sexta-feira, abril 28, 2006

a prima vera

nunca o sol me bateu tão forte no corpo
sabe bem andar ao sol, deixa-me absorto
a caminho do trabalho, pela manhã
sabe bem esse calorzinho... hãn hãn
atravesso a rua sem ser atropelado
sinto-me, de facto, um privilegiado
subo os dois andares até ao escritório
chego cedo, nada mau, um factor abonatório
passo pela máquina do café e dou-lhe uma bofetada
ouço a voz do meu chefe, nada animada
"(grande) autor, você tenha cautela"
logo fiz as pases com a máquina, fiz-me amigo dela.

quarta-feira, abril 26, 2006

há que dizê-lo

mandaram-me um mail há baita buéda time que contava a história de um tuga que foi trabalhar para um desses países lá do norte, onde o frio congela até os manuelinhos.
versava assim:
lem lem lem, o tuga e o amigo nativo iam para o trabalho.
o nativo dava boleia ao tuga e chegavam ao trabalho 20 minutos antes da hora todos os dias.
o nativo fazia questão de parar no 1º lugar do parque de estacionamento da empresa, o mais perto da saída e mais longe da porta de entrada do edifício.
lem lem lem, lá iam 6 minutitos a pé, ainda dava tempo para o cafézinho e cigarrinho da manhã.
um dia o tuga perguntou ao nativo, enquanto caminhavam do carro ao edifício:
- olha lá man, porque é que paramos o carro todos os dias tão longe? temos lugar à porta e tu páras ali ao fundo, tás parvo, ou quê?
- amigo tuga, nós chegamos sempre antes da hora, logo, temos tempo para caminhar a distância do carro ao edifício, no relax. quem chegar atrasado, precisa de ter os lugares mais perto da porta, para demorar o menos tempo possível. tázaver a cena?

ps - quem souber o que são "manuelinhos" ganha um prémio.

segunda-feira, abril 24, 2006

então e vai um cafézinho?

um dia destes, no meu local de trabalho em part-time, decidi (estupidamente) ir beber um cafézinho.
dirigi-me à máquina e optei por abordá-la como se de um cão se tratasse, de mão aberta e devagar, para que me pudesse cheirar e não me arrancasse um dedinho.
"é uma bela máquina", dizia eu para o fantasma ao meu lado, com o intuito de a elogiar e fazê-la babar-se, de preferência para dentro da minha chávena.
feito o contacto inicial, já com alguma confiança, abro o dispositivo, coloco neste a quantidade certa de café para me abrir as pálpebras e "zumba", atarracho-o de novo na chavala.
"on", chávena prontinha a levar com a torrente cafeínica, pacote de açúcar já aberto na mão...
nada sucede.
"hmmm...o erro é sempre humano", penso.
vai de pousar o açúcar, tirar a chávena e espreitar por debaixo do mamilo da senhora.
nisto, visto ter-me esquecido de tranformar o "on" em "off", começo a sentir uma ligeira quimadura húmida na testa.
rapidamente ponho-a em "off" e vou a correr buscar um pano à casa-de-banho.
quando acabo de limpar o anúncio à buondi que circulava na minha cara, reparo que a correria levou a que cerca de 20ml de café se tornassem os melhores amigos da minha camisa.
bonito.
volto para a máquina, a tempo ainda de constatar que o açúcar, emocionado com tamanha algazarra, se tinha jogado para o chão, qual liedson, espalhando-se pela alcatifa.
da minha boca sai um palavrão digno de taberna do cais do sodré.
volto a colocar a chávena debaixo do mamilo do aparelho, ponho-o de novo em "on" e espero mais um pouco.
desta feita para ver o café a sair em direcção ao fundo da chávena como se de um miúdo de 30kg na rampa mais alta do aquaparque se tratasse.
ou seja, galvanizado pela velocidade, chegou ao fundo da chávena e logo começou a sua subida pela borda, lançando-se na direcção mais uma vez do quê?
da minha camisa, claro está.
desta feita solto mais um palavrão digno de taberna do cais do sodré, mas agora em inglês.
se bem me lembro, chamei um nome à mãe da máquina.
de seguida, num impulso furibundo (marido da bunda, furibunda) mando-lhe um soco tal, que o manipulo do café se solta e "zás", voa em direcção à alcatifa começando uma relação do foro sexual com o açúcar.
ligeiramente chateado com " f " grande, começo a tentar acabar com o canal 18 ao nível do chão, enquanto proferia palavras dignas de banda sonora dum filme do género.
nisto sinto uma palmadinha nas costas.
viro-me e dou de caras com quem?
a empregada da limpeza a oferecer-se para apanhar aquilo?
não, claro que não.
com o chefe a dizer-me que "e vão duas...à terceira é de vez."
volto para a secretária com a camisa igual à de um miúdo de 3 anos depois de comer uma sopa de feijão preto, sem ter posto o babete.
adormeço passados cinco minutos, pois café, nem vê-lo.
quer dizer, vê-lo vi, apenas não o bebi.

