quarta-feira, março 07, 2007

senhoras vs homens

Ouvi outro dia este dito popular, que considero ter um fundo de verdade:

"Se fecharem 10 senhoras numa sala, matam-se umas às outras.
Se fecharem 10 homens numa sala, jogam futebol 5 contra 5."

Agora, sinceramente, não sei o que será melhor.

terça-feira, março 06, 2007

isto tem andado calmo

coisas chatas que não matam mas moem:

- beber água aquecida pelo Sol, na praia, quando se está mesmo com aquela sede

- vestir as calças na praia, ficando cheio de areia no interior daquelas

- sair dum banho quentinho e limparmo-nos a uma toalha molhada

- ao sair do banho, encostarmo-nos à cortina, gelada

- pisar uma poça de água, de meias calçadas

- sair da cama quente e pisar o chão gelado

- molhar as mangas ao lavar a louça

- cair-nos um pingo pelo meio das costas, vindo de uma goteira duvidosa

- pisar merda de cão mesmo antes de entrar em casa

- sair a chave do euromilhões que jogamos sempre, justamente na semana em que não jogámos porque nunca-me-sai-nem-vale-a-pena-gastar-estes-dois-euros-vou-mas-é-comprar-droga

terça-feira, fevereiro 27, 2007

a tua camisola

no jogo do Glorioso de ontem, havia um cartaz nas bancadas, segurado por um senhor com ar sério em que se podia ler:

"KIM DÁ-ME A TUA CAMISOLA"

KIM?
será o guarda-redes do Benfica de origem norte-americana?
ou será que o pessoal anda a ver muita televisão?

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Vão dar os Oscars!! Mas ai é na TVI? Oh f...

Eu gosto de ver os Oscars.
Mas, infelizmente, dos 11,5 canais que tenho, ontem só a TVI é que estava a transmitir em directo.
A TVI, aquele exemplo de televisão, ícone da telenovela portuguesa, da informação interessante e dos cenários inspirados nas batalhas medievais.
Mas, mesmo na TVI, os Oscars têm piada.
Gosto de ver as estrelas, comentar vestidos, nomeações, vencedores e penteados.
Porém, estar a tentar ouvir o que dizia a Ellen Degeneres e estar a levar com os comentários dos que percebem tanto daquilo como eu de engenharia nuclear, ou o Nuno Gomes de golos, é que não tem tanta piada.
E ela estava a ter imensa piada!
Que irritante, balhamesantaquitéria!!
Sempre a tentarem traduzir tudo, e mal, a cada 10 segundos!
Será que não dá para entender que quem não percebe inglês vê hoje à noite o compacto legendado??
E, já agora, alguém podia fazer um donativo à TVI, ou uma chamadinha para o José Eduardo, para eles comprarem daqueles microfones em que se tem de carregar para falar, tipo walkie-talkie, para o telespectador não estar a ouvir a merda da respiração dos comentadores, tal como os seus "hhmmrrrmm" desentupidores de gargantas.
hhhhmmmrrrmmmmmrrrmmmm...
HHHRRRRRMMMMMMMRRRRRRRRMMMMM....
HHHHHRRRRRRRRRRRRRRRRRRRMMMM....
Não é normal estar-se a ouvir as pessoas a mexerem-se na cadeira, a suspirar e a falar em surdina.
Não é normal uma televisão permitir que isso aconteça, pelo menos uma estação de TV profissional.
Mas só a TVI é que estava a passar a entrega dos calços de porta.
E fui-me deitar passada uma hora daquele tormento.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

consigo, logo, faço.

Em Portugal, automobilisticamente falando (e não só), ainda se vive de uma forma ligeiramente selvagem.
A maior parte das pessoas tem certas atitudes porque consegue, não porque as possa ou deva ter.
Por exemplo, há pessoas que estacionam em cima do passeio, impossibilitando a passagem até dos cães.
Não porque devam ou possam fazê-lo, mas porque conseguem.
Se não houver um pino, um obstáculo (frise-se, irremovível), as pessoas acham logo que podem estacionar, mesmo que seja à porta de um hospital.
O mesmo se passa com a condução.
Há sinais e semáforos, mas se não vem lá ninguém, passa-se o vermelho ou ignoram-se as regras de trânsito.
É a mentalidade mais prática que existe, disso não haja dúvidas.
Mas temos as prioridades invertidas.
Onde devemos ser mais despachados, somos os mais lentos.
Quando devemos ter mais calma e ponderação, somos os mais acelerados.
Enfim, se consigo fazê-lo, posso fazê-lo.
Se não posso, então impeçam-me.
Mas se conseguir na mesma, faço-o.

domingo, fevereiro 18, 2007

teletexto

Se há coisa que me irrita na televisão, no aparelho em si, é o teletexto.
É que é impressionante.
Um gajo quer ver os números do euromilhões ou a programação da TVI, para ver que filme do Stallone é que vai dar hoje e mais vale ir para a janela perguntar aos berros se alguém sabe, do que ir ao teletexto.
Imaginem que a página que querem procurar é a 222.
Pois o teletexto começa a busca a partir da 999, em descrescendo.
Passados 2 minutos, lá chega à 222.
Não é a p... da página que queriam, claro.
Tentam a 220.
Recomeça a contagem descrescente a partir da página 999.
Por esta altura já estão a apertar o comando como se de uma bolinha anti-stress se tratasse.
Lá chega à página 220.
A 220 indica que a página que querem é afinal a 132.
Seleccionam 132, está ali ao lado da 220, rezam para que salte imediatamente para lá.
Recomeça a contagem desde a 999.
Um "CUM FILHA DA P..." ecoa pelas escadas do vosso prédio.
Aterram na página 132, depois de terem ido dar uma voltinha à sala para se acalmarem.
Ok, é a página certa, pro-gra-ma-ção-da-T-V-I.
Mas a p... da página divide-se em quatro sub-páginas.
A primeira com a programação das 07h às 12h, a segunda das 12h às 17h, a terceira das 17h às 22h e a quarta das 22h às 04h.
É óbvio que a página em que calharam é a das 12h às 17h e vocês querem saber se o filme dá à noite.
Seleccionam outra vez a mesma 132, porque é impossível navegar pelas sub-páginas, rezando para que o cab... do teletexto seleccione sozinho a p... da sub-página que desejam.
E não é que o filho duma granda p... pára na sub-página das 07h às 12h.
Neste momento atiram com o comando à televisão, partindo-se este em três pedaços.
Desgastados pelos últimos 35 minutos e enfrentando o desespero de saberem que terão de se levantar para mudar de canal e subir ou baixar o volume da TV o resto da noite, vão até ao vizinho do lado perguntar se, para além de gelo para o whisky, tem a TVguia.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

homicídio inocente

era uma vez...a irmã do (grande) autor, há muitos anos atrás, quando aquela tinha apenas 4 ou 5 aninhos.
num belo dia de Sol, estacionado o carro dos papás ao pé de casa, os dois irmãos viram um passarinho caído no chão, meio zonzo e piu piu piu.
não voava, estava magoado.
levaram-no então para casa, para dele cuidar até que pudesse voltar a voar.
durante uma semana cagou o chão da cozinha, bebeu água e comeu cerelac através de uma seringa sem agulha, saltitou pela casa toda e piu piu piu.
após esses dias felizes, aparentava já estar quase pronto para o voo a partir do 4º andar.
assim, puseram-no na varanda, dentro de um caixote, para que, se quisesse, pudesse partir e piu piu piu.
por lá andou um par de dias, até que a irmã do (grande) autor, amante da higiene pessoal e alheia, decidiu que o passarinho precisava de uma banhoca.
independente desde muito precoce, lá foi lavar as penas ao passarinho, ao fim da tarde, depois da escola.
a seguir, claro, deixou-o na varanda para que o passarinho pudesse então zarpar, já lavadinho, de noite.
pois na manhã seguinte, foi a mãe do (grande) autor fazer o ponto da situação do passarinho.
este lá continuava, só que desta feita deitado.
durinho que nem um taco de golfe.
"estará com uma cãibra?" pensou a senhora.
parece que o frio não lhe fez bem, apesar de a irmã do (grande) autor ter jurado a pés juntos que o secou muito bem com uma toalhinha.
de agora em diante lembrem-se:
se gostarem dos vossos passarinhos, não os lavem, nem à mão nem na máquina.
e piu.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

dia dos namorados?

perguntaram-me porque é que hoje eu ia ver o jogo do Benfica, quando é dia dos namorados.
perguntaram-me se eu não ia passar o dia com a minha namorada, se não ia jantar com ela.
eu respondi que, se o amor existe, demonstra-se quando uma pessoa quiser.
e que, claro, a minha namorada também quer ver o Benfica.

domingo, fevereiro 11, 2007

sim ou não? abstenção.

Mais uma vez os Portugueses mostram que refilar é com eles, mas actuar é com os outros.
O nosso povo é um povo passivo, liderado por poucos activos.
Atenção, não defendo os políticos.
Nem rosas, nem vermelhos, nem verdes, nem laranjas.
Defendo que devemos actuar.
E actuar não é ficar em casa sem ir votar porque está de chuva ou faz um Sol do caraças.
A partir do momento em que as pessoas têm uma (ainda que pouca) influência colectiva, ganha a tanto custo à ditadura, mas não a usam...não se podem queixar.
Podem-se queixar de que quem elegeram não cumpre.
Mas não se podem queixar de que quem foi eleito não cumpre, se não contribuíram para a sua eleição.
56% de abstenção?
Pffff.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

alguém disse

a frase mais ridícula dos últimos tempos, futebolisticamente falando:

"Desculpem, mas eu sou pianista, não posso ir à baliza."
.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

mosh

concerto de Ratos de Porão na Incrível Almadense em 1994
(fotografia do Cameraman Metalico)

por muitos considerado uma prática violenta, o mosh é um desporto saudável.
o que se passa na imagem não faz parte do mosh, mas sim da arte do stage-diving ou, neste caso, "balcão-diving".
também o (grande) autor é adepto destas duas formas de expressão corporal.
no mosh diverte-se com os amigos e desconhecidos, bailando um tango-tipo-rugby muito bonito e de elevada graciosidade.
mas é no stage-diving que o (grande) autor encontra a maior satisfação.
não há como saltar de um sítio (de preferência um pouco alto) e ser agarrado pelos amigos.
é aliás um exercício praticado em muitas escolas de teatro, como forma de os actores confiarem plenamente uns nos outros.
porém, como o nosso herói não é um super-herói, numa noite de Verão, animado pela música pimba tocada na aldeola predilecta do seu grupo de amigos para as festas dessa índole, o (grande) autor resolveu mais uma vez saltar do palco onde a banda tocava, perplexa.
tal foi o entusiasmo com que o nosso projéctil humano saltou, que saltou demasiado, indo aterrar apenas com a parte de baixo da cintura nos braços que o esperavam.
resultado, o seu corpo fez um ângulo perfeito de 90º e o (grande) autor foi dar com a bonita face no chão.
não fossem os robustos braços que levava à frente e a queda no chão de terra teria resultado em mais do que um punhado de cabelos empoeirados e uma ligeira tontura.
nessa noite muitos mais saltaram, mas todos aterraram benzinho.
é uma arte que se recomenda, mas de preferência com o balanço certo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

glossário para a actualidade

numa altura de grande controvérsia, em que se fala de abortos, adopções, apitos e câmaras municipais, entende o (grande) autor ser absolutamente necessária a disponibilização de um glossário, para que todos possam compreender as notícias sobre o que se passa no nosso país.

despenalização - retirar a pena; isentar de pena.
ex: um gajo rouba uma velhota, mas não vai preso, porque já não é crime roubar pessoas com mais de 65 anos.

