvers, Kits, marés vivas e filmalhada da boa.
tudo legendadinho, claro.

sábado, agosto 26, 2006

os meus óculos de sol

não gosto de falar com as pessoas na rua.
quer dizer, não gosto de falar com as pessoas na rua, quando estas não tiram os óculos de sol.
de resto, sou um bicho social, como os outros, com a agravante (grande) autor.
mas quando o meu parceiro de blábláblá não tira os óculos de sol, um gajo não sabe para onde olhar.
se olhamos para os óculos, vemos a nossa própria figura, mas em versão darth vader.
se olhamos para o nariz, começamos a distrair-nos com os pontos negros, as cicatrizes, os macaquinhos ou a forma do cheirador, esculpida por um (pequeno) autor.
se olhamos para as bochechas, temos borbulhas, pêlos, mais pontos negros, mais imperfeições para nos desviar do objectivo parlatório, já para não mencionar o facto de levarmos o amigo pedro-abrunhosa-waNNabe a pensar para onde raio estaríamos nós a olhar e o porquê da nossa estranha expressão facial.
assim, o (grande) autor opta por olhar mesmo para a "entre-vista".
para a parte dos óculos que não reflecte, que encaixa na parte de cima do nariz.
é uma zona neutra, faz parecer à outra parte que a olhamos nos olhos, quando só lhe queríamos arrancar a capa da cara.
de resto, sou um bicho social, como os outros, com a agravante de (grande) autor.

quinta-feira, agosto 17, 2006

tenho uma dúvida

se "quem espera sempre alcança", mas "quem espera desespera"...

devemos esperar para alcançar?
ou ir embora, para não desesperar?

esta vida é um pau de dois bicos.

quarta-feira, agosto 16, 2006

quem nos lê, nosso amigo é?

este é um post dedicado a todas as pessoas que não conheço, ou que conheço mal, mas que sei que lêem (de quando em quando, pelo menos) esta tão opinosa página.
por vezes sucede a seguinte situação:
está o (grande) autor a meter o dedo no nariz, concentrado na perspectiva de encontrar petróleo no fundo das fossas nasais, para poder andar de automóvel, quando se aprochega uma amiga ou amigo e lhe diz uma frase daquelas que serve de gasolina para o automóvel da escrita continuar a funcionar.
há gente que me vem dizer que o primo da amiga lê o meu blog.
que o papagaio do carteiro do cunhado aprendeu a ler através do blog.
que o sr. zé da mercearia baixou os preços num dia em que estava bem-disposto por ler este mesmo blog, que lhe foi recomendado pela sobrinha, que tem uma amiga que costuma lê-lo.
enfim, todo este palavreado para agradecer a todos os que aqui continuam a vir, sendo que dá gosto (gostinho a morango) saber que muitas pessoas nem me conhecem e o fazem livremente, sem a coação moral do (grande) autor.
a todos, um bem haja.
(e com esta última frase acabei inexplicavelmente de envelhecer 42 anos...)

terça-feira, agosto 08, 2006

água

caramba, tenho sede!
tenho sede, bebo água.
bebo água, mas água potável.
potável, não água salgada.
água salgada há no mar.
o mar está junto à praia.
na praia faz calor.
faz calor, eu tenho calor.
tenho calor, bebo água.
bebo água, porque tenho sede.
caramba, tenho sede!!

terça-feira, agosto 01, 2006

a bébé faz cócó

outro dia estive a assistir (friso, a assistir, não a participar) na mudança de fralda da minha prima mais nova, de oito mesinhos.
a rapariga é a coisa mais fofa do mundo, não desfazendo as outras coisas fofas assim-assim.
mas como é que é possível uma criatura tão pequenina, tão inocente, entrar em guerra com o ar da sala em que se encontra, como se de um conflito israelo-árabe se tratasse??
a coisa começa com umas contracções, uns sinais de esforço, que culminam (sempre, mas sempre) na seguinte frase, dita por um dos progenitores:
"ai tão linda, tá a fazer um cocozinho."
ao empregar um diminutivo do acto, o progenitor está, obviamente, a tentar manter a audiência na sala, evitando a percepção alheia do próximo confronto com a hedionda e castanha realidade.
dizem os psicólogos infantis que não se deve fazer uma expressão de nojo, ao mudar a fralda e olhar para uma coisa, de facto, algo nojenta.
diz-se que os bébés, ao notarem que os pais não apreciam a obra de arte que acabaram de largar na fraldinha, se contraem, ficam inibidos cagatoriamente e não lhes faz bem ao sistema intestinal.
acredito.
assim, o cenário que se apresenta é um pai a mudar uma fralda, a respirar apenas pela boca e a sorrir mais amareladamente que o chichi da filhota, em gritos de "ai que cócó tão lindo!! quem é que faz cócós lindos, quem é?", enquanto os restantes abandonam a sala agarrados às camisolas que lhes filtram o ar poluído.

segunda-feira, julho 31, 2006

as férias

as férias, o sol, a praia, o campo, os amigos, as noites, as manhãs a dormir, as tardes a espreguiçar...
enfim, tudo isto para dizer que o (grande) autor anda um (grande) desleixado em termos bloguistas, mas que a coisa voltará com toda a sua regularidade e frontalidade por volta de finais de agostinho.
(e em jeito de despedida, como fazia a rita seguro no portugal radical há 89 anos)

"até lá...MMUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUÁÁÁÁÁÁÁ..."

quinta-feira, julho 20, 2006

no tribunal

outro dia fui assistir a uns julgamentos, em virtude de um trabalho que tinha de escrever sobre os mesmos.
a juíza (uma senhora juíza) fazia umas perguntas ao arguido, acusado de ter uma máquina de jogo ilegal no seu café.

- então mas o senhor é funcionário do café ou é dono?

- shôdôtôra, eu sou funcionário, a minha mulher é que é a dona, a gerente, pronts.

- então e o senhor deixou que lá pusessem a máquina?

- eu sim, eu não sabia que era ilegal...

- então mas o senhor não teve de pedir autorização à sua mulher para lá porem a máquina, visto que é ela a gerente?

- oh shôdôtôra...a minha mulher pode ser gerente...mas eu sou marido.

a juíza fez uma cara tal, que eu levantei-me e fui-me embora.
não valia a pena ficar até ao fim... a sentença foi dada com aquele olhar.

domingo, julho 16, 2006

às vezes tudo é nada

"posso ter todas as mulheres que quiser... menos aquela que quero."

quinta-feira, julho 13, 2006

o teste

ela tinha o teste na mão.
era o teste mais importante da minha vida.
tinha-me preparado tão bem para aquilo!!
horas e horas de prática!
e ela com o teste na mão, sem me dizer o resultado.
ela calada, olhava para mim, eu a levitar de ansiedade.
então ela arregala os olhos, sorri com a boca cheia de alegria e diz:

- TIVESTE NEGATIVA!! AHAHAHAHAHAH...

e eu a rir-me, histérico.
abraçámo-nos e saltámos em conjunto de satisfação.
nunca uma negativa me soube tão bem!

caraças, é que sou demasiado novo para ser pai...

terça-feira, julho 11, 2006

casino

ontem fui pela 1ª vez ao casino.
aquele do santana lopes.
saí de lá exactamente com a mesma quantia com que entrei.
já lá foram?
é negativamente impressionante, pelo menos de noite.
a quantidade de gente que lá deve deixar a casa, a mulher, os filhos e o hamster do miúdo mais novo.
ao meu lado estava uma velhota que insistia em falar com a máquina, enquanto a alimentava com notas de 20€.
umas vezes enaltecia-a, outras vezes chamava-lhe nomes que eu pensava não poderem sair da boca de senhoras com mais de 60 anos.
do meu outro lado estava um casal novo que não falava, apenas fumava e carregava, à vez, nos botões.
também estes insistiam em alimentar a máquina, mas com notas de 10€.
eu estive a ganhar 25€, mas como um gajo não vai ao casino todos os dias, toca de arriscar mais um pouco.
e toca de perder o que já tinha ganho.
deve ser estupidez de principiante, não sair enquanto se está a ganhar.
ou estupidez, apenas.
na zona da roleta e banca francesa, havia gente que jogava aos 500€ de uma vez só.
gente com maços de notas mais gordos que maços de tabaco.
um cheiro a vício, suor e unhas roídas.
ali ninguém se diverte, ali joga-se.
e não há prémios de fair-play nem bons perdedores.
é o verdadeiro "perde-paga".
até arrepia...

segunda-feira, julho 10, 2006

11 + 11 = 10 milhões

acabou o mundial
e quem venceu não foi Portugal
mas não faz mal, porque afinal
agora outras notícias abrirão o telejornal

acabaram-se os treinos em évora
os directos do hotel da selecção
o cócó que o pauleta fez de manhã
e os cereais que o comeu ao lanche o simão

um mundo novo se descobre
passada a névoa deste mês
outros destaques se farão
para além dos pénaltis defendidos, que foram três

eu adoro futebol
e adoro a selecção
adoro ainda mais o meu Benfica
mas também tenho alguma noção

temos de começar a acordar
e a dar importância a mais temas
pois, assim como qualquer desculpa me serve para não estudar
Portugal, a qualquer pretexto, afunda os seus problemas

estes ficam mal enterrados
com a maré cheia ficam escondidos
mas com a maré vazia se descobrem
e nos fazem ver como estamos fo#*dos

quinta-feira, julho 06, 2006

ele há coisas...

há coisas que não se entendem.
não se nos entram na cabeça, não percebemos.
tais como:

1- porque é que o pauleta joga sempre, apesar de parecer que joga na outra equipa?

2- porque é que ontem as repetições das decisões do árbitro contra nós nunca foram mostradas, mas as contra a frança foram, e 3 vezes?

3- porque é que o ANORMAL do comentador da SIC, a 10 minutos do final do jogo, começou a dizer que no sábado havia o jogo Portugal-Alemanha, para os 3º e 4º lugar?

4- porque é que os portugueses se contentam sempre com pouco e houve pessoal que foi para o marquês festejar um possível 3º lugar?

5- porque é que 90% dos jogadores franceses são de origem argelina, africana ou da europa de leste?