sábado, abril 22, 2006

bola vs igreja

ir à bola é o mesmo que ir à igreja.
a bola é aos domingos, a missa também.
a bola tem árbitro, a missa tem padre.
a bola tem um esférico, a missa um crucifixo.
a bola tem 22 jogadores, a missa 22 crentes.
na bola o liedson atira-se para o chão, na missa o crente ajoelha-se.
na bola há foras de jogo e faltas, na missa há a bíblia.
na bola há claques, na missa há orações em conjunto.
na bola há "golo!", na missa há "amén!".
na bola paga-se bilhete, na missa paga-se esmola.
na bola há estádios, na missa há igrejas e catedrais.
na bola há equipamentos, na missa existem hábitos.
a luz é a catedral.
simão o deus.
golo!!!
amén.

quinta-feira, abril 20, 2006

back in business

de volta à vida lisboeta, depois de uma semana por terras de pasta, gelados e italianas, o (grande) autor faz assim um rescaldo da última jornada de repouso:

- os pés cheios de bolhas
- a barriga com mais uns centímetros derivado a hidratos de carbono e docinhos
- a cabeça cheia de cultura (não é só para usar chapéu)
- as pernas cheias de músculo andante
- a máquina fotográfica, vítima, com um processo instaurado por abuso de confiança
- as costas com a forma de uma mochila
- os bolsos cheios de chocolates (rebentou-se o pacote)
- a alma ainda a tremer de medo de atravessar nas passadeiras, nomeadamente em nápoles

é com este rescaldo que informo os caros leitores e ouvintes [este blog existe na versão áudio, só que ainda ninguém descobriu como aceder, nem o próprio (grande) autor] que as opiniões estão de volta, bem como o vosso motivo de sorrir...
(ou de cortar os pulsos com um canivete suíço falso comprado na almirante reis.)

terça-feira, abril 11, 2006

só assim por acaso...

se vossa excelência for num automóvel a 146km/h, sentado no lugar ao lado do motorista (vulgo lugar-do-morto) e iniciar a seguinte conversa com o seu amigo:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só destrancar aqui as portas.
- destrancar as portas? porquê?
- porque se tivermos um acidente e capotarmos, não te está muito a apetecer ficar trancado aqui dentro porque o fecho centralizado pifou no meio da cambalhota, pois não? hehehe...
- .......

e passados uns cinco minutos iniciar esta outra conversa:

- então meu, tudo bem? não tás com sono? queres que conduza?
- tudo pá, deixa-me só pôr aqui o telemóvel no bolso de dentro do casaco.
- para quê meu?
- para, se tivermos um acidente e capotarmos, eu for cuspido do carro e ficar imobilizado, poder ter o telemóvel junto a mim e não dentro do carro, todo partido.
- ............................... !!!!!!

sugiro que peça para ir à casa-de-banho fazer uma chichoca na bomba seguinte e nunca mais volte.

domingo, abril 09, 2006

férias na figueira (parte I)

a viagem começou às 20h, depois de um jantarinho em que vítor se foi despedir dos seus amigos, antes de rumar à figueira da foz, sua terra natal.
seriam 22h seguidas a conduzir desde o norte de frança e, apesar das reticências da sua mulher andreia, vítor insistia que conseguia conduzir a viagem toda sem parar.
- não sou homem pra isso, não? além disso perdia os 50€ que apostei com a malta do café...
bem regadinho para o caminho e com as duas filhas, cátia e jessica, sedadas no banco de trás e com uma algália incorporada, seguiam caminho pelas ICs francesas, a fim de evitar as portagens.
passadas 9 horas de viagem, andreia diz a vítor:
- oh amori, vai lá mais devagar...não achas que podíamos parar um bocadinho? é que tenho as pernas dormentes e precisava de mijar.
- cala-te!!!
- ok, tá bem, mas ao menos abre os olhos, que já me tás a fazer impressão.
- cala-te, fo%$-se !!! passa-me os óculos escuros!!
- oh vítor, mas são 5 da manhã...
- cala-te, ca€*lho!!!!