panóplia - armadura completa de um cavaleiro da Idade Média; escudo em que se colocam as armas, artisticamente dispostas, para adorno das paredes; porém, na maior parte das frases em que é usada, panóplia significa "grande variedade de alguma coisa".
ex: o Benfica tem no seu plantel uma panóplia de grandes jogadores e outra de atrasados mentais.

maniqueísmo - doutrina do persa Manes (215-275), segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios opostos e inconciliáveis, o do bem e o do mal.
ex: o Simão Sabrosa e o Quaresma, o homem-aranha e o dr.octopus, a Sónia Araújo e a Manuela Moura Guedes.

arguido - aquele a quem acusam de algum delito; sujeito submetido a um processo penal.
ex: Carlos Cruz, Herman José, Vale e Azevedo, Beto-mãozinhas, Zé-dedos-leves.

biológico - relativo à Biologia, a ciência dos fenómenos da vida nas suas leis gerais.
ex: estar vivo, é o contrário de estar morto.

do coração - relativo ao coração - órgão muscular, agente principal da circulação do sangue; a parte externa esquerda do peito, onde se sentem as pancadas do coração; afeição, amor, complexo de faculdades afectivas; generosidade; ânimo, coragem.
ex: gostas de mim? por amizade ou por amor?

corrupção - acto ou efeito de corromper; podridão; decomposição; putrefacção; devassidão; adulteração; suborno; prevaricação.
ex: passar dinheiro debaixo da mesa, meter notinhas no bolso do árbitro, aprovar projectos em zonas protegidas porque vai ser o primo a construir.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

será mesmo?


na capa do Metro, há umas semanas.
relativo a outra pessoa que não o (grande) autor, claro.
mas podia ser.
chiça.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

deixar o planeta respirar

amanhã, dia 1 de Fevereiro, terá lugar uma iniciativa (infelizmente) fora do vulgar e muito ecológica.
das 18h55m às 19h00m, devemos desligar o quadro de nossa casa, deixando assim de consumir qualquer tipo de energia durante 5 minutos.
a iniciativa começou em França (afinal aqueles gajos sempre têm dois dedos de testa de quando em quando) e pretende-se que chegue a todo o mundo.
assim numa escala mundial.
planetária.
do mundo inteiro.
e arredores.

assim, apela o (grande) autor para que amanhã às 18h55m (hora tuga) se desligue o quadro de cada casa e só se volte a ligar às 19h00m.

pode parecer uma estupidez, mas eu acredito mesmo que se todos os chineses do mundo saltassem exactamente ao mesmo tempo a Terra abanava.
considerem isto um salto de todas as raças pelo Planeta.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Santos du non

Fernando Santos, treinador do Benfica, defendeu ontem o NÃO em debate sobre o tema mais quente do momento, no "prós e contras".
Fernando Santos chegou até a dizer que a interrupção voluntária da gravidez não deveria ser permitida nem às mulheres vítimas de violação.
(!!!)

O (grande) autor acalma os seus leitores, relembrando que esta é a mesma pessoa que insiste em manter o Beto e o Paulo Jorge no plantel dos encarnados e ainda, imagine-se, pôr o Nuno Gomes a jogar em todos os jogos.
Obviamente que Fernando Santos não está bom da cabeça nem sabe o que faz ou diz.
Assim, tenham calma e dêem o devido desconto à posição do homem.

domingo, janeiro 28, 2007

xim ou não, manel?

aviso: o texto seguinte é de algum mau gosto. porém, dada a parvoíce dita por tanta gente sobre este tema, reserva-se o (grande) autor no direito de dizer mais alguma merda.

numa altura em que se fala tanto do aborto, urge relembrar aqui uma expressão muito utilizada nos tempos de escola c+s do (grande) autor, para apaziguar um pouco a luta entre o SIM e o NÃO.

a expressão era: TAF - tentativa de aborto falhado

E daí, frases como:
...."O ambrósio é um TAF."
...."Oh Ambrósio, és um TAF!"
...."E quem não saltaaaa... é TAAAAAFF! Ambrósio, não saltaste, és um TAF!!"

eram das frases mais ditas depois de:
...."últimos a ir à baliza!!"
...."já deu o 2º toque?"
...."vamos jogar ao roda-bota-fora?"
...."oh stôra, não me marque falta de material..."

o aborto, infelizmente, tema de todas classes sociais e faixas etárias.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

por dentro

dentro da cama, o corpo inteiro tentava adormecer ignorando o frio.
os pés roçavam-se um no outro para aquecer, assim como as pernas, que se agitavam incessantemente.
o estômago, ainda cheio da refeição anterior, refilava com os dois pares, gritando-lhe barulhos digestivos para que ficassem quietos.
toda a gente sabe que é o estômago que manda no corpo humano.
se bem que nos homens, na presença de senhoras, quem assume por instantes o comando é o pénis.
só que este, após breve diálogo com a mão direita, dormia já a sono solto.
os olhos, fechadinhos, tentavam ignorar os berros do estômago que, não percebiam porquê, continuava muito irritado.
"está com azia" esclarecia a boca.
os pés, finalmente mais calmos, juntavam-se, prontos a dormir também.
só as pernas batiam ainda com os joelhos uma na outra, não conseguindo escapar ao frio.
então, as mãos, num acto heróico e com vista a calar o estômago e garantir o sossego, foram colocar-se em cima dos joelhos, aquecendo-os e abrandando a tremideira.
por fim todos estavam em condições de adormecer tranquilamente.
apenas o cérebro e o coração não fazem tenções de dormir, dialogando a noite toda em silêncio.
"toma lá, dá cá, toma lá, dá cá...", cantam afonicamente em uníssono.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

geração rasca?

devo optar por ganhar muito dinheiro,
fazendo aquilo de que não gosto, mas que até aguento?

ou optar por ganhar menos dinheiro,
fazendo o que gosto, mas não ganhando para o sustento?
.

terça-feira, janeiro 23, 2007

manual de encher chouriço

aviso: o texto que se segue encontra-se desprovido de qualquer tipo de interesse.
.
no outro dia queixava-se o (grande) autor à sua (grande) namorada, de que não fazia ideia de quanta gente, concretamente, lia o seu blog.
de frisar que a própria não lê o blog do seu (grande) namorado/autor.
não lê, mas disse-lhe que o seu público seria certamente como o público que vai ver e gosta dos filmes do (grande) Woody Allen.
"poucos, mas fiéis".
primeiro que tudo, se o (grande) autor é grande, então o Woody tem de ser infinito.
em segundo lugar, será que existe mesmo um público fiel a este espaço?
e será que o facto de a nossa própria namorada não ler o que escrevemos quer dizer que somos demasiadamente maus?
ou demasiadamente bons?
ou será que, simplesmente, não lhe suscitamos interesse?
a única certeza é a de que a vida lá fora é uma selva e neste mundo cão não se consegue agradar a gregos e troianos.
seja como for, gostei da comparação (ainda que com a devida distância milenar) com o Woody.
Woo, para os amigos.

domingo, janeiro 21, 2007

é uma questão de

Mostrava o canal de TV que transmitia o jogo Benfica-Leiria, uma senhora de idade no estádio, de terço na mão e a rezar, enquanto o Benfica fazia por ganhar o jogo.
Ora, ver o Benfica jogar é isso mesmo.
É ter uma fé, seja no céu, seja na terra, de que os encarnados irão vencer.
Os adeptos dos outros clubes devem ter uma pequena convicção, alguma esperança, de que o seu clube irá ganhar, mas ninguém espera da sua equipa como o adepto vermelho.
Ser do Benfica é sofrer, por vezes, mas sorrir na maioria delas.
É acreditar sempre no meio táctico para se chegar ao fim glorioso.
É sorrir, gritar, abraçar até a parede quando é golo.
Ninguém deixa um jantar queimar por causa do Sporting.
Nem se manda um soco na mulher porque o Porto sofreu golo.
Ser do Benfica é atirar com o crucifixo ao chão e mudar para outra religião se o Benfica perde.
É bater no marido e deixar queimar o jantar.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Já dizia João das Regras, jurisconsulto de D.João I

.
"Senhor, prometei o que não tendes e dai o que não é vosso."
.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

o universitário

quando o dia lá fora é noite
quando a noite lá fora é dia
sabemos que o universitário vive
porque a sua cadeira chia

quando o pequeno-almoço é o lanche
bem como o almoço o jantar
a ceia é sempre a ceia
mas o universitário não mastiga devagar

queimadas as pestanas
a almofada cheira a pó
o cobertor está frio
mas o universitário não está só

consigo tem os livros
os que o acompanham jornada fora
amigos leais, dos melhores
os que estão lá a qualquer hora

como se nota bem claramente
o universitário está a ficar meio louco
se já era um tudo nada demente
agora será mais, mas só um pouco.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

situação horrível

não há explicação para a impressão que faz saber que estas coisas se passam.
leiam com atenção o que a Sofia escreveu.

http://eteceterasentretempos.blogspot.com/2007/01/caem-me-lgrimas-s-catadupas.html

domingo, janeiro 14, 2007

uma opinião sem interesse mas

para onde foi Rui Costa terminar a sua carreira?
para o Benfica, onde sempre disse que terminaria.

para onde foi Luís Figo terminar (quase de certezinha) a sua carreira?
para a Arábia Saudita, quando sempre disse que terminaria a sua carreira no Sporting.

afinal parece que os catalães sempre têm razão quando chamam "pesetero" ao nº7.

ps - sabia que o Barcelona, quando Figo se passou para o inimigo madrileno, permitia que qualquer adepto que tivesse comprado uma camisola daquele enquanto este jogava na Cataluña, a trocasse por uma de qualquer outro jogador do Barça?

sexta-feira, janeiro 12, 2007

aconselho cardoso



Em exposição no Museu Gulbenkian até domingo.
A não perder.
Ponto.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

CDs piratas: a verdadeira história

Hoje, o facto de o (grande) autor estudar direito servirá para alguma coisa.
(que o sirva pelo menos uma vez na vida!)

Anda por aí um mail a circular, com o boato de que não podemos ter cd's gravados no carro, porque numa operação-stop a polícia pode revistar-nos o carro e autuar-nos por cópia ilícita.
Ora, isto é a mais pura mentira.

"E porque é que é mentira, [grande (e sábio)] autor?", perguntam vocês.
Porque, quando a reprodução de um cd se enquadra no conceito de "cópia privada" e, conforme é referido no art.º 81º, b) do Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, não atinja a exploração normal da obra, esse tipo de cópia é consentido.

Ou seja, se vocês copiarem o cd para vocês próprios ou para um amigo e só tiverem uma ou duas cópias, seja no carro ou no bolso de trás, não há infracção.
Agora, se tiverem 40.000 cópias, enfiadas num saco preto, com respectivas caixas e capas sacadas da net, como fazem as pessoas duvidosas...aí talvez já haja um ligeiro problema de "exploração anormal da obra".

Esse mail é pura treta, talvez até tenha sido lançado por alguma editora, que se lembrou que se calhar assim as pessoas copiavam menos CDs e compravam os originais.

Para completar, atentem na Lei:

Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos
Artigo 81º - Outras utilizações

É consentida a reprodução:
a) Em exemplar único, para fins de interesses exclusivamente científico ou humanitário, de obras ainda não disponíveis no comércio ou de obtenção impossível, pelo tempo necessário à sua utilização;
b) Para uso exclusivamente privado, desde que não atinja a exploração normal da obra e não cause prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor, não podendo ser utilizada para quaisquer fins de comunicação pública ou comercialização.


É o milagre da multiplicação dos CDs.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

auxiliares verbais

Portanto, assim começa este texto.
Quer dizer, começa este texto...aaaa, assim a modos que, no início, prontos.
Fundamentalmente, o texto tem um começo que ocorre, quer dizer, agora.
Por exemplo, o texto agora já vai a meio, pronto.
Essencialmente é isto, digamos que não há muito mais, quer dizer, está a chegar ao fim.
Aaaa, de maneiras que...pronto.