6- porque é que os franceses, sendo o povo mais xenófobo e racista do mundo, festejam as vitórias da sua selecção, composta maioritariamente por estrangeiros?


em cada janela uma bandeira
no relvado uma nação inteira
com o pauleta a jogar, e desta maneira
ganhar o mundial? que grande bebedeira...

segunda-feira, julho 03, 2006

PU-TU-GAU AUÉÉÉÉ

Portugal está nas meias-finais.
o (grande) autor e a sua cambada participaram nos festejos, como todos.
da casa de um nas avenidas novas até ao rato, para jantar em casa de outra, todo o percurso foi feito a pé, debaixo das buzinas.
com uma bola nos pés, a cambada foi dando espectáculo.
cruzamentos por cima dos cruzamentos, remates nas passadeiras, os semáforos a fazerem de postes.
as outras pessoas os adversários, lançamentos de linha lateral do meio da estrada, o árbitro de férias e muito fair-play.
a festa durou até às tantas, o normal.
o (grande) autor, como tantos outros, não precisa de muitos pretextos para sair para a rua e divertir-se.
porém, a ideia com que o nosso herói ficou é a de que todos os problemas de Portugal tinham acabado com o pénalti do cristiano ronaldo.
muita daquela gente que ali estava parecia acreditar que o défice se tranformara em lucro.
que a educação, a corrupção e as mortes na estrada eram ficção.
que o desemprego, os tachos e as estradas esburacadas se passaram para Inglaterra.
pensa o autor que os portugueses ainda tapam muito o sol com a peneira.
porque no domingo, campeões do mundo ou não, acaba a futebolada e os problemas nacionais voltam das férias do mundial.
enfim...
na quarta venha a França.
para irmos para o marquês...outra vez.

quinta-feira, junho 29, 2006

este luís afonso é um génio




ps - quando em erasmus e com pouco tempo para navegar e saber das notícias do meu País e do meu Benfica, eram os cartoons deste homem que eu lia.
em 2 segundinhos e duas porradas no rato, n'a bola e no público.
bastava, para enganar a fome.

quarta-feira, junho 28, 2006

comunicado

dado que o (grande) autor teve hoje um exame às 9h30 da matina, tem outro amanhã à mesma hora e outro no dia seguinte no mesmo horário, pode ser que este blog nunca mais tenha actividade.
ou seja, pode ser o cérebro do (grande) autor deixe de funcionar.
para grande pena do mundo e universo e infinito e mais além, está claro.

terça-feira, junho 27, 2006

ser mãe

ser mãe é mais do que uma questão de paternidade.
ser mãe é uma profissão.
não é um trabalho em part-time, é um trabalho a tempo inteiro, em que as horas extraordinárias não são pagas.
ser mãe é ser ao mesmo tempo patrão e empregado.
porque se é patrão do filho, mas ao mesmo tempo sua empregada, visto que uma mãe nunca descansa...por causa dos filhos.
uma mãe está sempre pronta a trabalhar para os filhos e trabalha mesmo quando não é preciso.
um filho acaba por sair do ninho, fazer as malas e mudar-se para outra empresa.
mas a mãe faz as malas também e vai atrás, pelo menos sempre em pensamento e muitas das vezes em corpo presente.
o que faz uma mãe quando os seus filhos são crescidos?
uma mãe, quando é mãe, passa automaticamente a não saber fazer mais nada.
ser mãe provoca uma regressão na pessoa.
uma mãe passa a viver para os seus filhos, mesmo que pense que não o faz.
os filhos são a pala dos olhos duma mãe.
uma mãe não vê para além dos seus filhos e só vê na direcção destes.
assim, quando um filho quer independência, a mãe, sim senhor, deixa-o ir viver a sua vida, mas, na realidade, está com ele a todo o momento.
a mãe acaba por ser uma espécie de pastilha elástica colada nas calças de ganga.
no início a pastilha é saborosa.
passado um tempo a mastigá-la, perde o sabor e queremos livrar-nos dela.
mas ela não vai, agarra-se à ganga e dali não sai.
chega a estar colada a nós muito tempo, antes que nos apercebamos.
não vai embora, fica ali agarrada, mesmo que esteja a sofrer com isso.
até que, por fim, nos habituamos e constatamos que aquela pastilha está ali por alguma razão.
aí, as calças passam a ser de estimação e nunca as deitamos fora.
até que a pastilha desaparece, com o passar do tempo.
e aí choramos.
porque nunca mais teremos uma pastilha daquelas.

segunda-feira, junho 26, 2006

com o passar dos anos

tenho rugas na testa
que são sinal de preocupação
de não vir a singrar na vida?
ou de que Portugal não seja campeão?

sexta-feira, junho 23, 2006

o vento

o vento é o ar condicionado do planeta.
porém, está escangalhado.
dá quase sempre ar frio, quase nunca ar quente.

quinta-feira, junho 22, 2006

o miúdo ronaldo

há uma amiga minha que tem um irmão.
o irmão tem à volta de 19/20 anos.
o irmão, quando tinha 13/14 anos, andou na escola com o cristiano ronaldo.
ora, a brincadeira que os rapazes mais tinham no recreio (segundo o irmão da minha amiga) era a de "tirar a bola ao cristiano".
sim, o objectivo do jogo era tirar a bola ao cristiano ronaldo, enquanto este fintava quem lhe aparecesse à frente.
ganhava quem lhe tirasse a bola sem fazer falta.
hoje em dia, o cristiano joga nos grandes recreios do mundo, continuando a fazer maravilhas com a bola.
porém, na opinião de um amigo meu, as fintas são mais que uma alegria para os olhos do adepto.
o meu amigo acha, talvez com alguma razão, que o miúdo deve ter algum contrato com a nike para andar a fazer tanta palhaçada em campo.
e, dado que o cristiano ronaldo em cada 3 passos com a bola tenta fazer 7 fintas, e que muitas vezes até se finta a ele próprio, o meu amigo não deve andar longe da verdade.
ainda assim, a verdade é que:
quem é que tira a bola ao cristiano ronaldo??

terça-feira, junho 20, 2006

clic

o que nos faz andar é o "clic" que está em nós.
(este blog anda muito onomatopeico)
o clic que se dá dentro de nós, que nos faz tomar as decisões.
o clic que nos faz gostar de alguém.
o clic que nos faz amar alguém.
o clic que de um dia para o outro nos faz apreciar mais a vida.
o clic da cabeça a perceber a pergunta que nos fazem.
o clic também existe fora de nós, no dia-a-dia.
o clic do isqueiro que nos acende o cigarro.
o clic da ignição do nosso carro.
o clic da porta de casa a fechar.
o clic da janela a abrir.
o clic da carica a sair da garrafa.
o clic da luz a acender.
clic, clic, clic.
clic, clic, clic.

segunda-feira, junho 19, 2006

spam

o spam chama-se spam porque "spam" é o barulho que faz ao aterrar na nossa caixa de correio electrónico.
SPAM!!
como um filho abandonado, o spam viaja por aí, em busca de abrigo, até chegar à nossa caixa de correio.
abandonado por pais negligentes e egoístas, que só pensam no lucro do seu negócio, o spam deambula pelo submundo da internet até conseguir achar um local abrigado, como a nossa caixa.
e aí que sucede?
nós mandamos o spam embora.
há até quem tenha filtros anti-spam, como as tabuletas à porta de cafés, que impedem a entrada de animais.
é incrível como, nos tempos que correm, ocorrem tais violações ao princípio da igualdade!
não reneguem o spam.
o spam é amigo.
deixem o spam entrar nas vossas vidas!
e coloquem na vossa caixa de correio uma almofada anti-spam.
assim o spam já não faz barulho ao aterrar, desamparado e lacrimejante.
em vez de SPAM........fará SPAM.

quarta-feira, junho 14, 2006

crónica de um dono de casa

ai, estou estafado.
os miúdos hoje não paravam quietos, parecia que tinham tomado speeds.
speeds, não speedo's. isso são fatos-de-banho.
a maria chega daqui a bocado do café.
espero que o benfica tenha ganho, senão ainda me chega a roupa ao pêlo outra vez.
ela fica mesmo furiosa quando o benfica perde. ainda por cima, se bebeu outra vez 32 minis, deve vir meiguinha, deve.
a roupa hoje demorou imenso tempo a secar, deve ser do tempo, que está a esfriar.
de qualquer forma não consegui passá-la toda.
preocupei-me apenas em passar o vestido que a maria gosta de usar às segundas.
como hoje é domingo, espero que o queira usar amanhã.
senão tenho de me levantar mais cedo para lhe passar o que ela quiser.
bem, vou temperar a salada e amanhar-lhe o peixe cozido.
a maria odeia espinhas perdidas no meio das batatas.
ah, tenho de me lembrar de lhe pedir que me compre outra esfregona, que esta já está gasta.
espero que ela não se irrite.
a maria acha sempre que eu gasto tudo muito depressa cá em casa, que não dou valor ao dinheiro, como não sou eu que ponho o pão na mesa.
eu acho que ela tem razão, coitada, farta-se de trabalhar para eu e os miúdos podermos ter uma vida decente.
bem, lá vem ela.
ai simãozinho, espero que não me tenhas deixado ficar mal...

terça-feira, junho 13, 2006

só uma achega

só no domingo me apercebi que esta era "a semana dos feriados".
e disse-me logo uma prima minha, da classe trabalhadora, que só quem não trabalha é que não sabe quando são "os feriados", e como tal não anseia por eles.
retorqui logo que quem estuda não tem "feriados", não tem fins-de-semana, não tem folgas, porque os exames não se vão adiando como os dias de trabalho quando se interpõe um feriado pelo meio.
e é verdade.
o estudante não tem "feriados".
o estudante tem uma vida relaxada todo o ano, faz nenhum, é certo.
mas chega a época dos exames e o estudante tranca-se em casa, estuda, queima os olhos com o vento quente do virar das páginas e não se apercebe da "semana dos feriados".
o estudante não vai aos santos, não aproveita a sardinha e a sua noiva não é de santo antónio.
porquê?
porque não ficava muito bem estudar no copo de água.
o estudante não pode ir para o café a tarde toda ver os jogos do mundial nos canais (filhadaputamente) codificados.
já o empregado do café, quem trabalha no café, pode.
assim, a vida do estudante é a melhor desde agosto até fim de maio seguinte.
mas entre fim de maio e meados de julho não há cá pão para malucos.
agora, que adoro a minha vidinha de estudante...lá isso adoro.
e depois deste talvez venha a tirar mais um curso ou dois.
porque, como já dizia alguém que conheço mas agora não m'alembra:
"oh filho, vai com calma que tens a vida toda para trabalhar."

segunda-feira, junho 12, 2006

mundial ambiental

como não se fala noutra coisa sem ser o mundial, o (grande) autor achou por bem colocar aqui algumas medidas que poderão permitir aos nossos filhos e netos continuar a assistir a mundiais e, basicamente, permitir-lhes uma vida propriamente dita:

- enquanto lava os dentes, feche a torneira.
- enquanto lava as mãos, feche a torneira.
- enquanto se ensaboa no banho, feche a torneira.
- enquanto lava a louça, feche a torneira.
( feche a torneira sempre que não estiver alguma coisa debaixo da água. seja uma escova de dentes, uma mão, um pénis ou um prato.)
- ponha a máquina de lavar roupa e louça a trabalhar apenas quando estiverem cheias.
- apague a TV no botão, não a deixe em stand-by
- não deixe a porta do frigorífico muito tempo aberta
- recicle tudo. não custa nada, papel, plástico e vidro.

se todos fizermos isto que, convenhamos, não dá trabalho nem desconforto nenhum, imaginem o quanto não poupamos ao planeta?
porque não sei se sabem, mas as reservas de água potável estão mesmo a acabar...
e depois? lavamos os dentes com aguinha salgada?