passadas 18h da viagem, tendo vítor abrandado apenas para pôr gasolina em andamento, andreia começa a preocupar-se, pois os olhos do seu valente marido começam a pesar nos palitos, já dobrados de tal forma que pareciam partir-se a qualquer momento.
a distribuir chapadas nas duas filhas e a ler ao mesmo tempo as questões dos leitores da "marie", andreia decide que está na hora de comer.
abre as quatro latas de atum e começa a alimentar as filhas à colherada.
jessica, a dada altura, queixa-se de que está mal-disposta:
- mãe, tou mal-disposta, je quero vomiter...
vítor, olhos raiados, antecipa-se à sua mulher no tempo de resposta:
- car€*ho!!! se me vomitas o carro não comes mais nada o resto da viagem, ouviste??

(continua...)

sábado, abril 08, 2006

emigrante

uma amiga minha está (para muito bem dela) a fazer erasmus na suíça.
terra de emigrantes tugas, a minha amiga tem visto diversas cenas protagonizadas pelos nossos conterrâneos.
porém, houve uma frase que a deixou mais do que convencida de que os tugas, aquando de um desastre nuclear de proporções apocalípticas, prevalecerão.

diz então a mãe para o seu filhote:

"(...) mas porque é que sempre que vimos ao supermarché do centre ville, tu tens que levar nos cornos ?? "

portugal é portugal, o resto vai com a maré.

sexta-feira, abril 07, 2006

coisas

há coisas e coisas que, por muito velhas que sejam, nunca ninguém mas tirará:

1- nestum mel
2- cassetes de vídeo com o "tal canal"
3- capri sonne maçã
4- andar de metro sem pagar (e sem ser apanhado)
5- ouvir cassetes no walkman
6- ver os desenhos animados de manhã (sendo que a diferença é que dantes os via ao acordar e agora vejo-os antes de deitar, mas sempre com pequeno-almoço incluído)
7- cérelac
8- livros do pato donald
9- gemadas

ps- a infantilidade subliminar deste texto não é subliminar. é uma infantilidade presente. porque, e passo a citar o (grande) autor...

o futuro risonho está no passado e na forma como o recordamos no presente.

porém, eu não sou infantil.
tenho acessos de criancice, que é algo bem diferente.

quarta-feira, abril 05, 2006

estrangeirismos

numa época em que a nossa língua é maltratada pelo calão, em que para tudo e todos "muito" é "bué", "possível" é "na boa" e "co'a breca" é "daaa-seee", penso ser a altura de abordar um tema que me está a deixar "uma beca" nervoso.
o estrangeirismo.
não há alma lusitana que não aplique pelo menos um estrangeirismo numa frase de 5 palavritas ou menos.
exemplo:
- tudo bem, jovem?
- tudo nice.
- queres um pontapé no cú?
- népia, não tou no mood.
- então fuck you man, até logo.
- hasta, bro!

sinceramente, não compreendo esta atracção pelo estrangeirismo.
ele é na rua, no autocarro, na tv, no trabalho, na escola, no futebol.
um dia destes imagino-me a entrar no autocarro e o pica vir a dizer "os seus tickets fachavôôôr".
ou numa repartição de finanças: "next..."
será que a nossa língua não é digna de ser utilizada a tempo inteiro?
será que, por já ter uns aninhos, é considerada uma língua "cota"?
já me imagino na bancada a ouvir:
- é offside shôr árbitro!! este muthafucker é mesmo blind!!
e na pizzaria da esquina:
-oh diolinda, queres comer aqui ou pedimos take away?
-não sei alfredo, as you wish.
e para terminar....há uma palavra que me deixa ainda mais arrepiado do que qulquer outra:
"baby".
baby não existe, ninguém pode tratar seriamente um namorado/a por baby!
"bonequinho", "torrãozinho", "amor", ainda vá que não vá, mas baby não, por favor!
e quando forem pais, como será?
- oh baby, vai lá buscar a baby para lhe mudares a fralda que até a vizinha de cima já deve tar mal-disposta, caraças...
- oh baby, vai lá tu, baby...
- não baby, ontem eu dei o banho à baby, hoje és tu no pivete, baby...