(e foi mais um telejornal da TVI)

a culpa

não morre solteira.
então a sacana, escolheu-me como marido e agora não me deixa dormir!!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

actividades que se tornam de repente super interessantes

ora aqui vai uma listinha das actividades que de repente se tornam muito interessantes, quando se tem de estar a fazer alguma coisa que não essas mesmas actividades, tais como estudar direito fiscal:

- limpar o lava-louças - incrível. naqueles momentos de maior aperto e responsabilidade, o lava-louças adquire uma peliculazinha de gordura que tem de ser lavada. não dá para adiar. só se pára quando se passa com o dedo e não escorrega.

- lavar a roupa - sim, há certos momentos em que todos os boxers, cuecas, truces, peúgas, slips, collants, cintos-de-ligas, facas-na-liga, meias, meias-elásticas, etc, etc, têm de ser lavadas e passadas a ferro de seguida.

- ordenar os cd's por ordem alfabética e pô-los dentro das caixas certas - não há quem aguente ir buscar um cd de Marante, abrir a caixa e estar lá dentro o cd do Fernando Correia Marques. que fazer? arrumar essa trapalhada toda!

- ver o "sozinho em casa II" em VHS, cheio de poltergeist, gravado no natal de 1994 - não há como um bom filme com a dupla Macaulay Culkin/Joe Pesci para acalmar o stress.

- arrumar tudo o que sejam armários, despensas ou coisas com prateleiras - tem de ser, para se poder encontrar sempre o que se procura. um gajo tem de ser organizado. além disso esta conduta atrai quase sempre a presença feminina. com sorte talvez atraia também a presença feminina bisexual.

- ver o Benfica-Belenenses da época 86/87 que está a passar na RTP memória - para tentarmos antecipar jogadas que vimos aos 4 anos de idade, a ver se a memória funciona mesmo ou se paramos com os 3kg de queijo diários.

- escrever listinhas destas - isto é um ciclo vicioso, caraças.

terça-feira, janeiro 02, 2007

clube de vídeo

o (grande) autor aluga muitos filmes, para além de ir ao cinema, para os preços praticados pelos donos das salas escuras não aumentarem muito o buraco negro da sua carteira.
ora, no clube de vídeo onde costuma ir os empregados perguntam sempre em voz alta, na altura do pagamento, se é aquele o filme que a pessoa quer levar.
abrem a caixa e confirmam, o que até não é mau, dado que já aconteceu os filmes estarem trocados.
não é simpático um gajo chegar a casa a pensar que vai ver o "aeroplano", abrir a caixa e dar de caras com o "rocky XXIV".

enfim, tudo isto para dizer que as pessoas que alugam filmes pornográficos é que não devem achar muita piada às confirmações dos empregados.
imagino a cara daqueles senhores que vão ao clube de vídeo alugar um bom serão com umas pipocas, estão a pagar, à frente de umas jovens simpáticas, já a fazer olhinhos e a trocar dois dedos de conversa, quando de repente ouvem uma voz na sua direcção:

- então o senhor quer levar o "Eduardo Mãos de Pénis", "A Senhora dos Anais" e o "Apollo 69 - O Buraco Negro" ?

domingo, dezembro 31, 2006

primeiros números natalícios

entre 22 e 25 de Dezembro, os portugueses enviaram cerca de 427 milhões de mensagens escritas.
ora, a (pelo menos) 0,o9€ a mensagem, dá um total de ....
38.430.000 €
(trinta e oito milhões, quatrocentos e trinta mil Euros)
pelo menos, porque nem todos pagam 0,09€ a mensagem, há quem pague 0,12€ ou 0,15€.

adiante.
e para quem vai esse dinheiro?
instituições de caridade?
associações promotoras de bem-estar social?
para a conta do (grande) autor?
para a conta do (grande) leitor?
nem para o governo???
(bem, uma parte ínfima irá, indirectamente, através dos impostos)

acertaram.
tchan tchan tchan tchaaaan!!
vão sim para os cofres das empresas de telecomunicações.

aquelas mesmas que acusamos de serem manipuladoras, controladoras e de praticarem preços excessivos.
e depois circulam aqueles mails a incentivar ao "dia-sem-telemóvel", para criar rombos nos lucros das empresas e forçá-las a baixar os preços.

deixem-me rir.
e continuar a pagar.

sábado, dezembro 30, 2006

E.R.evolta

os médicos estão em luta.
mais concretamente, 19 directores hospitalares do hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, que se demitiram, por causa de um sistema de controlo de entradas e saídas via impressão digital, que ainda nem sequer foi implementado.
"Depois da Inspecção-Geral de Saúde ter concluído que mais de 70 hospitais não estavam a controlar faltas e atrasos dos médicos, o sistema de controlo de assiduidade está a ser implementado em vários hospitais."
(fonte TSF online)

ora bem, vamos à luta!
porquê?

"José Pedro Silva, presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, diz que o sistema só prejudica o exercício da actividade médica, acrescentando que os médicos não podem estar sujeitos a horários rígidos. (...) O responsável acrescenta, ainda, que se for implementado este sistema de controlo rígido de horários, «o mais provável e que os médicos comecem a trabalhar menos, porque perante este tipo de sistema vão passar também a sair à hora que está estipulada no horário, independentemente dos doentes que estiverem à espera»."
(fonte TSF online)

sim senhor!!
qual querer-se perceber quais são os médicos que chegam tarde qual quê!
o que interessa é que os médicos tenham a liberdade de entrar e sair como e quando quiserem, sem se sentirem pressionados.
não interessa quem falta, quem trabalha para tapar a falta de outro, quem trabalha pouco ou muito, quem pica o seu ponto ou o do colega.
interessa sim que o médico não se sinta algemado ao estetoscópio.

até porque, já pusémos homens na Lua, mas não conseguimos, através de um sistema de controlo eficaz, perceber quem é que fica até mais tarde para operar ou quem é que não veio porque foi de férias antecipadas??

já agora, se um médico falta, passa um atestado médico a si próprio?
"Olhe que não, Sr. Doutor, olhe que não..."

sexta-feira, dezembro 29, 2006

mais uma pérolazinha

o (grande) autor divulga aqui mais um cheirinho de bom português, emanado de alguém que não me consigo recordar, após uma pergunta de uma jornalista.
alguém esse que até deve agradecer este excesso de consumo de queijo por parte do (big) author.
senão atentem:

"pois minha senhora...isso, muito possivelmente...vai ser impossível."

domingo, dezembro 24, 2006

a todos os opinadores

uma páscoa feliz com muitos ovinhos e coelhos de chocolate.
no entanto, cautela com as dores de barriga.
e se tiverem problemas intestinais, tomem aquele medicamento cujo slogan publicitário reza assim:

"não-sei-quê...para parar a diarreia, antes que ela nos pare a nós."

HO, HO, HO.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

os meus presentes

quero para o natal:

- um concerto de nirvana no coliseu de lisboa
- o magnusson de novo no Benfica
- o aeroporto para sempre na portela
- o herman com o cabelo castanho
- Lisboa sem parquímetros
- um loft em Nova Iorque

mainada.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

uma ceia de natal (parte II)

Efectivamente, lá vinha o Tiago, de 24 anos, mas o único ainda com paciência para se mascarar e fazer os três sobrinhos mais novos felizes.

O Ricardinho, de 3 anos, que nem sequer repara no esforço inglório do tio, entretendo-se antes a rabiscar o chão de mármore da sala, com umas canetas de acetato que a sua prima mais velha, Teresa, 8 anos, lhe tinha dado especialmente para o efeito.
A Margarida, de 6 meses, dormia no sofá da sala, enquanto dois primos lhe queimavam as pontas dos cabelos com o isqueiro do pai, e a já referida Joana, que em vez de apreciar o trabalho do seu tio, preferia estar a comer os restos das bolachas que se encontravam num pires, no chão que, supostamente, pertenciam ao gato.

O gato é o "capado", nome que vem, é claro, do facto do gato ter sido capado aos 4 meses, após ter estabelecido o recorde do quarteirão na categoria de procriação, visto ter engravidado as 7 gatas da vizinha de cima, tendo , para se deslocar de casa em casa, utilizado as escadas de emergência do prédio.

Enfim, lá vinha o valente Tiago, que já dava graças a Deus por ter corrido tudo bem na entrega das prendas, quando, ao sair da varanda, sofreu uma rasteira dada pelos seus sobrinhos gémeos, um de cada lado, numa mistura de Jorge Costa e Paulinho Santos, indo embater com a cabeça no corrimão da varanda, abrindo-a de par em par, criando um pequeno ribeiro de sangue, o que despoletou uma berraria geral.

Uns pelo facto de a varanda estar a ficar suja, outros pelo simples facto do pobre rapaz ter rasgado as calças novas na queda e ainda outros pelo facto de a coca-cola ter acabado e não haver nenhum supermercado aberto onde comprar.

Os únicos que prestavam atenção ao rapaz inanimado no chão eram os dois gémeos, que apenas se aproveitavam da posição ridícula do tio para se rirem às gargalhadas e lhe darem uns quantos pontapés nas costas e nas pernas, terminando a actuação com um glorioso atirar da água que se encontrava no jarro mais próximo para cima do corpo do tio, que já estava coberto por dezenas de papéis de prendas, atirados para lá à toa, após o "ataque" aos sacos destas.

A avó, ao reparar que as suas hortenses tinham acabado de ficar sem a sua preciosa água e a sua varanda estava atulhada de papel de natal, decide:

-Vá lá meninos, tudo na rua, já é meia-noite e doze e eu quero-me ir deitar! Apanhem os papéis, lavem a louça, acordem o Tiago e digam-lhe para limpar a porcaria toda que fez na varanda, dêem de comer ao gato e ponham os meus presentes em cima da minha cama. Os presentes de que não gostarem, ponham-nos em cima da mesa que eu dou-os como prendas ao pessoal lá da repartição.

E assim foi. O Tiago passou mais uma noite de natal no hospital, todos tiveram as prendas que não queriam, exceptuando o Pedrinho, que recebeu o cócó falso que já ambicionava há tanto tempo, os tios foram levar as avós a casa, em cascos de rolha, e o “capado”, para variar, ficou esquecido na varanda, pensando se não seria melhor atirar-se lá para baixo, pondo assim fim a uma vida de agonia.

Escusado será dizer que o avô teve de pedir outro empréstimo ao banco para pagar os múltiplos estragos causados pelos seus netos por toda a casa, ao longo da noite.

Enfim, mais uma noite de Natal como tantas outras…

terça-feira, dezembro 19, 2006

uma ceia de natal (parte I)

o (grande) autor, há muito tempo que tem a mania que escreve.
assim, deixo aqui uma descrição de uma ceia de natal, escrita por esse moço no dia 16/10/99.
qualquer semelhança com a família do (grande) autor é mais do que uma coincidência.

O som vindo da sala de estar da casa era assustador.
Cerca de 24 pessoas falavam, gritavam, expunham ideias todas ao mesmo tempo…todas na esperança de que as outras as ouvissem e não prestassem atenção à conversa vinda de apenas um meio metro dos seus tímpanos.

Era noite de natal, mas mesmo assim não eram dadas quaisquer tréguas e todos queriam falar mais alto que os outros, resultando num som que chegava aos ouvidos das pessoas que habitavam nos três andares inferiores.

A avó reclamava que a sua pensão ainda não tinha chegado e que já ia com duas semanas de atraso, a tia falava na sua operação bem sucedida ao rim esquerdo, o tio contava todos os detalhes, bastante importantes para a ceia de natal, deixando os provadores do bacalhau de mau aspecto, em agonia, agravada esta pela excelente descrição de como o bisturi cortava partes do interior da tia, fazendo espirrar algum sangue para a bata do doutor…enfim, o normal.