sábado, junho 10, 2006

aos meus compinchas


compincha é uma palavra que não existe no dicionário.
mas é uma palavra que define a melhor relação que existe.
um compincha é tudo e todos podem ser nossos compinchas.
namoradas, amigos, pais, filhos, piriquitos, carteiros...
porque o compincha é aquele que não só é nosso amigo como é alguém com quem nos identificamos e que nos entende perfeitamente.
a relação com os compinchas não é perfeita, claro, mas é a melhor relação que se pode ter com alguém.
um compincha não se ri de nós, ri-se coNNosco.
um compincha apanha a merda que fazemos e nós apanhamos a dele.
a um compincha pode-se dizer tudo, pode-se confiar tudo, pode-se esperar de tudo.
é por isso que tenho o orgulho de dizer que conheço muitas pessoas, tenho bastantes amigos e apenas alguns compinchas.
[o (grande) autor é um ícone social, claro está.]
sendo que conhecidos, amigos e compinchas estão alinhados por ordem crescente de importância.
e bocemessê, em que categoria se coloca?

quinta-feira, junho 08, 2006

para ti

.
.
há alguém por aí
que é perfeito para ti
não procures insistentemente
porque o amor aparece de repente
não vasculhes, não levantes o pó do chão
porque o amor, se for para ti, aterra-te no coração.
.
.
.
.
.

quarta-feira, junho 07, 2006

que nojice, que chatice

há uns dias, num noite escura, quase a dar à costa da ilha paradisíaca jah-tôcô-uma, situada bem no centro do arquipélago commalcoólico, debatia o (grande) autor com um amigo seu, o porquê do fascínio do ser humano por borbulhas, pontos negros e afins.
não há moçoila que não adore estar na praia a escavar as costas do seu homem, enquanto este ressona em cima dos dois kg de feijoada do almoço.
não há adolescente que não desista de espremer enquanto não vir aquele piloto de F-16 a ejectar-se e ir de encontro ao espelho.
não há rapariga que não vá praticar ioga só para se poder contorcer melhor e chegar aos ângulos mortos das suas costas.
enfim, o ser humano tem (todos temos, apenas não o admitimos) um fascínio pelos reservatórios que existem na nossa pele, rejubilando de alegria quando os vemos a explodir, quais granadas corporais.

- que nojo de conversa, oh (grande) autor!
- sim, meu caro, mas alguém tem de fazer o trabalho sujo...

terça-feira, junho 06, 2006

dei-me conta

dei-me conta que a nossa selecção nacional de futebol é a entidade (se é que uma equipa desportiva é uma entidade) mais poderosa de Portugal.
abre todos os telejornais, à frente do conflito em timor, dos incêndios (todos provocados, é claro), do encerramento das maternidades, etc, etc...
ainda não começou o mundial e já há dias em certos canais quase inteiramente dedicados aos milionários de chuteiras.
o seleccionador pede "apoio popular" e a capital muda-se de lisboa para évora durante duas semanas.
e vão 10mil emigrantes assistir ao treino na alemanha.
10mil pessoas, vestidas a rigor, assistir a um treino que foi às 16h...

estamos empolgados, somos os maiores, mas se perdermos a culpa vai ser:
- do árbitro
(porque são todos uns filhos-da-p... ceguetas e de cheque no bolso.)
- da bola
(porque é esférica. já se viu? bolas esféricas?)
- da relva
(estava molhada. estava seca. estava mal-aparada. estava muito alta.)
- das condições metereológicas
(será que ninguém pensou que na alemanha vão estar 10/15 graus e em évora estavam 35??)
- do público
(10mil num treino é pouco, caraças!!)
- do tempo de jogo
(é que não sabia mesmo que eram só 90 minutos!! pensava que eram 90 minutos cada parte!)
- dos calções
(estavam muito apertados. a cor era feia.)
- dos postes
(puseram dois postes na baliza! e por cima havia uma trave! não se admite...)
- do condutor da camioneta da selecção
(o sr. zé fazia as curvas muito apertadas e nós ficávamos mal-dispostos.)
- do diabo
(o diabo pregou uma rasteira ao ronaldo e ele caiu...sozinho!)
- do frango assado
(tinha muito sal. tinha muita pimenta. estava cru. estava queimado.)
mas não se enganem!
eu adoro futebol.
adoro competições como o mundial, o euro, a liga dos campeões, o campeonato nacional, outros campeonatos internacionais e jogo futebol todas as semanas.
mas há limites para tudo.
depois deste ênfase todo, se não estou no marquês agarrado ao leão a festejar no dia da final...
é porque não somos campeões do mundo.

segunda-feira, junho 05, 2006

scratch scratch BANG BANG

os caros leitores lembrar-se-ão porventura, do passarinho que vive na minha janela?
pois agora a juntar-se ao demónio alado, veio a minha vizinha do lado, bem rezingona, do alto dos seus 79 anos.
ora, tal como o passarinho assassino, existem pombos nestas redondezas.
e os pombos, tal como qualquer outro animal, defecam.
(gosto da palavra "defecar")
só que os pombos, ao contrário da maioria dos outros animais, defecam por tudo quanto é lado.
e uns desses lados são os parapeitos das janelas do prédios.
a minha vizinha, como já não tem muito que fazer e o centro de dia só abre às 8h, tem de ocupar as suas manhãs com qualquer coisa, certo?
assim, todos os dias, entre as 7h e as 7h45m, lá vai a senhora, roupão e chinelos, faça frio ou faça sol, limpar a merda de pombo seca do parapeito das suas janelas.
e como faz a velhota o serviço?
com uma espátula de metal.
agora imaginem o que será acordar com o som de um pássaro (piu-piu-piu), mixado com o som de uma espátula de metal a raspar na pedra (scrrraatch- scrrraatch-scrrraatch).
digno de festa rave, asseguro-vos.
umas vezes ponho os óculos de sol e vou-me pendurar no parapeito da minha janela a dançar.
outras vezes carrego a pressão de ar com sal grosso e vou praticar tiro ao alvo.
como o sacana do pássaro é bem esguio, resta-me acertar na senhora, que com 79 anos não se consegue desviar lá muito bem.

quarta-feira, maio 31, 2006

tu...

ai, deixas-me louco
e não é pouco.
por tua causa durmo mal
és algo de muito (muito) especial.
causas-me nervoso miudinho
contigo, sinto-me de novo um rapazinho.
nestes dias de praia e grande calor
apenas vieste para aumentar a minha dor.
apareceste agora, mas já te esperava
não me preparei, e tu queimas como lava.
dentro em breve irás embora
naquele dia certo, chegará a tua hora.
vais partir, como se nada se tivesse passado
e deixar-me aqui assim, desesperado.


ai.
p#ta de época de exames...

segunda-feira, maio 29, 2006

molho de tomate

um prato muito apreciado chez-moi são tomates recheados.
para se rechear os tomates, faz-se um buraco no topo e retira-se o seu interior à colherada.
como o pessoal aqui aproveita tudo (e muito bem) guarda-se o interior dos tomates num recipiente para no dia seguinte se fazer arroz de tomate.
(para acompanhar outra coisa que não tomates recheados, claro.)
lá retirou alguém o interior dos tomates e lá os colocou no recipiente.
o recipiente era um tupperware, marca preferida por estes lados e a única no mundo à qual merece a pena fazer publicidade.
ora, mas como qualquer outro recipiente que contenha interior de tomate, convém fechá-lo condignamente antes de o botar no frio.
o que o (grande) autor não sabia é que os intestinos dos tomates estavam naquele tupperware.
outra coisa que o mesmo gajo não sabia, era que o tupperware não estava (condignamente) fechado.
assim, ainda a retirar uma ramela dum olho com uma mão, o (grande) autor pegou no recipas (recipiente) com a outra mão para o colocar na mesa da cozinha e verificar o seu conteúdo, visto estar com uma fome esfomeada.
não sei se sabem, mas quando pegam num recipas só com uma mão e ele está mal fechadinho, o tipo tem tendência a voar das manápulas.
e assim foi.
a meio caminho entre o frigorífico e a mesa da cozinha, o recipas resolveu largar tudo cá para fora, obrigando o intestino de tomate a fazer um mergulho picado até se espalhar (muito convenientemente) pelo tapete, chão e uma das cadeiras da cozinha.
imaginem o sorriso do (grande) autor enquanto apanhava a merda de tomate, ao som dos roncos do seu estômago e dos palavrões que proferia.
palavrões esses, que deixavam até os tomates vazios por dentro...vermelhos por fora.

sábado, maio 27, 2006

assim assim

há dias em que a inspiração passa à nossa porta, mas não toca à campainha.
não se consegue escrever nada de jeito, nem fritar um ovo.
nesses dias, mais vale não pôr aqui qualquer post.
mais vale afastar o leitor da nossa paragem cerebral.
mas eu não sou desses.
eu escrevo, mesmo que, depois de passar os olhos nestas linhas, o leitor se sinta enganado.
mas eu não quero enganar ninguém.
até porque este blog é grátis, caraças.
quero é um bife para pôr debaixo do meu ovo mal frito.

sexta-feira, maio 26, 2006

control shift

no teclado da vida percorro todas as teclas.
começo no início do abecedário, ando letra a letra, vivendo um pouco todos os dias.
por vezes tenho interrogações, faço algumas combinações, procuro acentos.
faço o possível para ganhar o resultado de "control-alt-e", às vezes sinto-me maiúsculo, outras vezes não.
os números dão-me conta do tempo que passa, vivo muitas exclamações, coisas que não esperava.
vou em todas as direcções das setas, experimento um pouco de tudo, como deve ser.
quando não me sinto bem, desejo apagar tudo o que não gosto, mas não há escape que valha, o que está feito está feito.
a vida não é um teclado, mas tem umas teclas que podemos comandar.
podemos pôr aspas nas coisas, podemos separar tudo em parêntesis.
podemos escrever o caminho que tomamos.
agora, há uma coisa que não podemos controlar.
o ponto final.

quinta-feira, maio 25, 2006

anarquia ditatorial

Portugal não sobreviveria a uma anarquia.
Não era possível, os tugas consumiriam o país de dentro para fora e ainda iriam anexar espanha.
O povo tuga é um povo que precisa de proibições, de regras, de direcções impostas.
fazendo a devida adaptação, para o tuga, a cavalo dado não se olha o dente, nem se olha mesmo para o cavalo.
é aproveitar enquanto se pode.
por isso é que festas de bar aberto, restaurantes "coma-tudo-o-que-conseguir" ou outros eventos do género não funcionam por aqui.
porque se é de borla e não há proibições, o tuga, literalmente, devora tudo.
já viram a vaca feita de sinos que está no saldanha?
no início estava (estupidamente) desprotegida.
resultado?
2 minutos depois de ter sido lá colocada, já os sinos estavam todos emaranhados em mega-orgia.
claro que se teve de pôr um vidro a proteger a vaca.
porque se está lá e não tem nada a dizer que não se pode, então vai-se lá mexer no bicho.
em Portugal não poderia haver anarquia porque tudo desapareceria.
temos a filosofia do já-estou-cheio-mas-vou-só-comer-mais-uma-perna-de-frango-e-ainda-como-o-arroz-doce-para-rematar.
assim, chegou o (grande) autor à conclusão de que em Portugal apenas resultaria uma anarquia ditatorial.
uma antítese política.
porque, mesmo com a loucura, soltura e liberdade totais, o tuga precisa de ser direccionado, travado, orientado, para não se destruir a si próprio.
porque um tuga com a franga solta é pior que um bando de rinocerontes.
destrói tudo à sua passagem, mas com o balanço com que vem ainda cai mas é pela ravina abaixo...