fiquêmo-nos pelo nosso tuga, que dá tanto espaço de manobra para as mesmas alarvidades e assim não pagamos imposto pela utilização de língua alheia...

terça-feira, abril 04, 2006

oh inerte, a inércia quer-te

atrapado entre a vontade de ir e a de ficar, enterrei-me mais um pouco no sofá.
mais um zapping, um botão, a programação não era má.
pés na mesa, uma beleza, sentia-me confortável.
mas a indecisão que sentia, ai mau maria, era uma proeza notável.
tenho de me decidir em 5 minutos, senão perco a oportunidade.
vou mesmo ou por aqui fico, que irritação, que dubiosidade.
ok, lá irei, mas primeiro tiro os pés de cima da mesa.
eles caem no chão, que preguiçosos, nunca vista, tamanha moleza!!
arrasto-me sala fora, acendo a luz da casa-de-banho a medo e entro.
aproximo-me da sanita, preparo tudo e levanto o assento.
contas feitas, a coisa já está, já posso voltar ao meu sofá.
para pôr os pés em cima da mesa, ai que beleza, e ver a programação que não era má.

segunda-feira, abril 03, 2006

frases erasmus


como ainda nunca disse isto, estive em erasmus no ano passado.
foi o melhor ano da minha vida.
e na casa onde vivi, dei eu início a um costume algo raro a princípio, mas logo depois seguido por todos os que entravam naquela mansão, nomeadamente, na cozinha.
cada pessoa que pusesse um pé no "quarto-de-cozinhar-coisas-boas", seria livre para escrever o que lhe desse na bolha, nas paredes de azulejo.
este é um ditado (espanhol?) que um amigo hermano escreveu e que significa:

"vive à custa dos teus pais até que possas viver à custa dos teus filhos."

e eu que pensava que era comodista...

quinta-feira, março 30, 2006

saudades

estive a passar números de telefone da memória do telemóvel para uma agenda.
uma agenda à antiga, feita de papel e escrita a caneta.
depois de um ano em erasmus, eram muitos os número de pessoas estrangeiras, de pessoas portuguesas, números de pessoas que não sei quem são...simplesmente já não me lembro.
mas de muitas outras lembro-me perfeitamente.
então, nessa boa meia-hora estive a ver caras a passarem-me à frente.
é impressionante como um número e um nome automaticamente nos transportam para um rosto e um local.
fartei-me de ver amigos, amigas, conhecidos, conhecidas, pessoas em quem já não pensava há muito tempo.
todos apareceram no meu quarto para dizer olá e seguirem caminho, ao bater das teclas do telemóvel.
todinhos, de A a Z...

segunda-feira, março 27, 2006

dono de casa

há uns dias fui estender a roupa.
o dia estava de chuva, por isso tinha de a estender "indoor".
aprochego-me da máquina de lavar e ouço um risinho em surdina.
como estava sozinho em casa, mas não me chamo macaulay culkin, pensei que seria o vento a passar numa frincha duma janela, ou coisa que o valha.
abro a portinhola da máquina e logo sinto um friozinho nos pézinhos.
um friozinho húmidozinho.
coçando a cabeça como um babuíno, logo reparo que o frio e a humidade provinham da água que por sua vez provinha de dentro da máquina.
direccionando todas as injúrias desta língua portuguesa à máquina de lavar, concluo que a mesma se escangalhou e a água não escoou.
a prova estava nos meus pés, que obrigavam o meu corpo a procurar uma pneumonia.
deitando fumo pelas orelhas, tiro a roupa cá para fora e deposito-a no lava-louças, pois estava encharcadinha, como é óbvio.
quando acabo de atirar a roupa lá para dentro, vejo uma pontinha de madeira a sair de debaixo do amontoado de tecido.
era uma colher de pau.
uma colher de pau?
sim, e suja de um molho vermelho.
SUJA DE UM MOLHO VERMELHO???
tiro a roupa a verifico que tinha acabado de a atirar para cima de um tacho que previamente tinha sido utilizado para cozinhar algo com molho de tomate.
daí a colherzinha suja.
passando a proferir impropérios em inglês, atiro a roupa encharcada e suja de molho de tomate para dentro de um alguidar e vou buscar a esfregona para enxugar a piscina olímpica que tinha na minha cozinha.
a coisa começa a correr melhor, eu parecia um profissional da esfregona, consegui apanhar a água toda num tempo record de 16 minutos, enquanto via uma telenovela da tvi, para me acalmar.
de seguida vou com um pano de cozinha enxugar o restante da água de dentro da máquina de lavar.
ensopa o pano, torce para dentro do balde.
ensopa, torce, ensopa, torce, ensopa, torce.
o riso em surdina continuava.
no final da tarefa, reparo que havia um cantinho da cozinha que ainda parecia uma zona para cultivo de arroz.
pego de novo na esfregona, ponho-a naquele buraco para a torcer, começo a torcer a safada e....
SSSPLAAAAAAASSHH
...com a força empregue na torção, viro o balde da esfregona e faço de novo um aquaparque na minha cozinha.
já de lágrimas nos olhos, repito tudo e no final vou à procura da frincha de janela aberta para cessar o riso em surdina.
todas as janelas estavam bem fechadas.
o riso vinha da p... da máquina de lavar.