Numa divisão mais distante da sala, um dos primos mais pequenos pegava fogo a uns quantos papéis da secretária do avô, papéis parecidos com os do banco, relativos ao empréstimo contraído para o finalizar das obras da cozinha, onde nesta, uns miúdos, supostamente primos, se despachavam a acabar com todas as sobremesas, que também não tinham um aspecto muito saudável.

Após toda esta maravilhosa ceia, todos se reuniram na sala-de-estar, esperando um suposto Pai Natal, que se vestia num dos quartos do fundo, rezando para que, ao aparecer na varanda, carregando quarenta e três quilos de prendas, nenhum dos primos mais pequenos o fizesse tropeçar num fio de nylon, previamente esticado à entrada da varanda e o fizesse cair, partindo o queixo, tendo de levar doze pontos, como sucedera no ano anterior.

Assim, enquanto todos estavam na expectativa de receberem mais um par de meias, ou uma sempre útil cassete de vídeo, ou ainda então um ainda mais surpreendente after-shave, com 79% de álcool , a tia-avó Zulmira discutia com a avó Etelvina o facto de ter gasto uns incríveis 1,55€ num pisa-papéis comprado numa loja recondita da Av. Das Forças Armadas para dar à sua sobrinha-neta mais nova, a Joaninha, de 1 ano e meio, tendo sido esta a sua prenda mais cara:
- E então não é que os sacanas dos monhés lá da loja me queriam vender a porcaria do pisa-papéis por 2,50€, só porque parecia que tinha pepitas de ouro lá dentro…e eles até diziam que eram pepitas verdadeiras, parece impossível, não é ?

Ao que a avó ripostava:
-Pois é, esta gente agora está tudo doida, veja lá que a mim me pediam 3€ por dois pares de meias ali nos ciganos do Saldanha, é claro que acabaram por baixar para os 2 euricos, que eu até achei caro, mesmo assim…
-Pois é, pois é, agora não se pode confiar em ninguém, e então já soube que a nossa querida amiga Gertrudes, no dia em que fez 79 anos, quando ia a atravessar a rua, reparou que o sinal estava vermelho, e então parou, só que parou já no meio da passadeira e levou com um rapazinho que lá vinha numa daquelas máquinas da morte, as bestas…
-Ah! As vespas!
-Sim, sim, isso, bem, como eu ia a dizer, a nossa pobre amiga ficou tipo aqueles desenhos-animados, toda espalmadinha no chão e o rapaz da mota só partiu a cabeça, a perna esquerda, o braço direito e o pé esquerdo, esse assassino! Mas diz que a Gertrudes não tinha tomado os comprimidos nessa manhã, e por isso é que achou que o melhor era parar a meio da passadeira. Estava baralhada, a pobrezita...
-Pois é, naturalmente esqueceu-se. Olhe, eu também acho é que ela já estava com os pés para a cova há muito tempo e só estava cá a estorvar…Deus me perdoe, mas é assim que eu penso.
-Pois, mas é assim…olhe, já lá vem o Tiaguinho a fingir de Pai Natal… eu nem sei como é que os miúdos ainda acreditam nele, o rapaz nem sequer trouxe a barba de Pai Natal !!!!

(continua)

domingo, dezembro 17, 2006

para os que compreendem

eu vejo-te, mas não te posso tocar.
eu ouço-te, mas não te posso falar.
eu cheiro-te, mas não me posso aproximar.
num relance, quando passas por mim, sinto-me a levitar.

o que em mim provocas
é digno de mil e um poemas
de longe, em todo o meu corpo tocas
contigo por perto esqueço todos os problemas

toda tu caminhas serena e confiante
pela certeza de saberes que todos te desejam
sê a minha princesa, serei o teu cavaleiro andante
esquece todos os outros, que com os olhos te beijam

fazes-me desfalecer de vontade
contigo a metade do meu corpo sente-se completa
tu... uma pizza quatro queijos
eu... um estúpido de dieta.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

pérolas

o (grande) autor tem andado a tomar nota de pérolazinhas proferidas por pessoas que têm o privilégio (ou não) de aparecer na caixa mágica.

Mr.-dou-pontapés-nas-coisas-porque-fui-eu-que-as-paguei-Avelino-Ferreira-Torres:

"(...) porque quando se mexe com coisas de sensibilidade, como são os cemitérios de mortos e coisas do género…o sr. Presidente da câmara tem de se pôr à tabela, não vá ser preciso puxar-lhe o bigode!!"

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Anderson, jogador de 19 anos do FCPorcaria, que não pode jogar, depois de se ter lesionado numa entrada limpa do (grande) katsouranis:

Jornalista - O que achas do porto sem si?
Anderson - Aaahh... O porto sem si, sem eu…está a jogar bem.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

as minhas amígdalas

antes de começar o relato do episódio, no mínimo, desinteressante para todos vós, tenho a dizer-vos que é, na sua totalidade, absolutamente verdade (rimou).
então, o (grande) autor às vezes almoça na escola, quando o tempo não permite a vinda a casa.
sempre é uma boa oportunidade para desafiar o estofo do estômago e dos intestinos.
treiná-los para uma viagem a marrocos, o costume.
o almoço foi almondegas, com arroz e salada.
a salada, de tomate, alface e cenoura ralada.
acabou o almoço e ficou o mestre com uma sensação de que tinha ficado um bago de arroz escondido por debaixo da língua, naquele sítio impossível de chegar com a língua ou com os dedos, estão a ver?
aquele sítio em que irrira à brava, um gajo fica com a sensação de arranhão constante até o detrito sair dali, percebem?
(se não souberem como é acho incrível)
bem, o bago não saía nem por nada.
assim, o-que-vos-escreve foi à casa-de-banho chafurdar no interior da sua boca, a ver se o bago desopilava.
bochechou, gargarejou, tentou tirar com os dedos e nada.
bem, lá passou o nosso herói a tarde com a sensação de arranhão constante, muito irritante (rimou outra vez).
chegado a casa, foi ver o que se passava na sua bocarra.
lanterna em punho, em frente ao espelho, vislumbrou uma coisa na amígdala direita.
parecia estar espetado, ou coisa que lhe valesse.
foi buscar uma pinça e tratou de, bem iluminado pela luz da lanterna, averiguar a situação.
de respiração sustida, lá arrancou o pedaço de comida misterioso com a pinça dos pêlos das sobrancelhas de alguém-que-não-ele.
o que era?
um pedaço de cenoura ralada que se tinha espetado (literalmente) na amígdala.
não é gozo, o (grande) autor tem umas amígdalas com buracos, quem já as viu sabe como são.
mas daí a um pedaço de cenoura ir brincar ao túnel do marquês para lá...
enfim, muito interessante, como tinha advertido.

terça-feira, dezembro 12, 2006

10 dicas para pseudo-feirantes

o (grande) autor, como do ar não sobrevive, de quando em quando desloca-se até à feira da ladra para vender tudo o que lhe aparece à frente, desde cd's, meias, tupperwares ou o beto.
(o beto vendi-o logo, como saco de boxe)
assim, aqui deixo 10 conselhos (de uma lista infindável) para que possam tornar as vossas idas à feira da ladra o mais confortáveis possível.

10º- Levar agasalhos e botas no Inverno e sandálias e calções no Verão. A feira é como o deserto. No Inverno gela-nos e no Verão destila-nos.

9º - Não entrar em caso algum em conflito com os outros feirantes. Porque conflitos com pessoas que se levantam às 4 da manhã para ganhar a vida nunca são favoráveis a jovens de 20 e poucos anos. Além do mais eles conhecem-se todos, o que torna o ambiente bastante pesado, em todo o recinto.

8º - Levar bastante água e um bom farnel. Tal como no deserto, a água é um bem escasso. A comida, composta por chocolates (para dar energia) e sandes, ajudará a tapar buracos no estômago.

7º - Levar sacos de plástico em abundância. Porque o comprador quer sempre levar o artigo num saquinho, mesmo que seja um berlinde, um selo ou uma pulseira.

6º - Levar muitos trocos. Os clientes de manhã nunca têm dinheiro certo. Pagam sempre com notas de 10 ou 20. E muitos negócios não se fazem por não haver troco. Já para não falar no cenário de feirante experiente que se adquire, ao caminhar ao som de um irritante tlim-tlim.

5º - Levar uma cadeira ou um banco. É essencial, se não quiserem passar 7 ou 8 horas a sentar-se no chão ou mesmo de pé, se estiver a chover. Lembrem-se que não vale encostarem-se aos carros do vizinho, que estes não acham piada (ver conselho 9º).

4º - Levar um plástico gigante para o caso de chover, para não ficarem com a montra encharcada. Façam uns buracos no plástico para que este não voe com a montra atrás, levados pelo vento como as bancas dos vossos vizinhos incautos.

3º - Fazer sempre um preço acima daquilo pelo qual estão dispostos a vender. Porque as pessoas regateiam sempre, mesmo que o preço seja 0,20€. Assim, se querem vender por 1€, ponham o artigo a 1,5€.

2º - Levar um artigo que chame a atenção de todos os clientes, mas que ninguém vá comprar. Por exemplo, uma boneca insuflável. Se alguém a quiser comprar, podem sempre dizer que é a vossa mulher e que não está à venda por menos de 200 camelos. Se aparecer um árabe rico aí a coisa fica preta, mas raramente aparecem.

1º - Fazer saldos de final de dia. Se até a uma hora da altura de se irem embora não tiverem feito a maquia que esperavam, façam saldos loucos. Coloquem cartazes “tudo a um Euro” e berrem como as ciganas que vão ver que se livram da merda toda rapidamente.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

agradeço

porque escrever não tem preço
e porque o faço com apreço
pois se não escrevo ainda me esqueço
de que como (grande) autor reconheço
que a escrita é o meu gesso
nos dias partidos em que espaireço
e se não escrevo desapareço

(e que este poema é merda pura no seu começo)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

eu tenho-a

foi ontem o (grande) autor ao concerto de YO LA TENGO.
na aula magna, tudo sentadinho, como manda a coisa, o concerto foi bem giro e teve momentos a roçar o giríssimo, tiazocamente falando.
porém, destoando de todo o ambiente calmo, estavam os seguranças de uma empresa privada, contratados para assegurar da paz no recinto.
como se sabe, o público que assiste a um concerto deste género é conhecido pela tendência instável e geralmente violenta.
de costas para o concerto e bem de frente para o público, um dos seguranças parecia aguardar que alguém, exaltado numa melodia mais desafinada, saltasse para o palco para assassinar o baixista ou tentar violar a baterista.
no final do espectáculo o público pedia bis, claro está, que 22€ não se fazem valer apenas do alinhamento previsto.
esse segurança, cabelo rapado tipo-calçada-portuguesa, falava incessantemente através do seu auricular, assegurando a presença rápida, se necessária, da brigada anti-motim da PSP.
ele falava, olhava para a multidão e voltava a falar, com o dedinho encostado à gruta-de-cera.
no final, enquanto alguns saíam, outros conversavam ainda dentro da sala, esperando o escoar da primeira vaga, permancendo de pé, ou ainda sentados nos seus lugares.
o segurança, não satisfeito com a calmaria apresentada pelo público em geral, decidiu ir pôr ordem num rapaz que, claramente, ultrapassava a linha que separa o civismo do vandalismo.
chegou-se ao pé do anarka e disse-lhe:

"Olhe, não se pode apoiar em cima do braço da cadeira! Sente-se lá como deve ser, fachavor!"

domingo, dezembro 03, 2006

uma frase

dita por um primo meu, hoje:

"Quando me olho ao espelho desejava ser uma mulher...para poder conquistar o homem que vejo."

terça-feira, novembro 28, 2006

frase de conversa de elevador do mês

"então, isto é que é chover, hein?"

segunda-feira, novembro 27, 2006

manias

algumas manias do (grande) autor, que fazem desse gajo um ser único no mundo:

- Limpar as plantas dos pés descalços com as palmas das mãos antes de entrar na cama, mesmo que estejam a brilhar como a testa do santana lopes.