segunda-feira, maio 22, 2006

uma frase vale mais que mil imagens

hoje, num jantar, colocava-se o problema de muita gente fazer o que não gosta.
uma dada pessoa, tirou um curso, entrou para um posto de trabalho da área, mas não há maneira de a porem a fazer o que gosta.
pode demitir-se, ou então esperar que a coloquem onde quer.
como ideia para "dar a dica" ao patrão, serviu-se à mesa a cómica hipótese de a pessoa levar uma t-shirt estampada com alguma frase que desse a impressão do seu desconforto laboral.
a pessoa em questão disse a seguinte frase:

"dêem-me pontapés na boca... sofro menos!"

domingo, maio 21, 2006

aviãozinho voa voa

na última vez que o (grande) autor teve o prazer (psicológico) de viajar de avião, algo de estranho sucedeu na cabine passageira.
pois, aquando de uma descida menos estável, alguém do staff hospedeiro se lembrou de botar no ar um som semelhante ao de ondas do mar, nitidamente para acalmar a passageirada.
ora, assentado no seu assento, o (grande) autor logo para si pensou:
"oh diabo, tu queres lá ver que me estão a perspegar com musiquinha pré-caída-de-bintecincomil-pés?"

com o som marítimo a atravessar-lhe os tímpanos, seguro de que uma morte se avizinhava, resolveu o (grande) autor confessar-se à colega do lado, completamente abstraída das ondinhas da caparica.
a senhora, já de idade avançada e com 4 martinis em cima, mostrava-se muito interessada no que lhe contava o nosso amigo.
passados 25 minutos de confissão-em-marcha-rápida, decide a sénior acabar com a tortura falada proferida pelo herói:
"oh filho...podes parar de contar essas porcarias, para eu poder voltar a ligar o aparelho de audição? é que este pagou-mo a minha filha e diz que faz mal estar sempre a ligá-lo e a desligá-lo. como já há bocado tive de o desligar porque tu não te calavas com a história da primeira vez que andaste de avião e o voltei a ligar quando adormeceste... é que pelamordedeus..."

nesse momento apenas desejei que o bicho alado caísse depressa e que a idosa não conseguisse colocar a máquina de oxigénio...
ou que esta estivesse desligada, como o aparelho auditivo dela...

sábado, maio 20, 2006

à la sergeï bubka

outro dia foi batido o record da taxa de alcoolémia em Portugal.
7,46 gramas por litro.
(sete vírgula quarenta e seis gramas por litro)
como será possível??
com a parada tão elevada, o normal mortal começa a acreditar que será possível saltar a esta altura sem derrubar a fasquia.
assim, o (grande) autor irá interromper a actividade deste blog para tentar bater a façanha e chegar às 8 g/l ...

ps - se a actividade opinadora não for retomada dentro de 4 dias (um dia para bater a façanha, dois para internamento hospitalar e um para recuperação da capacidade motora), liguem para o INEM e para os bombeiros, por favor...

sexta-feira, maio 19, 2006

one-man-show

uma das coisas que o (grande) autor gosta de fazer é ver o telejornal, às 20h.
pois há uns minutos atrás, aquando da espera pelo noticiário, conseguiu o nosso herói chegar à conclusão de que encontrou na tv o seu próprio herói.
essa figura sobre-humana é, sem tirar nem pôr:
fernando mendes!!
sim, o apresentador gordinho, cheio de graçolas e com um sentido de improvisação irreal.
não há mesmo explicação para este senhor, é um verdadeiro espectáculo televisivo, ele próprio.
para terem a noção, aqui fica um excerto do que o senhor disse enquanto apresentava o concurso que precede o telejornal:

(o tema era "o que podem os magros fazer melhor que os gordos")
- ora bem, o meu amigo respondeu "musculação". pois olhe que os gordos não precisam de musculação porque têm muitos músculos! isto não é só banha! eu, por exemplo, tenho muito músculo por debaixo da banha.
banha aqui, banha ali, benha cá almoçar...

(ainda no mesmo tema, o concorrente responde "sexo")
- então o meu amigo acha que os gordos fazem menos sexo que os magros?

(vira-se para o painel onde aparecem as respostas certas)
- oh painel, tu tens sexo?

(no painel aparece um "x", de resposta errada)
- ooh...o painel também não tem sexo...

sinceramente, aconselho-vos a ver qualquer programa que o homem apresente.

quinta-feira, maio 18, 2006

o sol através da peneira

em tempo de alta crise financeira, descida da moral portuguesa, perspectivas cada vez mais negras para um futuro melhor, gasolina ao preço do ouro, buracos em tudo o que é esquina tuga, é tempo de o (grande) autor apresentar a lista de peneiras que filtram o sol que nos frita o couro cabeludo:

1º - o mundial 2006 - "não tenho dinheiro para pagar a escola do miúdo? desde que cheguemos aos quartos-de-final, bem pode o miúdo ir trabalhar..."

2º - o rock in rio - "quem canta, seus males espanta", não é o que se diz?

3º - a cow parade - para o povo não ver a cowboiada que por aqui anda, nem que esta lhe mande uma chapada na cara em forma de metáfora com cornos.

4º - o euro dos sub21 - o quaresma não vai à selecção A ? mas vai fazer brilhar Portugal, a marcar golos em estádios que ainda estamos a pagar, sendo dois deles de clubes que estão na 2ª divisão...

5º - o verão - "aaahh, o calor!! com este calor ninguém aguenta..."

6º - o campo pequeno - "maria!!vamos ali ao novo shopping, deixa lá isso da contabilidade, caraças..."


por estas e por outras, o (grande) autor recomenda um boné de abas e protector solar factor 112.

terça-feira, maio 16, 2006

o quarto 19

era uma vez...
um hospital português, cheio de quartos, médicos, enfermeiros, pessoal, zonas de cuidados intensivos, de cuidados intermédios, etc, etc...
o curioso é que, todas as sextas-feiras, morria uma pessoa num dos quartos dos cuidados intensivos, sempre na mesma cama!
não falhava, todas as sextas lá quinava o doente daquela cama, daquele quarto.
uma coincidência tramada, maldição, tudo passou pela cabeça dos médicos e enfermeiros.
decididos a desvendar o caso, quais perry mason da medicina, o staff decidiu colocar uma câmera escondida no quarto, para poder ver o que se passava.
à espera de verem uma alma penada, um lobisomem ou um assassino em série, deram todos com o queixo no chão quando repararam que o assassino era, nem mais nem menos...
a dona ermelinda, funcionária da limpeza.
que sucedia a cada sexta-feira?
a dona ermelinda entrava no quarto, a assobiar, falava com os doentes enquanto aspirava e ia-se embora.
detalhe tramado é o de que a dona ermelinda, para ligar o aspirador, tirava a ficha do ventilador de um dos doentes da tomada!!
quando o quarto estivesse a brilhar, desligava o aspirador, ligava de novo o ventilador e era vê-la corredor fora, a assobiar...

segunda-feira, maio 15, 2006

e agora connosco...


aaa...alguém quer responder?

sábado, maio 13, 2006

leis

a partir do início desta época balnear, na praia, não se pode nadar com bandeira amarela, nem se pode ir à água com bandeira vermelha, sujeitando-se os infractores a uma coima de, pelo menos, 55 euricos.
comentando o facto de hoje em dia se legislar sobre tudo e todos, passo a citar um amigo:
de facto, "o sistema está com diarreia legislativa".

quarta-feira, maio 10, 2006

planos

como se fosse o primeiro dia do ano, afinal, se o natal é quando um homem quiser, o primeiro de janeiro também, deixo aqui as minhas resoluções de ano novo:

1 - ter 10 anos outra vez
2 - ter montes de legos e playmobiles para brincar, sozinho, ou acompanhado
3 - ter cincos a tudo.
4 - jogar à bola todos os dias com os amigos, intercalado com jogos de pião, berlindes e mosca.
5 - dar o primeiro beijo a uma rapariga.
6 - não precisar de estudar para ter boas notas.
7 - ser expulso das aulas mas não levar recado para casa.
8 - entrar para a escola secundária da cidade universitária.
9 - passear dias inteiros com os amigos de mochila às costas por não saber se vou dormir em casa.
10 - fazer 18 anos.
11 - entrar para a universidade.
12 - ir para eramus.
13 - passar os melhores anos da minha vida.
13 - inventar uma máquina do tempo.
14 - ter dez anos outra vez.
15 - ter montes de legos e playmobiles para brincar, sozinho, ou acompanhado.

lem lem lem...

terça-feira, maio 09, 2006

olé ??!?

dia 18 de maio vai finalmente abrir a praça do campo pequeno.
finalmente?
neste caso, "finalmente" tem, para mim, um dúbio sentido.
"finalmente", porque moro ali perto e acabam-se as obras.
"finalmente", porque é o início do fim desse projecto.
(espero)
não consigo compreender, como é que no século XXI, em que há leis contra tudo e todos, movimentos anti-tudo, solidariedade com todos...os animais ainda poderão ser fonte de diversão para outra espécie.
nunca vi os macacos andarem a jogar à bola com os esquilos enroladinhos.
nunca vi os elefantes usarem as girafas para lhes prenderem uns cestos na tola e jogarem basket.
nunca vi os tubarões a usarem as focas para jogar polo aquático.
só mesmo os humanos é que podem usar a sua inteligência e astúcia para enganarem outros seres com quem partilham o planeta, simplemente para sua própria diversão.
"ah, mas os touros têm uma vida muito boa até ao dia da tourada."
ah, então vamos lá dar uma boa vida a um humano, a comer, beber e f#der à grande, para depois o fazermos passar pela maior tortura da história, enquanto outros se riem dele e batem palmas.
dia 18 de maio vai finalmente abrir a praça, com um belo festival desumano, e as figuras do nosso jet-set lá estarão para comer e beber à pala, enquanto os animais na praça têm o seu último dia de vida, na maior das agonias.
lá estarão também as associações pro-animal (ou anti-anormalidades-humanas), em protesto contra este tipo de atrocidade.
eu vou lá estar com estes últimos, venham vocês também.

ps- de frisar que este texto versa sobre o tema diversão-humana-à-custa-de-animais. sobre o facto de nos alimentarmos dos animais e como o fazemos, essa é outra história.



assim já não tem tanta graça, não é?