vamos lá a ver uma coisa

toda a gente sabe que é melhor causar algum tipo de sentimento nas pessoas do que ser ignorado.
é melhor levar uma estalada da rapariga que amamos do que ela passar por nós e nem olhar.
e este blog, como muito outros, está sujeito a críticas.
claro, a crítica, positiva ou negativa, faz parte do jogo e, a meu ver, é muito bem recebida.
porque já me disseram muito bem e já me disseram muito mal.
aceito todas as opiniões, ou não fosse esse o nome do blog.
contudo, um grande amigo meu, por quem tenho grande carinho, outro dia perguntou-me se eu estava a ficar maluco.
não compreendendo, retorqui um elaborado "hãn?".
ele completou:
"estive a ler o teu blog...é tão mau!! parece que andas a escrever merda a metro!!"
ok.
não quero que apenas aqui fiquem os comentários bons, os que me levam a escrever com regularidade, por isso também os comentários que "deitam abaixo" têm de ter o seu espaço.
porém, vamos lá a ver uma coisa:
este blog é merda escrita a metro?
e, na hipótese de o ser.... cheirará muito mal?
é que já se sabe que, aos nossos narizes, a nossa própria merda nunca cheira tão mal como a dos outros...

sábado, março 25, 2006

serviço público

o (grande) autor, um vivido nestas andanças do serviço público, pode afirmar e prontificar desde já uma listinha, das certezas existentes em qualquer desses serviços.
sejam as repartições de finanças, as conservatórias, ou as câmaras, estas são as 11 certezas existentes:

1 - todos os desktop (ambientes de trabalho) de todos os computadores dos funcionários têm uma fotografia de uma ilha paradisíaca, de umas férias ou de um animal de estimação, algo que os faça sair dali em pensamento.
2 - há sempre duas máquinas para tirar senhas, mas apenas uma tem senhas lá dentro.
3 - ao lado dessas duas máquinas há sempre um papel escrito à mão que diz "senha única".
4 - ninguém sorri. nem funcionários nem utentes.
5 - há sempre um papel escrito à mão, pregado ao placard das informações, que diz "por favor evite falar ao telemóvel".
6 - há sempre alguém a falar ao telemóvel ao lado desse papel.
7 - o serviço de pagamento por multibanco nunca funciona, porque há sempre "uma falha no sistema, desculpe lá. olhe, pode ir ali ao multibanco, que fica só a 4 quarteirões daqui, e levantar o dinheiro. quando voltar, tire só uma senha, espere mais 58 números que seja a sua vez e depois poderá efectuar o pagamento".
8 - há sempre gente a praguejar dentro das instalações.
9 - há sempre marcas de socos nas paredes.
10 - pelo menos um dos funcionários tem de estar sempre doente e a queixar-se de que devia estar em casa em vez de estar ali. por vezes pede aos utentes para lhe porem a mão na testa a ver se têm febre. varia.
11 - sempre que se vai levantar um documento, tendo-se telefonado antes para saber se já estava pronto e a resposta ter sido sim...o documento nunca está pronto. falta sempre um carimbo, uma lambidela ou uma assinatura da pessoa que "foi almoçar, aguarde só aí um bocadinho qu'ela vem já tá bem?"