- Comer as refeições a ver o telejornal, iniciando-as ao mesmo tempo que este, mastigando ao ritmo das diferentes reportagens sobre cheias e julgamentos de figuras públicas.

- Fechar tudo quanto é cortinado e persiana de casa, praticando para quando for um famoso-qualquer-coisa-género-marco-do-big-brother.

- Trancar o carro duas vezes, não vá a 1ª ter sido imaginação e o ladrão aproveitar a ocasião deixada pela imaginação.

- Deixar sempre tudo para a última da hora, só trabalhando bem sob pressão, aumentando em muito os níveis de adrenalina e stress. Porém, só raramente se equiparam estes aos sentidos no Portugal-Inglaterra do Euro 2004.

- Berrar "Vamos embora!! Tudo a arregaçar as mangas como o Carmona!!" antes de iniciar qualquer tipo de actividade física ou mental, sozinho ou acompanhado.


cada maluco com sua mania.

quinta-feira, novembro 23, 2006

a maior árvore de natal da europa

pois é caros amigos, está a ser novamente construída no terreiro do paço a maior árvore de natal da europa, com o patrocínio de um banco, o mesmo banco, novamente.
que bom, uma árvore de natal!!
e tão grande!!
nada como uma bela peneira para tapar o sol que nos bate forte na cabeça.
nada como tentar desesperadamente incutir numa população os valores da política dos 3 R's e depois construir uma árvore de natal com 75 metros de altura e 2,5 milhões de lâmpadas.
nada como anúncios na televisão a dizer que devemos poupar água e separar o lixo e não fumar em locais fechados para nos sair pela porta o que tentamos (e muito bem) fazer entrar pela janela.
já imaginaram a quantidade de electricidade que se gasta, para ter aqueles 2,5 milhões de lâmpadas a funcionar durante não-sei-quanto tempo?
e para quê?
aquela iluminação natalícia ilumina os lares dos que nada têm?
ilumina os sem-abrigo, que morrem de frio no inverno?
ilumina os cães e gatos abandonados nos canis municipais?
ilumina as ceias de natal dos que têm 7 filhos e uma mãe e um pai desempregados?
ilumina os prédios que metem água o inverno inteiro?
ilumina os milhares de desempregados?
ilumina as contas de quem tem conta naquele banco?
(não notei qualquer iluminação na minha...)

a única coisa que aquela árvore ilumina é a contradição portuguesa.
limpar de um lado para ir sujar do outro.

HO, HO, HO...


ps - em baixo fica um excerto da cientificidade do problema

" O GAIA fez uma estimativa do impacto da "árvore" em termos de emissões de gases com efeito de estufa.
Como é sabido, Portugal está longe de conseguir alcançar os compromissos de Quioto e será obrigado a pagar uma elevada factura, através da aquisição de emissões a outros países, para não cair em incumprimento.
A estrutura de 180 toneladas de ferro da árvore tem incorporadas 26 toneladas de CO_2 eq. na sua produção.
A isto se acrescem 132 toneladas de CO_2 das emissões do gerador associadas a um consumo de cerca de 50 mil litros de gasóleo e à produção de 464100 kWh de energia eléctrica para a iluminação da árvore - o correspondente ao consumo de aproximadamente 170 lares com um agregado de 3 pessoas num ano.
O total das emissões - 158 toneladas de CO_2 equivalente - irá contribuir para o aumento das emissões do nosso país e, como tal, irão engordar a factura que teremos que pagar pelo nosso incumprimento.
Com a tonelada de carbono a 23 €, este capricho comercial e publicitário do Millenium BCP, deixa uma dívida de cerca de 3650 €, que terá que ser paga por todos os portugueses.
A estas emissões há que acrescentar todo um conjunto de impactes ambientais e sociais decorrentes da exploração de petróleo para o gerador e da exploração mineira para a estrutura. Esta exploração contribui para a destruição de comunidades locais e para a degradação ambiental em países do Sul, sendo geradora de uma dívida ecológica de Portugal para com esses países. "

segunda-feira, novembro 20, 2006

mito confirmado

o (grande) autor teve a oportunidade de confirmar um mito urbano já antigo.
aquele de que é possível assistir a mais do que uma sessão de cinema no corte inglés tendo comprado apenas um bilhete.
ontem, acompanhado de uma cúmplice, o destemido (grande) autor ousou ludibriar toda a rede de segurança do local (aproximadamente nenhuma) e, após visionar um filme, entrou noutra sala onde estava a começar outro, tendo-o visto também!
no final, saíram os criminosos impunes e vitoriosos.
ao que parece, terão até dito em uníssona surdina:
caramba, como sabe bem ser um fora-da-lei.

sexta-feira, novembro 17, 2006

todos os patinhos, sabem bem nadar

um amigo do (grande) autor (um dos 3) anda de carro.
normal, muita gente anda de carro.
mas o carro do meu amigo mete água.
literalmente.
tem um buraco qualquer na parte de trás e quando chove muito, o porta-bagagens fica alagado.
mas não é um "alagado" tipo-ai-que-já-meti-o-pé-nesta-poça-que-chatice-agora-ainda-me-constipo.
é um "alagado" tipo piscina-do-inatel.
assim, de quando em quando, lá vai o meu amigo com um recipiente, tirar a água, toda suja, derivado ao nível de sujidade no interior do leva-corpos.

uma noite, por essa Lisboa fora, já anestesiado, o meu amigo recebeu um telefonema da irmã, a pedir que levasse o pato (que estava cozinhado e cheio de molhinho num tupperware no porta-bagagens) para casa, quando chegasse.
ora, o meu amigo, distraído como é e com um compincha para a distraidice como o álcool, é óbvio que se esqueceu do quá-quá na bagageira.
no dia seguinte, depois de uma noite de chuvada, o meu amigo notou que o interior do carro cheirava a uma fragância diferente.
bruxo.
o pato, já descongelado, nadou uma última vez.

quarta-feira, novembro 15, 2006

ser ou não ser....tuga

uma grande amiga minha foi de viagem até à Alemanha.
lálálá, gostou muito e quando voltou contou-me um episódio, que provocou discórdia e risadas entre os presentes.
assim, parece ser um dado adquirido que nos WC públicos tem de se deixar uma moedinha-tipo-gorjeta num pratinho que está ao lado do lavatório.
porém, não há ninguém a vigiar o pratinho, apenas o secador de mãos, com ar despreocupado.
à saída da casa-de-banho, um outro amigo meu perguntou à minha amiga se ela teria deixado a "gorjeta".
a minha amiga, como tuga que é, respondeu que não.
aí o meu amigo colocou-a na esfera dos que dão prejuízo aos donos do serviço, já que utilizou a casa-de-banho, mas não pagou a utilização.
é nesse momento que a personalidade tuga vem à tona.
responde então a minha amiga:

"não lhes estou a dar prejuízo nenhum! porque, tal como não lhes paguei o serviço, também não lhes tirei as moedinhas todos do prato. acho que teriam um prejuízo bem maior se lhes roubasse as moedas todas, já que não está ninguém a ver, do que não tendo posto lá nenhuma moeda..."

mentalidade tuga é que é!
eu não pago, mas também não te roubo. estamos quites.

domingo, novembro 12, 2006

a minha noite de sábado

o (grande) autor já não tem o andamento de outrora, mas de vez em quando ainda surpreende.
senão atente:

21h - chegada a um jantar em casa de uns amigos.
21h -->> 02h - ingerir compulsivo de cerveja entre conversas com amigos.
02h - ida para uma festa num teatro da capital.
02h -->> 06h - ingerir compulsivo de cerveja, conjugado com passos de dança semelhantes ao acasalamento de babuínos e conversa com amigos e desconhecidos alternadamente. de salientar algumas brancas memoriais parciais.
06h - saída da festa.
06h05m - entrada num carro de um amigo.
06h06m - constatação do estado alcoolizado do mesmo amigo.
06h07m - constatação de que seria tarde demais para sair do carro, visto que o mesmo se encontrava em andamento.
06h08m - ponderação de puxamento de travão-de-mão de forma a imobilizar o veículo e sair do mesmo.
06h09m - feliz afastamento da ideia prévia e início de actividade de reza.
06h14m - constatação de actividade celular no bolso devido a vibração de aparelho de telemóvel.
06h15m - conversa com outro amigo que tinha ficado sem gasolina junto ao aqueduto das águas livres.
06h15 -->> 06h49 - branca memorial total.
06h50m - entrada em bomba de gasolina com garrafão de 5L para enchimento com gasóleo
06h52 - derrame de um litro de gasóleo pelo chão da bomba de gasolina intercalado com risadas em volume elevado.
07h15 - chegada ao local do incidente.
07h16 -->> 07h32m - riso compulsivo derivado do aspecto do amigo com o colete reflector vestido.
07h47 - partida para casa sempre em modo de reza activo.

domingo, novembro 05, 2006

mais uma velhota

o (grande) autor, bom samaritano assumido, tentou mais uma vez ganhar o seu lugar no paraíso, ajudando uma velhota.
desta vez foi à entrada do seu próprio prédio, mais concretamente, à entrada para o elevador.
enquanto o (grande) autor abria a porta da rua e se introduzia no edifício, viu que estava uma senhora velhota em posição de Martim Moniz no elevador, ou seja, meio-dentro-meio-fora.
tentava a senhora colocar uns sacos dentro do elevador, estando a usar para segurar a porta (sem o nosso herói reparar) o seu ancestral rabiosque.
ora, o samaritano, ao ver a aflição da senhora naquele segura-a-porta-atira-com-os-sacos-para-dentro-do-ascensor, fez o que muita gente rude não faria, segurou-lhe a porta, abrindo-a.
ora, a senhora não tinha ouvido (ou fez que não ouviu) a aproximação de um estranho.
assim, mal o (grande) autor lhe abriu a porta, a dama, que se apoiava naquela, deixou de ter apoio, caindo para trás, qual mergulhador olímpico, de traseiro no mármore.
o (grande) autor, não conseguindo esconder um risinho homosexual, de pronto ajudou a senhora a levantar-se, enquanto esta rogava pragas a alguém, em jeito de Alberto João.
está claro que a lesionada exigiu ir sozinha na viagem, tendo o nosso quase-escuteiro de esperar, não fosse tentar levantar a saia à menina entre o 3º e o 4º andar.
enfim, preso por ter cão e preso por não ter.
preso por não segurar a porta, ou preso por atirar indirecta e inadvertidamente uma anciã ao chão.
é penálti, shôr árbitro!!

quinta-feira, novembro 02, 2006

a(belha) maya

outra noite, foi o (grande) autor a uma discoteca da capital.
uma discoteca com nome de líder espiritual, ali para o lado das docas.
grande erro, pensarão os senhores, grande erro, pensou também o nosso herói.
chegado à porta, deparou-se com a última pessoa que pensaria ver naquele momento.
a maya.
a figura do jet-set português maya.
a taróloga maya.
sim, a abelhinha era a porteira, auxiliada por um outro porteiro, daqueles do género vou-ao-ginásio-18h-por-dia-e-tenho-um-número-de-neurónios-inversamente-proporcional-à-quantidade-de-músculos, todo vestido de beige.
aliás, estava tão vestido de beige que parecia um táxi, já que os sapatos eram pretos e faziam de pneus.
enfim, não sei se a gerência do bar quer prever futuros problemas no interior da estrumeira e como tal conta com a bola de cristal da maya, mas por alguma razão a senhora lá deve estar.
ou por alguma razão ou então por razão nenhuma.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Omo sexual

Agustina Bessa-Luís, vencedora do Prémio Camões em 2004, mostrou há uns dias que as gerações de ontem se adaptam perfeitamente aos tempos de hoje, sendo até por vezes, mais avançadas que as gerações de amanhã.
Em entrevista concedida ao jornal dos raios UV, a escritora rematou para golo, aquando de uma assistência que indagava a sua opinião sobre a homosexualidade:

"Homosexuais? Não tenho nada contra os homosexuais. Agora, paneleiros? Não os suporto."