(imagem gentilmente cedida pelo nandinho )

sábado, maio 06, 2006

álcool derramado na estrada

dois amigos meus um dia foram sair à noite.
estavam no algarve, com um grande grupo de amigos.
chegados a casa, mais para lá do que para cá, decidiram que iam às roullotes, pois a fome, agravada pela pressão do sangue que corria nas veias de álcool, fazia-se imperar.
pediram o carro a um terceiro amigo meu que, estando tão perto do céu que o senhor lá de cima lhe cheirava o hálito, lhes deu a chave para a mão.
lá vão eles, amena cavaqueira.
a dada altura, a nacional 125 aproximava-se deles, bem como eles dela, vindos de uma perpendicular.
ligeiramente cegos não se sabe bem porquê, ignoraram o sinal de stop, bem como o triângulo de cimento que brotava do chão, atropelando-os a ambos.
numa velocidade que lhes devia parecer de cruzeiro, voaram literalmente para o outro lado da 125, não chocando, milagrosamente, com outro carro.
saídos do carro, com o motor partido e no chão, o para-choques e uma parte lateral do carro no meio da 125, não prestaram atenção a esse facto, mas sim às sirenes da polícia que insistiam em gritar-lhes aos ouvidos.
quando o sr. agente chegou e lhes perguntou, apesar dos sinais óbvios, o que tinha acontecido, um dos meus amigos respondeu:
- oh sr. guarda, ficámos sem gasolina.
o sôr republicano, ainda incrédulo, replicou:
- então e o condutor?
- aaahhh...o condutor foi ali à bomba comprar mais enquanto nós tomávamos conta do veículo.

moral da história?
se conduzir...veja se tem o carro inteiro antes de falar com a autoridade.

sexta-feira, maio 05, 2006

fazem-se serviços de tradução

como este meio não serve apenas para o leitor se rir sem pagar um tusto, vem o (grande) autor informar todos os interessados que é também um (grande) tradutor.
tendo efectuado já diversos trabalhos de tradução de espanhol e inglês para tuga, informa-se aqui que, quem necessitar de tais serviços, apenas tem de enviar sinais de fumo para o mail do blog ( opinioes.sobre.isso@gmail.com ) e detalhes discutir-se-ão.
obrigadinho a todos por passarem a palavra.
o (grande) autor/tradutor

só uma achegazinha

o conselheiro CINEmental está de volta em grande, após pausa não se sabe bem porquê.
preguiçosos, ninguém quer trabalhar...!!

quinta-feira, maio 04, 2006

subscrevo outro autor


então e fazermos algo para mudar isso?
é como estudar:
um bocado todos os dias não custa nada...

terça-feira, maio 02, 2006

água de rosas

hoje, mais uma vez no meu local de pseudo-labuta, aconteceu outro acontecimento notável, fora o pleonasmo.
noves fora nada.
quem nada não se afoga.
chega!!
bem... estava o (grande) autor sentado à sua secretária, ocupadíssimo com um jogo de lemmings num pc de 1999, quando sente uma vontade de ir "orinar".
como quase todas as vezes, geralmente aquelas em que não se encontra alcoolizado, dirigiu-se o nosso herói até ao cubículo irmão gémeo de um wc de avião.
chegado à porta, depara-se com a luz acesa.
como muitas vezes os anti-ambentalistas que por ali trabalham se esquecem da luz acesa, aproximou (estupidamente) a cabeça da porta, afim de detectar algum ruído.
o silêncio imperava mas, subitamente, um odor a curral apoderou-se das narinas do mestre, tal como o tio patinhas se apodera de uma nota de cinco contos.
como se tivesse levado um soco de um tal tyson, o (grande) autor é empurrado para trás, agarrando-se ao nariz e tentando escapar com vida.
meio tonto e quase cego, consegue chegar até à sua cadeira, situando-se esta a uns escassos 3 metros da entrada do quarto-da-morte.
se a vida lhe salvou impedindo que abrisse a cabeça no chão depois de desmaiar, a cadeira iria acabar por matá-lo, visto encontrar-se a uma distância nada segura das radiações!
e que radiações!!, já que atravessavam a porta e espalhavam-se pelo corredor até à secretária do pobre autor.
respirando só pela boca, uma técnica que aprendera nas idas à casa-de-banho da escola, depois de a contínua ter limpo a mesma com lixívia, o nosso mártir consegue vislumbrar o unabomber rectal quando este escapava ileso.
era uma das pequenas e elegantes funcionárias do escritório.
incrédulo, o (grande) autor deixa de pensar que do wc iria sair um homem das obras de 2 metros e 120kg depois de almoçar caril de feijões vermelhos com feijões pretos, para passar a respeitar todo e qualquer funcionário que por ali andasse.
afinal, não é a palavra a melhor arma...

segunda-feira, maio 01, 2006

piu piu BANG BANG

o (grande) autor vive num 5º andar, numa bela avenida cheia de árvores, cheia de vida, uma alegria.
nessas árvores vivem passarinhos, uns amores, pardais e outros tais que não reconheço.
há, porém, um dos passarinhos que adora o parapeito da minha varandinha.
e todas as manhãzinhas lá está ele, "piu piu piu", na minha janela.
as primeiras vezes foram agradáveis, acordar com o chilrear do passarinho, piu piu piu, põe qualquer um bem-disposto.
pois agora tem o efeito precisamente contrário.
agora durmo com 3 pares de sapatos junto à cama para poder, quando o filho-da-p#$a do pássaro se põe naquela lenga-lenga, atirar um à janela.
ao embater na janela, o sapato assusta o sádico alado e ele desaparece...durante uns 3 minutos.
justamente quando volto ao sonho erótico com a fátima felgueiras..."piu piu piu"...
e zumba, mais um sapato à janela.
quando se acabam os sapatos está na altura de levantar, visto que a águia-waNNabe não descansa até que eu esteja de pé a praguejar.
o gajo chega ao cúmulo de, quando eu me aproximo da janela mas não a abro, ficar a olhar para mim, parado, como se nao fosse nada com ele.
quando abro a janela para lhe partir o pescocinho, o sacana atira-se em queda livre durante um metro ou dois, para me dar a ilusão de que se vai matar, mas depois, estende as penas e lá vai ele para a árvore em frente, a fazer-me manguitos com as patas.
ai, era uma gripe das aves para a mesa 3 se faz favor...

sexta-feira, abril 28, 2006

a prima vera

nunca o sol me bateu tão forte no corpo
sabe bem andar ao sol, deixa-me absorto
a caminho do trabalho, pela manhã
sabe bem esse calorzinho... hãn hãn
atravesso a rua sem ser atropelado
sinto-me, de facto, um privilegiado
subo os dois andares até ao escritório
chego cedo, nada mau, um factor abonatório
passo pela máquina do café e dou-lhe uma bofetada
ouço a voz do meu chefe, nada animada
"(grande) autor, você tenha cautela"
logo fiz as pases com a máquina, fiz-me amigo dela.

quarta-feira, abril 26, 2006

há que dizê-lo

mandaram-me um mail há baita buéda time que contava a história de um tuga que foi trabalhar para um desses países lá do norte, onde o frio congela até os manuelinhos.
versava assim:
lem lem lem, o tuga e o amigo nativo iam para o trabalho.
o nativo dava boleia ao tuga e chegavam ao trabalho 20 minutos antes da hora todos os dias.
o nativo fazia questão de parar no 1º lugar do parque de estacionamento da empresa, o mais perto da saída e mais longe da porta de entrada do edifício.
lem lem lem, lá iam 6 minutitos a pé, ainda dava tempo para o cafézinho e cigarrinho da manhã.
um dia o tuga perguntou ao nativo, enquanto caminhavam do carro ao edifício:
- olha lá man, porque é que paramos o carro todos os dias tão longe? temos lugar à porta e tu páras ali ao fundo, tás parvo, ou quê?
- amigo tuga, nós chegamos sempre antes da hora, logo, temos tempo para caminhar a distância do carro ao edifício, no relax. quem chegar atrasado, precisa de ter os lugares mais perto da porta, para demorar o menos tempo possível. tázaver a cena?

ps - quem souber o que são "manuelinhos" ganha um prémio.

segunda-feira, abril 24, 2006

então e vai um cafézinho?

um dia destes, no meu local de trabalho em part-time, decidi (estupidamente) ir beber um cafézinho.
dirigi-me à máquina e optei por abordá-la como se de um cão se tratasse, de mão aberta e devagar, para que me pudesse cheirar e não me arrancasse um dedinho.
"é uma bela máquina", dizia eu para o fantasma ao meu lado, com o intuito de a elogiar e fazê-la babar-se, de preferência para dentro da minha chávena.
feito o contacto inicial, já com alguma confiança, abro o dispositivo, coloco neste a quantidade certa de café para me abrir as pálpebras e "zumba", atarracho-o de novo na chavala.
"on", chávena prontinha a levar com a torrente cafeínica, pacote de açúcar já aberto na mão...
nada sucede.
"hmmm...o erro é sempre humano", penso.
vai de pousar o açúcar, tirar a chávena e espreitar por debaixo do mamilo da senhora.
nisto, visto ter-me esquecido de tranformar o "on" em "off", começo a sentir uma ligeira quimadura húmida na testa.
rapidamente ponho-a em "off" e vou a correr buscar um pano à casa-de-banho.
quando acabo de limpar o anúncio à buondi que circulava na minha cara, reparo que a correria levou a que cerca de 20ml de café se tornassem os melhores amigos da minha camisa.
bonito.
volto para a máquina, a tempo ainda de constatar que o açúcar, emocionado com tamanha algazarra, se tinha jogado para o chão, qual liedson, espalhando-se pela alcatifa.
da minha boca sai um palavrão digno de taberna do cais do sodré.
volto a colocar a chávena debaixo do mamilo do aparelho, ponho-o de novo em "on" e espero mais um pouco.
desta feita para ver o café a sair em direcção ao fundo da chávena como se de um miúdo de 30kg na rampa mais alta do aquaparque se tratasse.
ou seja, galvanizado pela velocidade, chegou ao fundo da chávena e logo começou a sua subida pela borda, lançando-se na direcção mais uma vez do quê?
da minha camisa, claro está.
desta feita solto mais um palavrão digno de taberna do cais do sodré, mas agora em inglês.
se bem me lembro, chamei um nome à mãe da máquina.
de seguida, num impulso furibundo (marido da bunda, furibunda) mando-lhe um soco tal, que o manipulo do café se solta e "zás", voa em direcção à alcatifa começando uma relação do foro sexual com o açúcar.
ligeiramente chateado com " f " grande, começo a tentar acabar com o canal 18 ao nível do chão, enquanto proferia palavras dignas de banda sonora dum filme do género.
nisto sinto uma palmadinha nas costas.
viro-me e dou de caras com quem?
a empregada da limpeza a oferecer-se para apanhar aquilo?
não, claro que não.
com o chefe a dizer-me que "e vão duas...à terceira é de vez."
volto para a secretária com a camisa igual à de um miúdo de 3 anos depois de comer uma sopa de feijão preto, sem ter posto o babete.
adormeço passados cinco minutos, pois café, nem vê-lo.
quer dizer, vê-lo vi, apenas não o bebi.

sábado, abril 22, 2006

bola vs igreja

ir à bola é o mesmo que ir à igreja.
a bola é aos domingos, a missa também.
a bola tem árbitro, a missa tem padre.
a bola tem um esférico, a missa um crucifixo.
a bola tem 22 jogadores, a missa 22 crentes.
na bola o liedson atira-se para o chão, na missa o crente ajoelha-se.
na bola há foras de jogo e faltas, na missa há a bíblia.
na bola há claques, na missa há orações em conjunto.
na bola há "golo!", na missa há "amén!".
na bola paga-se bilhete, na missa paga-se esmola.
na bola há estádios, na missa há igrejas e catedrais.
na bola há equipamentos, na missa existem hábitos.
a luz é a catedral.
simão o deus.
golo!!!
amén.

quinta-feira, abril 20, 2006

back in business

de volta à vida lisboeta, depois de uma semana por terras de pasta, gelados e italianas, o (grande) autor faz assim um rescaldo da última jornada de repouso:

- os pés cheios de bolhas
- a barriga com mais uns centímetros derivado a hidratos de carbono e docinhos
- a cabeça cheia de cultura (não é só para usar chapéu)
- as pernas cheias de músculo andante
- a máquina fotográfica, vítima, com um processo instaurado por abuso de confiança
- as costas com a forma de uma mochila
- os bolsos cheios de chocolates (rebentou-se o pacote)
- a alma ainda a tremer de medo de atravessar nas passadeiras, nomeadamente em nápoles

é com este rescaldo que informo os caros leitores e ouvintes [este blog existe na versão áudio, só que ainda ninguém descobriu como aceder, nem o próprio (grande) autor] que as opiniões estão de volta, bem como o vosso motivo de sorrir...
(ou de cortar os pulsos com um canivete suíço falso comprado na almirante reis.)

terça-feira, abril 11, 2006

só assim por acaso...

se vossa excelência for num automóvel a 146km/h, sentado no lugar ao lado do motorista (vulgo lugar-do-morto) e iniciar a seguinte conversa com o seu amigo:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só destrancar aqui as portas.
- destrancar as portas? porquê?
- porque se tivermos um acidente e capotarmos, não te está muito a apetecer ficar trancado aqui dentro porque o fecho centralizado pifou no meio da cambalhota, pois não? hehehe...
- .......

e passados uns cinco minutos iniciar esta outra conversa:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só pôr aqui o telemóvel no bolso de dentro do casaco.
- para quê meu?
- para, se tivermos um acidente e capotarmos, eu for cuspido do carro e ficar imobilizado, poder ter o telemóvel junto a mim e não dentro do carro, todo partido.
- ............................... !!!!!!

sugiro que peça para ir à casa-de-banho fazer uma chichoca na bomba seguinte e nunca mais volte.

domingo, abril 09, 2006

férias na figueira (parte I)

a viagem começou às 20h, depois de um jantarinho em que vítor se foi despedir dos seus amigos, antes de rumar à figueira da foz, sua terra natal.
seriam 22h seguidas a conduzir desde o norte de frança e, apesar das reticências da sua mulher andreia, vítor insistia que conseguia conduzir a viagem toda sem parar.
- não sou homem pra isso, não? além disso perdia os 50€ que apostei com a malta do café...
bem regadinho para o caminho e com as duas filhas, cátia e jessica, sedadas no banco de trás e com uma algália incorporada, seguiam caminho pelas ICs francesas, a fim de evitar as portagens.
passadas 9 horas de viagem, andreia diz a vítor:
- oh amori, vai lá mais devagar...não achas que podíamos parar um bocadinho? é que tenho as pernas dormentes e precisava de mijar.
- cala-te!!!
- ok, tá bem, mas ao menos abre os olhos, que já me tás a fazer impressão.
- cala-te, fo%$-se !!! passa-me os óculos escuros!!
- oh vítor, mas são 5 da manhã...
- cala-te, ca€*lho!!!!

passadas 18h da viagem, tendo vítor abrandado apenas para pôr gasolina em andamento, andreia começa a preocupar-se, pois os olhos do seu valente marido começam a pesar nos palitos, já dobrados de tal forma que pareciam partir-se a qualquer momento.
a distribuir chapadas nas duas filhas e a ler ao mesmo tempo as questões dos leitores da "marie", andreia decide que está na hora de comer.
abre as quatro latas de atum e começa a alimentar as filhas à colherada.
jessica, a dada altura, queixa-se de que está mal-disposta:
- mãe, tou mal-disposta, je quero vomiter...
vítor, olhos raiados, antecipa-se à sua mulher no tempo de resposta:
- car€*ho!!! se me vomitas o carro não comes mais nada o resto da viagem, ouviste??

(continua...)

sábado, abril 08, 2006

emigrante

uma amiga minha está (para muito bem dela) a fazer erasmus na suíça.
terra de emigrantes tugas, a minha amiga tem visto diversas cenas protagonizadas pelos nossos conterrâneos.
porém, houve uma frase que a deixou mais do que convencida de que os tugas, aquando de um desastre nuclear de proporções apocalípticas, prevalecerão.

diz então a mãe para o seu filhote:

"(...) mas porque é que sempre que vimos ao supermarché do centre ville, tu tens que levar nos cornos ?? "

portugal é portugal, o resto vai com a maré.

sexta-feira, abril 07, 2006

coisas

há coisas e coisas que, por muito velhas que sejam, nunca ninguém mas tirará:

1- nestum mel
2- cassetes de vídeo com o "tal canal"
3- capri sonne maçã
4- andar de metro sem pagar (e sem ser apanhado)
5- ouvir cassetes no walkman
6- ver os desenhos animados de manhã (sendo que a diferença é que dantes os via ao acordar e agora vejo-os antes de deitar, mas sempre com pequeno-almoço incluído)
7- cérelac
8- livros do pato donald
9- gemadas

ps- a infantilidade subliminar deste texto não é subliminar. é uma infantilidade presente. porque, e passo a citar o (grande) autor...

o futuro risonho está no passado e na forma como o recordamos no presente.

porém, eu não sou infantil.
tenho acessos de criancice, que é algo bem diferente.

quarta-feira, abril 05, 2006

estrangeirismos

numa época em que a nossa língua é maltratada pelo calão, em que para tudo e todos "muito" é "bué", "possível" é "na boa" e "co'a breca" é "daaa-seee", penso ser a altura de abordar um tema que me está a deixar "uma beca" nervoso.
o estrangeirismo.
não há alma lusitana que não aplique pelo menos um estrangeirismo numa frase de 5 palavritas ou menos.
exemplo:
- tudo bem, jovem?
- tudo nice.
- queres um pontapé no cú?
- népia, não tou no mood.
- então fuck you man, até logo.
- hasta, bro!

sinceramente, não compreendo esta atracção pelo estrangeirismo.
ele é na rua, no autocarro, na tv, no trabalho, na escola, no futebol.
um dia destes imagino-me a entrar no autocarro e o pica vir a dizer "os seus tickets fachavôôôr".
ou numa repartição de finanças: "next..."
será que a nossa língua não é digna de ser utilizada a tempo inteiro?
será que, por já ter uns aninhos, é considerada uma língua "cota"?
já me imagino na bancada a ouvir:
- é offside shôr árbitro!! este muthafucker é mesmo blind!!
e na pizzaria da esquina:
-oh diolinda, queres comer aqui ou pedimos take away?
-não sei alfredo, as you wish.
e para terminar....há uma palavra que me deixa ainda mais arrepiado do que qulquer outra:
"baby".
baby não existe, ninguém pode tratar seriamente um namorado/a por baby!
"bonequinho", "torrãozinho", "amor", ainda vá que não vá, mas baby não, por favor!
e quando forem pais, como será?
- oh baby, vai lá buscar a baby para lhe mudares a fralda que até a vizinha de cima já deve tar mal-disposta, caraças...
- oh baby, vai lá tu, baby...
- não baby, ontem eu dei o banho à baby, hoje és tu no pivete, baby...

fiquêmo-nos pelo nosso tuga, que dá tanto espaço de manobra para as mesmas alarvidades e assim não pagamos imposto pela utilização de língua alheia...

terça-feira, abril 04, 2006

oh inerte, a inércia quer-te

atrapado entre a vontade de ir e a de ficar, enterrei-me mais um pouco no sofá.
mais um zapping, um botão, a programação não era má.
pés na mesa, uma beleza, sentia-me confortável.
mas a indecisão que sentia, ai mau maria, era uma proeza notável.
tenho de me decidir em 5 minutos, senão perco a oportunidade.
vou mesmo ou por aqui fico, que irritação, que dubiosidade.
ok, lá irei, mas primeiro tiro os pés de cima da mesa.
eles caem no chão, que preguiçosos, nunca vista, tamanha moleza!!
arrasto-me sala fora, acendo a luz da casa-de-banho a medo e entro.
aproximo-me da sanita, preparo tudo e levanto o assento.
contas feitas, a coisa já está, já posso voltar ao meu sofá.
para pôr os pés em cima da mesa, ai que beleza, e ver a programação que não era má.

segunda-feira, abril 03, 2006

frases erasmus


como ainda nunca disse isto, estive em erasmus no ano passado.
foi o melhor ano da minha vida.
e na casa onde vivi, dei eu início a um costume algo raro a princípio, mas logo depois seguido por todos os que entravam naquela mansão, nomeadamente, na cozinha.
cada pessoa que pusesse um pé no "quarto-de-cozinhar-coisas-boas", seria livre para escrever o que lhe desse na bolha, nas paredes de azulejo.
este é um ditado (espanhol?) que um amigo hermano escreveu e que significa:

"vive à custa dos teus pais até que possas viver à custa dos teus filhos."

e eu que pensava que era comodista...

quinta-feira, março 30, 2006

saudades

estive a passar números de telefone da memória do telemóvel para uma agenda.
uma agenda à antiga, feita de papel e escrita a caneta.
depois de um ano em erasmus, eram muitos os número de pessoas estrangeiras, de pessoas portuguesas, números de pessoas que não sei quem são...simplesmente já não me lembro.
mas de muitas outras lembro-me perfeitamente.
então, nessa boa meia-hora estive a ver caras a passarem-me à frente.
é impressionante como um número e um nome automaticamente nos transportam para um rosto e um local.
fartei-me de ver amigos, amigas, conhecidos, conhecidas, pessoas em quem já não pensava há muito tempo.
todos apareceram no meu quarto para dizer olá e seguirem caminho, ao bater das teclas do telemóvel.
todinhos, de A a Z...