Se calhar a shôdona Agustina, do alto dos seus 84 anos, foi dar um pézinho de dança ao Lux.

domingo, outubro 29, 2006

A1

o (grande) autor, adepto do desporto-príncipe, ouviu no sábado passado uma frase proferida por outro adepto, deveras divertida, mas que não espelha o pensamento de quem vos escreve.
o adepto, benfiquista, claro está, disse então, passadas as devidas asneiras introdutórias:

" (...) No Porto só há uma coisa bonita. É a auto-estrada para Lisboa!"

terça-feira, outubro 24, 2006

(grande) autor radiofónico

aqui o vosso grande(autor)/amigo/familiar/conhecido/sem qualquer tipo de relação tem agora um programa de rádio com um amigo seu, também vosso amigo para alguns, o tiago cabeludo.

a emissão (por agora) é apenas online, ou seja, têm de ir a http://radio.ist.utl.pt/ouvir/
que é o site da rádio do instituto superior técnico e descarregar a possibilidade de se rirem um bocado.

como se chama o pugrama?
mar de rosas. porque a vida é um mar cheio delas.

quando passa?
às 18h de todas as terças, repetindo às 20h de todas as sextas.

duração?
meia-horita de pura diversão, com musicada de quando em quando.

de que tipo é o SHOW?
é do género de ter muita graça, criticando pelo meio tudo e todos.

periodicidade?
semanal, claro está.

intervenientes?
capitão jota e general pum pum.

porque hás-de ouvir o programa?
porque o jorge perestrelo morreu e nós estamos cá para o tentar substituir.

o programa tem um blog?
tem, claro, para vocês poderem descarregar as emissões, quando não as puderem ouvir em directo, ou ler os textos em que se basearam as mesmas.

e qual é, oh esperto?
ah, é www.marderosas.wordpress.com


disfrutem. ou não. vivemos num país livre.

quinta-feira, outubro 19, 2006

avô télélé

outro dia ouviu o (grande) autor uma história contada na 1ª pessoa.
a esta 1ª pessoa, vamos chamar-lhe "avô", dada o seu estado avançado de idade.
assim, o avô deslocou-se há uns dias a um teatro, aquando de um aproveitamento de um convite para uma ante-estreia.
sozinho foi, dado que não aprecia companhia nestas lides dos beberettes pós-estreia, vá-se lá saber porquê.
porém, pré-espectáculo, já devidamente sentado, lembrou-se que tinha o telemóvel no bolso.
um "moderno", como gosta de se auto-intitular, mesmo com 80 e poucos anos, até há 3 dias não tinha celular.
só que a neta quis mesmo oferecer-lhe um e uma pessoa nada nega a uma neta, correcto?
o único problema é que o avô percebia tanto de telemóveis como o pauleta de golos.
é óbvio que o télélé estava ligado e o avô não o sabia pôr no silêncio.
como tal, lá estava o aparelho no seu bolso, qual bomba prestes a explodir no meio do espectáculo.
o avô pediu então à pessoa que estava sentada ao seu lado que lhe pusesse aquela merda no modo silencioso.
só que a pessoa ao seu lado era uma espécie de nuno gomes.
também não percebia de golos e além disso o seu telemóvel não era da mesma marca, o que dificultava ainda mais o remate à baliza.
já com taquicardia, dirigiu-se o avô às meninas que indicam os lugares, na esperança que uma delas, com ou sem decote acentuado, lhe fizesse um milagre telecomunicacional.
uma delas fê-lo, sim.
mas fê-lo tão bem que lhe desligou mesmo o telemóvel.
e agora o avô continua sem o aparelho a funcionar, visto que não sabe o PIN.
mas ao menos viu uma menina bonita a fazer milagres e um espectáculo tranquilo, sem receio de uma explosão ring-ringada.

segunda-feira, outubro 16, 2006

diário da beatriz batarda

o (grande) autor admira muito a actriz beatriz batarda, que fazia de mãe da "Alice". admira também o pianista bernardo sassetti. fiquem ainda os caros leitores a saber que estes dois são casados.
assim, o (grande) autor resolveu imaginar um dia no diário de beatriz batarda.
reza assado:

07h34 - hoje o sásá acordou-me com uma música composta por ele só para mim. é um amor, adoro acordar ao som do piano.

07h56 - o sásá fez-me o pequeno-almoço enquanto ouvíamos um cd dele. põe-me logo bem-disposta.

07h58 - o sásá afinal não me fez o pequeno-almoço, disse que não podia cozinhar porque poderia magoar os dedos. fiz-lhe eu uns ovinhos mexidos com bacon.

08h16 - o sásá pediu-me que lhe atasse os sapatos. aparentemente, ele e os atacadores não têm uma boa relação e ele tem medo de apertar um dedo.

08h24 - fui trabalhar. o sásá deu-me um beijo apaixonado para se despedir de mim. tive de ser eu a fechar a porta porque ele tem medo de se entalar.

10h34 - o sásá ligou-me a chorar. deixou cair uma partitura e, ao apanhá-la, cortou-se num dedo. queria que fosse para casa fazer-lhe um curativo. acho que está a ficar maluco.

13h28 - vim agora de casa, fui fazer o almoço ao sásá, que gastou um frasco de betadine a desinfectar o mini-corte. já para não falar no meio rolo de papel higiénico.

17h45 - outra vez o sásá a chorar ao telefone. agora deixou cair a tampa das teclas do piano nas mãos. diz que lhe dói muito e acha que partiu um dedo. vou sair mais cedo das gravações para ir ver como é que aquele tarado está.

20h19 - o sásá gastou o gelo todo no dedo. não tenho gelo para o meu gin tónico. já me estou a passar.

23h24 - vou dormir, finalmente. o sásá está na sala, ainda a tentar tocar o "parabéns-a-você". diz que quanto mais cedo montar o cavalo outra vez, melhor. amanhã a ver se lhe parto as duas mãozinhas à martelada.

terça-feira, outubro 10, 2006

novo sol na eira

caros leitores, é dever do (grande) autor advertir:

há um novo sol a iluminar o nosso país.
e cuidado, que este queima mais que o outro.
porque os raios ultra-violeta vêm em expresso.

sexta-feira, outubro 06, 2006

o barricado II



na edição de hoje do público, por... quem mais? luís afonso.

quinta-feira, outubro 05, 2006

o barricado

chegou aos ouvidos do (grande) autor que o mais recente caso hollywoodesco das ruas de setúbal não passou de uma manobra publicitária.
ao que parece, o barricado não era mais do que um actor contratado pelo banco espírito santo para "assaltar" a dependência bancária de setúbal, tendo o departamente de publicidade do mesmo o objectivo de aumentar o mediatismo daquela instituição.
o número de pessoas a quererem uma conta no "banco-do-barricado" quadriplicou e há até arrumadores que de deslocam todos os dias de Lisboa para arrumar os carros à porta do BES, tal é o movimento.
"o departamento de publicidade e marketing está de parabéns", disse Andrade, o segurança da dependência, que não se sentiu em qualquer momento assustado, "excepto quando o actor começou a rir histericamente e a gritar que o banco e o mundo eram dele".
de fazer inveja a um denzel washington.

terça-feira, outubro 03, 2006

pelo ambiente

o (grande) autor, como defensor da natureza e do ambiente, deixa aqui um site (que sítio é português, mas não lembra ao diabo) sobre o que podemos fazer, individualmente, para poupar energia e proporcionar aos nossos filhos e netos uma vida respirável e amena.

como exemplo deixo um conselho copy pastado básico:

"Desconecte o carregador do seu telemóvel quando nao estiver a utilizá-lo.
Quando está ligado à tomada eléctrica, este continua a consumir energia mesmo quando não está ligado ao telemóvel.
Há estimativas que calculam que 95% da energia é desperdiçada quando deixa o carregador ligado à tomada durante todo o tempo."

http://ec.europa.eu/environment/climat/campaign/index_pt.htm

dêem uma voltinha, vão aos quatro temas principais e pasmem-se com o que andam a desperdiçar, consciente ou inconscientemente.

segunda-feira, outubro 02, 2006

intranet


quando o (grande) autor era criança, a janela para o mundo estava na parede, no carro, no avião, no comboio...
hoje, a janela para o mundo?
está mesmo à sua frente.

quarta-feira, setembro 27, 2006

eu estou doente

um agente da autoridade foi detido, por ter tido um comportamento violento na junta médica da PSP de não-sei-onde.
mas, porque razão se "passou" o shô guarda?
porque estava de baixa psiquiátrica há mais de um ano e agora a junta médica vinha dizer que, após exames, consideram que o senhor está apto para toda a actividade (!!!!!).
que horror.
um homem está louco, está fora de si, está mal psicologicamente, está de baixa, claro!
está uma pessoa muito bem em casa e agora vem um grupinho de doutores dizer a um gajo que está apto para trabalhar?
para tra-ba-lhar?!!??
o (grande) autor tentará agora reproduzir o diálogo:

- pois é, caro senhor, você está óptimo, pode começar a trabalhar outra vez já amanhã.
- tou o quê?
- está óptimo, o senhor revela melhorias vastas, os exames médicos indicam que poderá voltar ao trabalho.
- mas eu estou de baixa psiquiátrica!!
- estava, meu amigo, agora já o avaliámos e você, que sorte, pode voltar a vestir o uniforme.
- ai, acho que tou aqui a ter um acesso de raiva...
- como?
- é. tá-me mesmo a dar prá loucura...apetece-me mesmo partir aqui esta moldura com a fotogafia dos seus filhos...
- desculpe? não estou a perceber...
(CRASH!!)
- ups...oh meu amigo, diga-me lá que eu não estou louco que eu parto-lhe aqui o consultório todo.
- mas você passou nos exames, você está bem!!
- ai tou??
(CRASH, CATRAPIMBA, PUMBA, BANG)
- aaaa....
- e já agora, assine-me lá os papéis para o resto da baixa, senão, louco como estou, ainda lhe parto uma perninha ou duas.

domingo, setembro 24, 2006

porquê (grande) autor ?

porque é que o (grande) autor se auto-intitula desta forma, perguntam vocês, (grandes) leitores.
passará aquele a explicar.
numa noite de folia, numa casa denominada de "casa aberta", utilizada para convívio jovial e exposições variadas, deparou-se o (grande) autor com a seguinte situação:
estava sentado no chão, em converseta com amigos e amigas, encostado a uma ombreira de uma porta.
porta essa que dava para um quarto, onde se encontrava uma mini-exposição de fotografias.
as fotografias, algumas, tinham futuro, outras, nem tanto.
cervejola aqui, o-benfica-é-o-maior acolá, o governo-isto-e-aquilo, quando surge um rapazola que se interpõe no espaço físico do nosso debate.
diz o rapaz então ao (grande) autor, com os bons modos de um rinoceronte a quem lhe enfiaram o próprio corno no ânus:

- olha lá, sai daí que tás a tapar a entrada para a minha exposição.
- desculpa?
- sai da porta que tás a impedir a passagem para a minha exposição.
- não tou nada, dá para as pessoas passarem perfeitamente.
- olha lá, quantos anos é que tens?
- 21, porquê?
- pois...eu tenho 27. se tu fosses artista e autor, percebias o que eu quero dizer.

claro que o mestre ignorou o rinoceronte indisposto e continuou a conversa com os seus amigos, desta feita gozando com a atitude sobranceira do animal da savana, mais ao menos até ao resto das suas vidas.