segunda-feira, março 27, 2006

dono de casa

há uns dias fui estender a roupa.
o dia estava de chuva, por isso tinha de a estender "indoor".
aprochego-me da máquina de lavar e ouço um risinho em surdina.
como estava sozinho em casa, mas não me chamo macaulay culkin, pensei que seria o vento a passar numa frincha duma janela, ou coisa que o valha.
abro a portinhola da máquina e logo sinto um friozinho nos pézinhos.
um friozinho húmidozinho.
coçando a cabeça como um babuíno, logo reparo que o frio e a humidade provinham da água que por sua vez provinha de dentro da máquina.
direccionando todas as injúrias desta língua portuguesa à máquina de lavar, concluo que a mesma se escangalhou e a água não escoou.
a prova estava nos meus pés, que obrigavam o meu corpo a procurar uma pneumonia.
deitando fumo pelas orelhas, tiro a roupa cá para fora e deposito-a no lava-louças, pois estava encharcadinha, como é óbvio.
quando acabo de atirar a roupa lá para dentro, vejo uma pontinha de madeira a sair de debaixo do amontoado de tecido.
era uma colher de pau.
uma colher de pau?
sim, e suja de um molho vermelho.
SUJA DE UM MOLHO VERMELHO???
tiro a roupa a verifico que tinha acabado de a atirar para cima de um tacho que previamente tinha sido utilizado para cozinhar algo com molho de tomate.
daí a colherzinha suja.
passando a proferir impropérios em inglês, atiro a roupa encharcada e suja de molho de tomate para dentro de um alguidar e vou buscar a esfregona para enxugar a piscina olímpica que tinha na minha cozinha.
a coisa começa a correr melhor, eu parecia um profissional da esfregona, consegui apanhar a água toda num tempo record de 16 minutos, enquanto via uma telenovela da tvi, para me acalmar.
de seguida vou com um pano de cozinha enxugar o restante da água de dentro da máquina de lavar.
ensopa o pano, torce para dentro do balde.
ensopa, torce, ensopa, torce, ensopa, torce.
o riso em surdina continuava.
no final da tarefa, reparo que havia um cantinho da cozinha que ainda parecia uma zona para cultivo de arroz.
pego de novo na esfregona, ponho-a naquele buraco para a torcer, começo a torcer a safada e....
SSSPLAAAAAAASSHH
...com a força empregue na torção, viro o balde da esfregona e faço de novo um aquaparque na minha cozinha.
já de lágrimas nos olhos, repito tudo e no final vou à procura da frincha de janela aberta para cessar o riso em surdina.
todas as janelas estavam bem fechadas.
o riso vinha da p... da máquina de lavar.

vamos lá a ver uma coisa

toda a gente sabe que é melhor causar algum tipo de sentimento nas pessoas do que ser ignorado.
é melhor levar uma estalada da rapariga que amamos do que ela passar por nós e nem olhar.
e este blog, como muito outros, está sujeito a críticas.
claro, a crítica, positiva ou negativa, faz parte do jogo e, a meu ver, é muito bem recebida.
porque já me disseram muito bem e já me disseram muito mal.
aceito todas as opiniões, ou não fosse esse o nome do blog.
contudo, um grande amigo meu, por quem tenho grande carinho, outro dia perguntou-me se eu estava a ficar maluco.
não compreendendo, retorqui um elaborado "hãn?".
ele completou:
"estive a ler o teu blog...é tão mau!! parece que andas a escrever merda a metro!!"
ok.
não quero que apenas aqui fiquem os comentários bons, os que me levam a escrever com regularidade, por isso também os comentários que "deitam abaixo" têm de ter o seu espaço.
porém, vamos lá a ver uma coisa:
este blog é merda escrita a metro?
e, na hipótese de o ser.... cheirará muito mal?
é que já se sabe que, aos nossos narizes, a nossa própria merda nunca cheira tão mal como a dos outros...

sábado, março 25, 2006

serviço público

o (grande) autor, um vivido nestas andanças do serviço público, pode afirmar e prontificar desde já uma listinha, das certezas existentes em qualquer desses serviços.
sejam as repartições de finanças, as conservatórias, ou as câmaras, estas são as 11 certezas existentes:

1 - todos os desktop (ambientes de trabalho) de todos os computadores dos funcionários têm uma fotografia de uma ilha paradisíaca, de umas férias ou de um animal de estimação, algo que os faça sair dali em pensamento.
2 - há sempre duas máquinas para tirar senhas, mas apenas uma tem senhas lá dentro.
3 - ao lado dessas duas máquinas há sempre um papel escrito à mão que diz "senha única".
4 - ninguém sorri. nem funcionários nem utentes.
5 - há sempre um papel escrito à mão, pregado ao placard das informações, que diz "por favor evite falar ao telemóvel".
6 - há sempre alguém a falar ao telemóvel ao lado desse papel.
7 - o serviço de pagamento por multibanco nunca funciona, porque há sempre "uma falha no sistema, desculpe lá. olhe, pode ir ali ao multibanco, que fica só a 4 quarteirões daqui, e levantar o dinheiro. quando voltar, tire só uma senha, espere mais 58 números que seja a sua vez e depois poderá efectuar o pagamento".
8 - há sempre gente a praguejar dentro das instalações.
9 - há sempre marcas de socos nas paredes.
10 - pelo menos um dos funcionários tem de estar sempre doente e a queixar-se de que devia estar em casa em vez de estar ali. por vezes pede aos utentes para lhe porem a mão na testa a ver se têm febre. varia.
11 - sempre que se vai levantar um documento, tendo-se telefonado antes para saber se já estava pronto e a resposta ter sido sim...o documento nunca está pronto. falta sempre um carimbo, uma lambidela ou uma assinatura da pessoa que "foi almoçar, aguarde só aí um bocadinho qu'ela vem já tá bem?"

quinta-feira, março 23, 2006

a frase

caros leitores, o (grande) autor esteve outro dia na presença auditiva da melhor frase deste ano.
aquando do grande golo marcado por simão sabrosa ao liverpool, visto a bola ter entrado no canto superior direito da baliza, "na gaveta", uma amiga minha proferiu a seguinte pérola:

"o meu pai sempre me disse: joaninha, no cantinho ninguém vai lá buscá-la..."

autora: joana a.k.a. mémé

terça-feira, março 21, 2006

bip bip bip

ultimamente, tem-me acontecido uma coisa deveras peculiar.
ora então não é que, ao dirigir-me às pessoas, em vez de um cordial "bom dia/boa tarde/comé, tá-se bem?", pela minha boca é cuspido um "tou!" ??
sim, um "tou!"
não é referência aos cromos que saíam no bollicao, os "tou fixaró", "tou c'uma ganda ressaca" ou o "tou com comichão no pé".
eu, literalmente, ATENDO as pessoas.
faço como se de um telefone se tratasse e a 1ª coisa que lhes digo é... (digam lá vocemessês...isso mesmo!)... "tou!"
achava uma certa graça à coisa, até ao dia em que, de saída de um estabelecimento comercial de venda de objectos para divertimento sexual, (vulgo sex-shop), ao passar pela porta de saída, digo à empregada um repinpante "boa tarde, beijinhos, com licença..."
ora, até podia ser a empregada que me atende todos os dias, quando lá vou comprar as recargas do aparelho, mas não, era uma nova, uma que nunca tinha visto mais chicoteada!
mais uma vez, o síndroma-de-falar-com-pessoas-que-estão-à-minha-frente-como-se-estivesse-ao-telefone-com-elas apoderou-se de mim!
só falta daqui a bocado parar de falar a meio de uma conversa e começar para a pessoa à minha frente "tou, tou, TOOOU...", como se me tivesse acabado a bateria do celular.

segunda-feira, março 20, 2006

factor medo

- olá, então, está pronto?
- estou com medo - respondi.
entrámos na sala iluminada.
daquelas iluminações tipo hospital, cheia de recantos escuros, mas superfícies que ferem os olhos, de tão brancas.
sentei-me na cadeira, já não sentia aquele material há cerca de dois anos.
"então, não vem cá há muito tempo, assim vai custar mais..."
"pois, a ti deve custar-te muito, deve...", pensei com os meus botões.
hhmm...tinha uma camisola vestida, não havia botões.
pensei com as minhas costuras, então.
ela disse-me para me inclinar para trás, que íamos começar.
fechei os olhos, apertei as mãos contra os braços da cadeira.
"au!" gritou ela.
um dos braços não era da cadeira, era dela.
"desculpe" retorqui prontamente, pensando se aquele engano não teria sido o carimbo no meu passaporte para o inferno.
começou a tortura.
pensava incessantemente para com as minhas costuras e braguilha que havia torturas bem piores que aquela, que no iraque e outros cenários de guerra, muita gente sofreria muito mais que aquilo que eu estava a sofrer.
mas alguém há muito tempo inventou as proporções.
e, proporcionalmente mais baixa, a minha dor não deixava de ser sempre uma dor.
sentia o sabor do meu sangue na boca que ela lapidava, via-lhe de perto as pingas de suor que lhe escorriam da testa de encontro aos meus olhos.
"está a tentar cegar-me" pensei de novo, desta feita para com os boxers.
se o esforço a fazia suar, a consequência de tal era a força empregue na minha cavidade de "cumer e buber".
senti-me a desmaiar, não sei quanto tempo estive inconsciente.
quando acordei ela tinha uma mola no nariz, o que me levou a deduzir que durante o sono devo ter solto um gás ou outro, como consequência do terror em que me encontrava.
finalmente acabou...
estalando os dedos e tirando as luvas de plástico utilizadas para outros fins como exames rectais, ela despediu-se de mim com um suave "até breve".
eu saí, pensando que realmente sempre era melhor ir ao dentista fazer uma higiene de rotina do que ir não-sei-onde fazer um exame rectal.

sexta-feira, março 17, 2006

taxi

em atitude burguesa, incompatível com o seu bolso camponês, o (grande) autor decidiu ontem apanhar um táxi para se deslocar de aqui para ali.
como o futebol não seria a conversa mais interessante, visto o glorioso ter deixado o guimarães ganhar, decidiu-se por puxar o assunto "as-obras-do-metro-do-saldanha-nunca-mais-acabam-não-é-ó-chefe?".
o taxista, mortinho por cascar nos governantes, apressou-se a contar uma história, como exemplo da lentidão deste país.
"c'andeu tavali na praça de taxs de sete rios, aí há uns...vintianos...vi uma vez uma cena...quédzer...em Portugal as coisas não é pa se fazer...é pa sir fazendo...
então não é que tava um buraco aberto dumas obras. uma noite, andaram lá aí uns 7 ou 8 calceteiros a fechar o buraco, porque as obras tinham acabado. no dia seguinte, eu pegava às 11h da manhã...e o buraco tava aberto outra vez!!
eu até fui lá perguntar então mas vocês esqueceram-se aí dalgum tesouro dentro ou quê??
e os gajos respondem-me que não, que as obras agora eram para o gás e que os outros que fecharam o buraco eram dos telefones...
e pronts, lá continuou o buraco aberto mais uns meses..."
chegado ao destino, o (grande) autor pagou e, em jeito de despedida, desejou boa sorte ao taxista e que "a ver se as coisas agora andam prá frente..."
o senhor respondeu prontamente:
"atão não hão dandar?? f...-se, mais pra trás é que não dá!!"

quarta-feira, março 15, 2006

EMEL...GA (parte II)

ok, é mais do que óbvio que ontem lá fui feito estúpido para a emel, com todos os documentos que vos mencionei no último post, e não consegui a merda dos dísticos, por variadas razões.
tenho apenas um conselho a dar-vos:
se algum dia tiverem de ir à emel tratar do que quer que seja, não vão armados, pois podem destruir a vossa vida em milésimos de segundo, por causa de uma funcionária inteligente.

ps- a opção fumar-umas-ganzas-antes-de-entrar também não é má.

ps2- é também óbvio que, enquanto havia uma senhora para atender as pessoas que lá iam tratar de assuntos relativos à emel (éramos 4 pobres coitados), havia 5 (cinco) senhoras sentadas em frente ao computador sem fazer nada porque, como tão simpática e lógicamente me explicaram, "estes balcões destinam-se exclusivamente a serviços da câmara".
ora, a emel, não é um serviço municipal, pois não?