sexta-feira, setembro 22, 2006

a minha mãe não me deixa emprestar

o (grande) autor, neste último ano do seu curso que decorre, faltou a algumas das aulas iniciais a uma dada disciplina.
como tal, na aula seguinte a que foi, há dois dias, tentou providenciar uma forma para obter tal matéria, fundamental para aprovar o exame.
assim, puxou dos galões, arregaçou as mangas, ajeitou as zonas baixas, fungou o nariz e decidiu-se a tocar na rapariga sentada à sua frente.
a menina acusou o toque e logo se virou para trás com ar galante.
o (grande) autor, bonito como é, logo fez uso dessa que não é a sua melhor arma, mas que não o deixa ficar mal, abrindo muito os olhos azul-cor-de-tejo e encetando o seguinte diálogo:

- olá, desculpa, vieste às duas últimas aulas?
- sim, vim. porquê?
- ah, é que eu faltei e estava a pensar se não me poderias emprestar o teu caderno para tirar fotocópias dessas aulas...
- hhmm...não sei...não costumo fazer isso.
- aaahh...mas era só tirar as fotocópias agora a seguir a esta aula, dava-te o caderno logo, eram 2 minutos.
- pois, mas eu nunca emprestei o meu caderno a ninguém e não o vou começar a fazer agora, porque assim que se abre uma excepção, depois nunca mais se volta atrás.
- (????!!!????) aahh... ok, deixa estar então, obrigado.

e foi assim que o nosso herói, por uns breves 32 segundos, voltou à primária e se voltou a encontrar com aquela rapariga que não lhe emprestou a caneta de feltro vermelha para pintar o símbolo do benfica.

quinta-feira, setembro 21, 2006

amolador


como nem só de parvoíces trata este espaço, aqui fica um pouco de cultura de bairro.
felizmente, nasceu o (grande) autor num bairro em que todos os dias se ouvia um silvo no ar.
mais tarde mudou de casa, mas manteve-se na mesma zona, ouvindo ainda o silvo.
o silvo provinha da flauta do amolador.
o amolador é aquele senhor (rimou) que anda de um lado para o outro, consertando guarda-chuvas, facas e afins alheios.
na sua bicicleta ou no seu carrinho, vai tocando a sua flauta, chamando os clientes à rua.
hoje em dia há muito poucos e (tristemente) as gerações mais recentes já não os reconhecem.
no meu bairro ainda há e ainda hoje o vi, à chuva.
tocava a sua flauta e procurava clientes, calmo, como se em 1986 estivéssemos.
ou isso, ou então estava completamente entupido em prozacs, para andar tão calmamente debaixo do chuveiro natural que se instalara.
pronto, lá tinha que vir a parvoíce...

quarta-feira, setembro 20, 2006

mais conselheiro CINEmental

o conselheiro CINEmental volta em grande força, depois de uma estada numa bela estância, chamada "águas de bacalhau".
sejam aconselhados CINEmentalmente.
sejam felizes.

senhoras vs homens

em dia passado, deslocou-se o (grande) autor até à loja de desporto decathlon.
acompanhado de um amigo, ambos com vontade de ver e tocar todo o tipo de utensílios para a prática de desportos variados, deambularam pela superfície durante hora e meia, mexendo em tudo mas comprando nada.
em análise ao tipo de clientes e seu comportamento na loja, deparou-se o (grande) autor com uma verdade incontornável e de imenso peso social:
os homens vão à decathlon como as senhoras vão à zara.

o sexo masculino também têm necessidades de vagueio em lojas, tal como as suas colegas do sexo oposto.
a diferença é que estas vão às zaras, bershkas, stefanels e demais...enquanto aqueles vão às decathlons, sportzones, casas dos pneus e afins.
(alguém se lembra da casa dos pneus?? bela casa.)

as senhoras provam biquinis, calças, camisolas, roupa interior, chapéus e malas, fazendo comentários aos próprios corpos e aos das amigas.
os homens, por seu turno, jogam à bola com o pretexto de que estão a ver se a bola "agarra bem".
assim como andam de skate para verificar o estado dos rolamentos.
jogam basebol porque nunca puderam jogar e estão sempre a ver nos filmes americanos.
atiram bolas de rugby e futebol amAricano uns aos outros a distâncias de 15 metros.
fazem swings com tacos de golfe, quase atingindo os outros clientes.
provam luvas de boxe e dão socos nos sacos em exposição.
experimentam bicicletas e trotinetes.
ou perguntam o preço das pranchas de longboard e de wakeboard.

porém, no final, homens e senhoras fazem o mesmo:
saem de mãos a abanar.
as senhoras devolvem os 23kg de roupa que experimentaram às empregadas, para que estas as dobrem e arrumem, saindo em direcção ao café mais próximo para debate pós-experimentação-de-roupas.
os homens, pousam tudo no chão ou arrumam fora do lugar, saindo em direcção à tasca mais próxima, imaginando-se a competir entre todos num desporto para cuja prática não adquiriram material.

terça-feira, setembro 19, 2006

o aspira-bosta

muitos lisboetas têm cãozinho ou cadelinha.
muitos lisboetas são uns cãezinhos e outros apanham cadelinhas, mas isso é outra conversa.
ao que o (grande) autor quer chegar é que em Lisboa há muito cão e cadela por aí a passear-se.
como geral e infelizmente os donos dos cães não apanham os restos dos seus animais, agora há um novo funcionário camarário (rimou) que por aí anda a fazer o papel de dono, sem sequer ter cão.
este tipo de funcionário faz parte de uma nova estirpe de super-herói, recente, que se passeia numa motoreta.
pois é, o salvador das solas dos nossos sapatos vai de mota, pelos passeios, com um super-aspirador atrapado ao veículo bi-rodal.
de passeio em passeio, vai aspirando as mousses e éclairs do chão, para que nós não os levemos para casa, bem embrenhados nas solas.

é caso para os miúdos dizerem:
"é um pássaro? é um avião? não!! é o aspira-bosta!!! EEEEEEHHH!!!"

assim, tomem nota desta (óptima) medida camarária e lembrem-se, se ouvirem uma mota no passeio, pensem duas vezes antes de derrubar e espancar o motociclista, pois poderá ser o aspira-bosta, aquele que, literalmente, limpa a merda que os outros fazem...

domingo, setembro 17, 2006

já lá foste?

o ser humano é estranho.
tem uma necessidade forte de divulgar ao seu semelhante todo e qualquer facto agradável que conheça.
as pessoas, quando vão jantar a um restaurante bom, não descansam enquanto não contarem a todos os que conhecem, como é óptimo o sítio onde comeram o repasto.
é um defeito do ser humano, porque aposto que as leoas não vão contar umas às outras onde é que existem os melhores antílopes para se caçar, ou as zebras mais saborosas.
ainda há uns meses, foi o (grande) autor comer que nem um alarve a um restaurante porreirinho.
há dias voltou lá o nosso mestre, tendo-se deparado com um aglomerado de populaça tal, à porta, que seguiu o seu caminho para outro local-de-encher-o-bandulho.
é assim, o pessoal não descansa enquanto não conta ao vizinho, ao porteiro, ao segurança, ao arrumador, que conhece um sítio assim e assado, muita bom e barato.
eu cá, sou apologista de que não se deve divulgar os sítios onde vamos, porque senão, passados uns tempos, já o local está povoado e com tendência a piorar.
e quem diz restaurantes, diz praias, jardins, parques e afins.
nunca percebi porque é que as revistas ditas "de qualidade" têm aquela necessidade de divulgar listas sobre as praias mais bonitas e desertas de Portugal.
inserem as listas em artigos pouco claros e com bastantes fotografias, com o objectivo de divulgar, simplesmente.
enfim, daqui a uns anos já não haverá sítios desconhecidos nem por explorar.
não digo que não seja bom receber um bom conselho sobre qualquer coisa, mas com a tendência para o passa-palavra dos tugas, rapidamente o local agradável passa de "bom e sossegado", para "bom, mas chei' da malta".

sexta-feira, setembro 15, 2006

uma achega

como diriam clara pinto correia e margarida rebelo pinto, um pouco de plágio não faz mal a ninguém.
assim sendo, lá bai disto:

sabem como é que o macgyver sai do deserto utilizando apenas uma laranja e o seu marido, o canivete suíço?

o macgyver pega no canivete e parte a laranja ao meio.
da laranja espreme o sumo.
do sumo retira a vitamina.
separa a "vita" da "mina".
com a mina provoca uma explosão.
a explosão provoca um terramoto.
separa a "terra" da "moto".
pega na moto e vai-se embora.

quarta-feira, setembro 13, 2006

análise de poema

tal como se analisam os poemas de Pessoa no secundário, pensa o (grande) autor ser de extrema urgência a análise de canções infantis cantadas por esses recreios fora.
assim:

sete e sete são catorze
com mais sete vinte e um
tenho sete namorados
mas não gosto de nenhum

ora, começando pelo primeiro verso:
sete e sete são catorze, denota uma forte capacidade das crianças para a matemática.
está arruinado o mito de que os portugueses não têm jeito para a matemática.
escusam os jovens de, a partir de agora, ir para letras "para fugir à matemática".

segundo verso:
com mais sete vinte e um, confirma a tendência patente no verso anterior.

terceiro verso:
tenho sete namorados, denota uma grande promiscuidade não revelada pela juventude.
enquanto se pensa que as criancinhas estão a jogar ao berlinde ou a saltar à corda, eis que, subliminarmente, se afirma numa canção a predisposição para o namoro.
salienta-se aqui também o sentimento de partilha entre o género masculino, que não se importa de compartilhar a namorada, tal como empresta as canetas de feltro.

quarto verso, finalizando:
mas não gosto de nenhum.
aqui é utilizada uma metáfora, fortíssima.
dado que a moçoila tem sete namorados mas não gosta de nenhum, é claro como água engarrafada que a catraia está apaixonada pelo figo, o ex-jogador com o nº 7 da selecção portuguesa de futebol.
ou então, que é lesbiana.

sexta-feira, setembro 08, 2006

uma análise brilhante

há uns dias, estava o (grande) autor nas suas lides nocturnas numa tasca da nossa Lisboa, quando, em conversa inevitável com um nativo sobre o recente caso "mateus", este mesmo espécime bolsou a mais simples e completa análise ao caso.
passo a citar:

" (...) eu não sou leigo nestes assuntos, mas o problema é que o major (valentim loureiro) fez tudo nos conformes!! aí é que está a porra!! "

tá feito...foi o mordomo!

quinta-feira, setembro 07, 2006

73 virgens

o pessoal já sabe que morrer em nome de alá dá direito a 73 virgens no além.
o além não é um bar no cais do sodré, mas sim o sítio para onde um gajo vai parar depois de morrer em nome de ála, vulgo, "paraíso".
entonces, morrer em nome de alá é sinónimo de "desflorar-73-virgens-novinhas-em-folha-lá-no-paraíso".
porra.
como diz um amigo meu, então um tipo esfola-se a trabalhar cá na terra, um gajo mata-se lá nas obras e depois de morrer em nome divino ainda tem de ir desmamar meninas?
quer dizer, o pessoal cá em baixo desgrunha-se em trabalhos pesados, come mal o mês inteiro, poupa para ir à bola aos fins-de-semana e ainda tem de, depois de batida a bota em nome do senhor, ir ensinar virgens a brincar aos médicos??
pelamordedeus...
isso das virgens não interessa a ninguém!
o que interessa hoje em dia, é morrer em nome do senhor, mas chegar ao paraíso e ter 73 pamelas anderson, que sabem o que fazem!
73 porno-stars, habituadas às lides sexuais e que não precisam de indicações!
agora um gajo sacrificar-se, mas chegar ao paraíso e ter de dar uma de professor pardal no jardim de infância da casa pia?
poupem-me à crise...