"e não-sei-quê, estamos na cauda da europa..."
não, pudera...

terça-feira, março 14, 2006

EMEL...GA

melga não era bem a palavra que queria para descrever essa tão boa empresa municipal de f.... os carros das pessoas que trabalham.
bem, já há uns tempo que os gafanhotos me têm vindo a deixar uns papéis no carro a dizer que tenho de ir revalidar o dístico (gosto da palavra) de morador.
liguei para lá a perguntar que documentação precisava de levar.
claro que me atendeu uma senhora muito simpática, prestável e, inclusive, inteligente.
[note-se o sarcasmo exacerbado do discurso do (grande) autor]
ora, preciso então da seguinte listinha de documentos:
- o dístico que tenho agora
- carta de condução
- título de registo de propriedade da viatura
- cartão de eleitor
- comprovativo do domicílio fiscal

passo assim a analisar cada um dos documentos, inteligentemente pedidos:
- o dístico-que-tenho-agora
acho óptima a ideia de ter de entregá-lo. como o novo dístico não vai ser completamente diferente nem nada, o que mais me apetece é ter de entregar a única coisa que me permite parar o carro sem ser multado. como os serviços andam um nadinha mais devagar que um caracol manco, cheira-me que vou estar um mesinho sem dístico de morador, consequentemente, a pagar parquímetro para estacionar à minha porta.
(nota mental: destruir as máquinas de parquímetro da zona à machadada)

- a carta-de-condução
normal, ando sempre com ela, por isso acho bem, não custa nada levá-la. até porque a maior parte das pessoas que tem carro não tem carta de condução.

- o título-de-registo-de-propriedade-da-viatura
também acho bem. pode ser que alguém ande com excessos de altruísmo e ande a pedir dísticos de morador para os amigos, perdendo horas de vida em filas de espera, o que é perfeitamente normal.

- o cartão-de-eleitor
ah, isto sim, compreende-se. no caso de a pessoa querer votar em qualquer coisa pelo caminho ou mesmo no edifício da emel, sei lá...votar no empregado mais estúpido ou no que consegue demorar mais tempo a dar uma informação complicada do género, "que horas são por favor?".

- o comprovativo do domicílio fiscal
ah...também compreendo a razão de ser deste documento. como a morada, freguesia, código postal e p...que o pariu não estão na carta de condução nem no título de registo de propriedade da viatura, é normal que nos peçam isto.
sim, porque a autenticidade dos serviços da DGV não é a mesma coisa que a dos serviços das finanças. porque um quilo de chumbo pesa mais que um quilo de algodão, sem dúvida.

agora, estou a pensar em levar mais qualquer coisa que me identifique e que identifique o meu carro, assim como o papel higiénico por mim utilizado nas últimas duas semanas e ainda os pedaços de merda de pombo que tenho vindo a recolher desde há um mês, de cima do capôt do pópó.

domingo, março 12, 2006

ModaLisboa

o (grande) autor, como figura de alguma coisa que é, foi até à moda lisboa, dar um passinho na passerelle e ver passar umas meninas.
ora, sem mais delongas, passo a descrever numa só frase (deveras actual diga-se) todo este evento:

"se as aves raras apanhassem H5N1, aquele pavilhão era fechado pela direcção-geral de saúde. irra...."

ps- de salientar a iluminação do evento. essa sim, estava muito boa. mesmo. a sério. não estou a brincar. já perceberam a ideia, espero.

sexta-feira, março 10, 2006

OPERAÇÃO STOP

vi hoje no telejornal que os funcionários da câmara municipal do porto passam a ter um controlo de alcoolémia a seguir ao almoço, antes de pegarem ao serviço da parte da tarde.
ora bem, vejamos a seguinte situação.
o sr.andrade vai almoçar à tasquinha, como faz todos os dias.
e todos os dias despeja dentro de si pelo menos meia litrosa de vinhaça.
como o sr.andrade, fazem o mesmo o sr.falcão o sr.piçarra e o sr.nunes.
já os estou a imaginar a voltarem para o trabalho:
- eh pá, num bamos pla escadaria norte qu'disse-me a nandinha da secretaria que bai haber operaçaum stop...
- olhameste...(agride o sr.nunes com uma belinha na nuca) pla escadariiia...queres matar a gente ó quê?? qués qu'eu bomite o cuzido tuodo?
- oh pá, bamos mazé plo ilvador tuodos juntos qu'assim ao menos se apanharem alguém há semprum ou duois que se escapam, num éi?
- eu quantabócês num sei, mazeu bou à casinha trincar grãuns de café pa enganar a máquina, essa baca...

e a conversa agentes da autoridade:
- boa tarde (continência), os seus cartões de picar o ponto por favor. ora muito bem, os senhores ingeriram alguma bebida alcoólica nos últimos 15 minutos? pelo bafo, quer-me parecer que sim...queiram sair do elevador um a um por favor, vamos proceder à despistagem de alcoolémia...

terça-feira, março 07, 2006

conselheiro cinemental

já abriu o conselheiro CINEmental.

da autoria do (grande) autor, pois claro...

triste mas verdade

como não só de risos vive o homem, aqui fica uma história tristonha sobre uma entre muitas realidades portuguesas algo ocultas.
ontem vinha para casa do supermercado com a minha mãe quando, enquanto tirávamos os sacos do porta-corpos...aaah, porta-bagagens, um homem nos interpela.
começa a dizer que está desempregado, que trabalhou 28 anos na lisnave, que não quer pedir dinheiro, mas que tem muita fome.
tinha óptimo aspecto, uma pessoa normal, dir-se-ia.
e começa a chorar.
parvo, eu fico sem reacção.
a minha madre dá-lhe um pacote de leite para a mão.
ele agradece muito, muito e começa a andar enquanto abre o pacote de litro.
em 15 metros mandou um pénalti naquele merda.
não estou a brincar, ele bebeu o litro de leite de pénalti.
ao vê-lo a afastar-se optei por lhe dar mais uma laranja e um pacote de batatas fritas grande, que eram as únicas coisas comestíveis no momento, sem preparação.
tudo o resto eram infelizmente congelados e afins.
que vontade de o convidar para jantar lá em casa e dar-lhe tudo.
mas o medo e a desconfiança são mais fortes que a bondade, não é?
a minha mãe advertiu-me, antes de dar a laranja ao senhor:
"não lhe dês uma laranja, que isso vai-lhe fazer mal. ele acabou de beber o leite!!"
pois, mas o que não mata engorda, não é?
e aquele senhor bem precisava de engordar...

segunda-feira, março 06, 2006

piscina

o (grande) autor, em época pre-veraneante, decidiu tornar aos grandes palcos molhados da piscina do inatel.
visto lá ter andado largos anos em competição [o (grande) autor é muita bom], decidiu voltar a entrar no rectângulo aquático de outrora e dar alguma alegria aos seus músculos agora tapados por uma camadinha isolante de frios e tempestades.
dirigiu-se então o nosso herói à secretaria do inatel, em busca de informações e papéis de inscrição.
direcciono-me à secretaria, para constatar que está fechada às 18h15m, embora o horário indique um suposto fecho às 20h.
dirijo-me então ao SIgurança que, interrompendo pacientemente a novela da tvi, me informa que "a secretaria agora é ali ao fundo, naquele edifício, não sabia???".
pois, não sabia.
e não sabendo muita coisa, talvez passe a trazer sempre a maya comigo.
entro na nova secretaria e, após constatar que as barracas estão de novo na moda, verifico que existe uma bela estante, cheiiiiinha de papéis e folhetos informativos.
"ora bem, ora bem, deixa cá ver...natação livre..."
não existia um folheto relativo a esta modalidade.
não que não me oferecessem yoga, natação com bóias, pilates, judo, futebol, ping-pong, petanca ou apedrejamento de políticos...apenas natação livre não existia.
passa o (grande) autor à frente de umas jovens babadas que guardam o seu autógrafo, somente para perguntar pelos famosos panfletos.
"vá ver na estante dos folhetos informativos" responde-me um senhor nitidamente sem vida sexual a dois activa.
respondo-lhe então que já tinha dado uma vistinha de olhos de 12 minutos e que não a tinha encontrado.
o punho partido pergunta então ao seu colega pelos pedaços de papel.
o colega contesta que estão guardados numa gaveta mesmo atrás de si.
o esfrega-mastros faz um esforço que quase lhe custa uma vértebra e alcança-me o folheto, finalmente.
eu saio triunfante, não sem antes ter levado com um "faça o seu trabalho que eu faço o meu" por ter sugerido uma possível deslocação dos panfletos sobre natação livre da gaveta para a estante-maravilha.
vai uma braçada?

quinta-feira, março 02, 2006

comentário

ontem, observava eu atentamente o jogão que a nossa selecção fez contra uma equipa que nem sabe o que é um esférico, quando me apercebi que havia alguém ainda mais atento do que eu.
o comentador da televisão estatal que transmitia o jogaço disse:

"quaresma remata.......ah, mas está lá o guarda-redes!!"

caramba...há que ter olhos de lince...

quarta-feira, março 01, 2006

wc

visto que em portugal muito pouca coisa funciona como devia, agravado ainda pelo facto de a casa-de-banho ser um domínio pouco explorado pela indústria portuguesa, temos de dar a mão à palmatória aos 88% que não lavam as ditas.
senão vejamos:
o tuga está a trabalhar e tem de ir ao wc, já à rasca, apertado entre duas tarefas.
tem de fazer a coisa a correr porque o sacana do patrão escolheu logo o dia em que a diarreia atacou para passear a tromba pelo escritório.
não se faz, caraças. dia de mal-estar intestinal deveria automaticamente ser dia de estar-sentado-na-sanita-com-a-bola-o-record-e-o-jogo-e-uma-sandes-de-frutos-do-mar.
o tuga entra no wc a correr, esbaforido de pressão pançal e perseguido pelo tic-tac do relógio de parede.
faz a sua cena, provocando risos em todos os presentes no wc devido ao espectáculo de formula 1 perpretrado pelos seus intestinos.
limpa-se mal e porcamente porque a dona palmira e a dona almerinda, funcionárias da limpeza do escritório, meteram baixa na mesma semana e não há quem coloque mais papel higiénico nas cabines de som.
(pensa-se que estão juntas num motel nos arredores de lisboa)
o tuga sai da cabine já aliviado, limpando as pingas de suor ao lencinho que a sogra lhe deu no natal.
vai lavar as mãos, molha-as, mas não há sabonete.
as mãos continuam um nojo, mas molhadas.
dirige-se ao secador de mãos e este não funciona.
o tuga prega-lhe um soco e o bicho continua sem responder.
o tuga coloca as mãos nas variadas posições sugeridas pelo autocolante já todo riscado pelos filhos da dona palmira que acompanham por vezes a mãe ao trabalho e nada.
resultado, o tuga fica com as mangas da camisa molhadas porque estas, previamente arregaçadas, com tanto soco e chapada na máquina, acabaram por descair encharcando-se nos pingos de água tépida.
o tuga volta à secretária a limpar as mãos as calças, mesmo a tempo de ver o boi do chefe a mexer-lhe no computador e a constatar que o tuga não estava a trabalhar, mas sim a ver os mails de conteúdo pornográfico que os amigos lhe mandam.
e ainda por cima a diarreia dá de novo sinais de vida!
 
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