segunda-feira, setembro 04, 2006

top ten dos mais odiados

aqui fica um top ten [elaborado pelo (grande) autor ], das pessoas mais odiadas pela maioria dos portugueses, na actualidade:

10º - josé castelo-branco (porque sim)

- osama bin laden (porque fica bem ser anti-terrorista)

- abel xavier (pela mão no jogo contra a frança)

- george w. bush (porque é mesmo estúpido)

- zidane (pelos dois penaltis concretizados)

- durão barroso (por ter fugido para bruxelas, para comer couves dum tacho)

- herman josé (por nos ter dado "o tal canal" e o "hermanias" e agora nos dar a merda do "herman sic")

- o "espanhol" (porque quase todos os tugas odeiam os espanhóis)

- pauleta (por ser o maior falhado da história do ataque futebolístico nacional)

- antónio fiúza - presidente do gil vicente (vejam uma conferência de imprensa dada pelo senhor e percebam porquê)

quinta-feira, agosto 31, 2006

expliquem-me uma coisinha

o (grande) autor tem uma dúvida.
todos as temos, de quando em quando, e há umas mais pertinentes que outras.
começando, o (grande) gajo-que-escreve-isto adora ver o telejornal das 13h.
por vezes até se senta uns minutos antes do início da cena, para não perder pitada e fazer a contagem descrescente para as 13h, juntamente com os relógios da tv, aos berros e despido de roupas e pudores.
acontece que, há uns dias, entusiasmado com a chegada do telejornal, o nosso herói resolveu ver o final do programa da sic que antecede o noticiário.
que erro, minhas caras pessoas-que-estão-a-ler-isto.
tentem juntar na mesma sala psicológica o joão malheiro (sim, aquele senhor do benfica, com a voz de bagaço estragado), a maya (a astróloga privada da lili caneças, que a deixa aparecer nos meandros do jet 7), o josé figueiras (iolaré, iolaré, ih uh!) e o cláudio ramos (o zézé camarinha que joga na outra equipa).
já conseguiram?
tragam agora um saquinho de plástico para o caso da indisposição não passar ao longo do dia.
pois é senhoras e senhores, estas quatro personalidades importantíssimas do nosso Portugal, juntam-se todas as manhãs para comentar....
a fome no mundo?
o conflito israelo-árabe?
os problemas na amadora?
a falta de água no planeta e o aquecimento global?
não.
estão parvos?
eles comentam...as revistas cor-de-rosa.
que por sua vez comentam a vida de pessoas também muito importantes do nosso Portugal.
concluindo, estas quatro...aaah...digamos...figuras...comentam matéria já comentada.
e aqui reside a dúvida do (grande) autor:
este grupo, come os restos dos pratos dos outros?
ou mastiga a comida já mastigada?

quarta-feira, agosto 30, 2006

o pudim d´avó

nos dias que correm, todos temos avós e avôs.
quer dizer, alguns avôs e avós já morreram, mas todos os tivemos, como um casal.
a ideia que temos, é a de que os avós vêm sempre aos pares.

outra coisa.
tenho um primo que, quando era mais jovem, dizia que queria que os pais se separassem para poder receber duas mesadas.
uma dada pela mãe, a outra pelo pai.
há ainda os casos em que os avós também dão uma mesada.
aí, o meu primo teria três mesadas.

hoje em dia, 90% das pessoas que conheço têm os pais separados.
é o meu caso.
ou seja, quando os meus filhos nascerem terão, se tudo correr bem, quatro avós.
o avô e a avódrasta.
e a avó e o avôdrasta.
[será que estas palavras existem? se não existirem quero direitos de (grande) autor!]

já pensaram bem nisto?
podemos ter o nosso filho a dizer que almoça com o avô e janta com a avó.
que estranho, não é?
ter os pais separados já é algo normalíssimo.
agora...ter os avós separados?
será que haverá miúdos com quatro mesadas?
não se me entra na cabeça, tanta separação...e tanta mesada!

terça-feira, agosto 29, 2006

legendas on/off - parte II

aqui fica uma piquêna curiosidade, no seguimento do tema abordado anteriormente sobre legendagem vs dobragem.
em itália, e digo isto de fonte fidedigna (conterrâneos do materazzi), existia um único actor que dobrava o al pacino, o robert de niro e o stallone.
isto é verdade.
chamemos ao "dobrador"... zeca.
o zeca, deveras famoso (um verdadeiro breyner italiano), dobrava os três actores mencionados.
tinha um tom de voz diferente para cada um e nunca se enganava.
em filmes como o "heat - cidade sobre pressão", não se percebia que era o zeca a dobrar tanto o al como o robby.
assim, toda uma população, a partir de uma dada geração, reconhecia a voz do al, do robinho ou do silvestre, vindas estas, porém, de um só mesmo conjunto de cordas vocais.
agora, passada a incredibilidade da cena, vem a parte gira da história.
o zeca morreu há dois anos.
na altura, a grande preocupação dos meus amigos era a de como seria possível ver um filme com qualquer um daqueles três actores, sem a voz que o zeca fazia para cada um??
mas seguramente já existirá um cajó ou um tó mário a dobrá-los outra vez.
o que é muito mais simples do que uma piquêna legendagem, não é?

domingo, agosto 27, 2006

legendas on/off

tem o (grande) autor agora em sua casa a colecção em dvd da série "friends".
puro prazer televisivo.
porém, lembram-se de quando o "friends" estava incluído na programação da rtp1, aos sábados à tarde?
provavelmente não, visto que durou pouco, pois a série estava...
dobrada para português!!
sim, as vozes eram de portugueses, mas saíam das bocas dos americanos!
um fenómeno nunca visto no nosso Portugal.
inédito e único nas sitcoms estrangeiras, desde então até hoje, felizmente.
a moda não pegou, por favor mantenha-se assim!!

agora, um facto interessante, constatado pelo (grande) autor no ano em que esteve em erasmus, é o de que nem franceses nem italianos nem espanhóis falam bem inglês.
digo-o de uma forma geral, confirmado pelos próprios nacionais dos países mencionados.
e que interessa isso, perguntam bocemessês?
interessa que, nestes três países, há a tradição de dobrar para a sua própria língua qualquer anúncio, filme, série ou filme porno que lhes apareça diante da olharia.

ora, a juventude italiana, francesa e espanhola, em vez de consumir o charles bronson ou o stallone no seu perfeito americano, consomem-no na língua materna, não havendo a aprendizagem que a maioria da juventude portuguesa teve com os stevens seagals e afins.

eles não se importam, aliás, detestam que os filmes sejam legendados em vez de dobrados e dizem que nem conseguem ver as imagens e ler as legendas ao mesmo tempo, que é horrível e não sabem como é que em Portugal ainda se faz assim, como se de um terceiro mundo se tratasse.

concluindo, em Portugal há muita coisa feita "terceiro-mundo-style", porém, esta história das legendas é uma medida bem avançada, cá para mim.
o (grande) autor, bem como 98% dos seus amigos, aprenderam e melhoraram em muito o seu inglês/americano desde miúdos, com mcgyvers, Kits, marés vivas e filmalhada da boa.
tudo legendadinho, claro.

sábado, agosto 26, 2006

os meus óculos de sol

não gosto de falar com as pessoas na rua.
quer dizer, não gosto de falar com as pessoas na rua, quando estas não tiram os óculos de sol.
de resto, sou um bicho social, como os outros, com a agravante (grande) autor.
mas quando o meu parceiro de blábláblá não tira os óculos de sol, um gajo não sabe para onde olhar.
se olhamos para os óculos, vemos a nossa própria figura, mas em versão darth vader.
se olhamos para o nariz, começamos a distrair-nos com os pontos negros, as cicatrizes, os macaquinhos ou a forma do cheirador, esculpida por um (pequeno) autor.
se olhamos para as bochechas, temos borbulhas, pêlos, mais pontos negros, mais imperfeições para nos desviar do objectivo parlatório, já para não mencionar o facto de levarmos o amigo pedro-abrunhosa-waNNabe a pensar para onde raio estaríamos nós a olhar e o porquê da nossa estranha expressão facial.
assim, o (grande) autor opta por olhar mesmo para a "entre-vista".
para a parte dos óculos que não reflecte, que encaixa na parte de cima do nariz.
é uma zona neutra, faz parecer à outra parte que a olhamos nos olhos, quando só lhe queríamos arrancar a capa da cara.
de resto, sou um bicho social, como os outros, com a agravante de (grande) autor.

quinta-feira, agosto 17, 2006

tenho uma dúvida

se "quem espera sempre alcança", mas "quem espera desespera"...

devemos esperar para alcançar?
ou ir embora, para não desesperar?

esta vida é um pau de dois bicos.

quarta-feira, agosto 16, 2006

quem nos lê, nosso amigo é?

este é um post dedicado a todas as pessoas que não conheço, ou que conheço mal, mas que sei que lêem (de quando em quando, pelo menos) esta tão opinosa página.
por vezes sucede a seguinte situação:
está o (grande) autor a meter o dedo no nariz, concentrado na perspectiva de encontrar petróleo no fundo das fossas nasais, para poder andar de automóvel, quando se aprochega uma amiga ou amigo e lhe diz uma frase daquelas que serve de gasolina para o automóvel da escrita continuar a funcionar.
há gente que me vem dizer que o primo da amiga lê o meu blog.
que o papagaio do carteiro do cunhado aprendeu a ler através do blog.
que o sr. zé da mercearia baixou os preços num dia em que estava bem-disposto por ler este mesmo blog, que lhe foi recomendado pela sobrinha, que tem uma amiga que costuma lê-lo.
enfim, todo este palavreado para agradecer a todos os que aqui continuam a vir, sendo que dá gosto (gostinho a morango) saber que muitas pessoas nem me conhecem e o fazem livremente, sem a coação moral do (grande) autor.
a todos, um bem haja.
(e com esta última frase acabei inexplicavelmente de envelhecer 42 anos...)

terça-feira, agosto 08, 2006

água

caramba, tenho sede!
tenho sede, bebo água.
bebo água, mas água potável.
potável, não água salgada.
água salgada há no mar.
o mar está junto à praia.
na praia faz calor.
faz calor, eu tenho calor.
tenho calor, bebo água.
bebo água, porque tenho sede.
caramba, tenho sede!!

terça-feira, agosto 01, 2006

a bébé faz cócó

outro dia estive a assistir (friso, a assistir, não a participar) na mudança de fralda da minha prima mais nova, de oito mesinhos.
a rapariga é a coisa mais fofa do mundo, não desfazendo as outras coisas fofas assim-assim.
mas como é que é possível uma criatura tão pequenina, tão inocente, entrar em guerra com o ar da sala em que se encontra, como se de um conflito israelo-árabe se tratasse??
a coisa começa com umas contracções, uns sinais de esforço, que culminam (sempre, mas sempre) na seguinte frase, dita por um dos progenitores:
"ai tão linda, tá a fazer um cocozinho."
ao empregar um diminutivo do acto, o progenitor está, obviamente, a tentar manter a audiência na sala, evitando a percepção alheia do próximo confronto com a hedionda e castanha realidade.
dizem os psicólogos infantis que não se deve fazer uma expressão de nojo, ao mudar a fralda e olhar para uma coisa, de facto, algo nojenta.
diz-se que os bébés, ao notarem que os pais não apreciam a obra de arte que acabaram de largar na fraldinha, se contraem, ficam inibidos cagatoriamente e não lhes faz bem ao sistema intestinal.
acredito.
assim, o cenário que se apresenta é um pai a mudar uma fralda, a respirar apenas pela boca e a sorrir mais amareladamente que o chichi da filhota, em gritos de "ai que cócó tão lindo!! quem é que faz cócós lindos, quem é?", enquanto os restantes abandonam a sala agarrados às camisolas que lhes filtram o ar poluído.
 
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