quinta-feira, março 23, 2006

a frase

caros leitores, o (grande) autor esteve outro dia na presença auditiva da melhor frase deste ano.
aquando do grande golo marcado por simão sabrosa ao liverpool, visto a bola ter entrado no canto superior direito da baliza, "na gaveta", uma amiga minha proferiu a seguinte pérola:

"o meu pai sempre me disse: joaninha, no cantinho ninguém vai lá buscá-la..."

autora: joana a.k.a. mémé

terça-feira, março 21, 2006

bip bip bip

ultimamente, tem-me acontecido uma coisa deveras peculiar.
ora então não é que, ao dirigir-me às pessoas, em vez de um cordial "bom dia/boa tarde/comé, tá-se bem?", pela minha boca é cuspido um "tou!" ??
sim, um "tou!"
não é referência aos cromos que saíam no bollicao, os "tou fixaró", "tou c'uma ganda ressaca" ou o "tou com comichão no pé".
eu, literalmente, ATENDO as pessoas.
faço como se de um telefone se tratasse e a 1ª coisa que lhes digo é... (digam lá vocemessês...isso mesmo!)... "tou!"
achava uma certa graça à coisa, até ao dia em que, de saída de um estabelecimento comercial de venda de objectos para divertimento sexual, (vulgo sex-shop), ao passar pela porta de saída, digo à empregada um repinpante "boa tarde, beijinhos, com licença..."
ora, até podia ser a empregada que me atende todos os dias, quando lá vou comprar as recargas do aparelho, mas não, era uma nova, uma que nunca tinha visto mais chicoteada!
mais uma vez, o síndroma-de-falar-com-pessoas-que-estão-à-minha-frente-como-se-estivesse-ao-telefone-com-elas apoderou-se de mim!
só falta daqui a bocado parar de falar a meio de uma conversa e começar para a pessoa à minha frente "tou, tou, TOOOU...", como se me tivesse acabado a bateria do celular.

segunda-feira, março 20, 2006

factor medo

- olá, então, está pronto?
- estou com medo - respondi.
entrámos na sala iluminada.
daquelas iluminações tipo hospital, cheia de recantos escuros, mas superfícies que ferem os olhos, de tão brancas.
sentei-me na cadeira, já não sentia aquele material há cerca de dois anos.
"então, não vem cá há muito tempo, assim vai custar mais..."
"pois, a ti deve custar-te muito, deve...", pensei com os meus botões.
hhmm...tinha uma camisola vestida, não havia botões.
pensei com as minhas costuras, então.
ela disse-me para me inclinar para trás, que íamos começar.
fechei os olhos, apertei as mãos contra os braços da cadeira.
"au!" gritou ela.
um dos braços não era da cadeira, era dela.
"desculpe" retorqui prontamente, pensando se aquele engano não teria sido o carimbo no meu passaporte para o inferno.
começou a tortura.
pensava incessantemente para com as minhas costuras e braguilha que havia torturas bem piores que aquela, que no iraque e outros cenários de guerra, muita gente sofreria muito mais que aquilo que eu estava a sofrer.
mas alguém há muito tempo inventou as proporções.
e, proporcionalmente mais baixa, a minha dor não deixava de ser sempre uma dor.
sentia o sabor do meu sangue na boca que ela lapidava, via-lhe de perto as pingas de suor que lhe escorriam da testa de encontro aos meus olhos.
"está a tentar cegar-me" pensei de novo, desta feita para com os boxers.
se o esforço a fazia suar, a consequência de tal era a força empregue na minha cavidade de "cumer e buber".
senti-me a desmaiar, não sei quanto tempo estive inconsciente.
quando acordei ela tinha uma mola no nariz, o que me levou a deduzir que durante o sono devo ter solto um gás ou outro, como consequência do terror em que me encontrava.
finalmente acabou...
estalando os dedos e tirando as luvas de plástico utilizadas para outros fins como exames rectais, ela despediu-se de mim com um suave "até breve".
eu saí, pensando que realmente sempre era melhor ir ao dentista fazer uma higiene de rotina do que ir não-sei-onde fazer um exame rectal.

sexta-feira, março 17, 2006

taxi

em atitude burguesa, incompatível com o seu bolso camponês, o (grande) autor decidiu ontem apanhar um táxi para se deslocar de aqui para ali.
como o futebol não seria a conversa mais interessante, visto o glorioso ter deixado o guimarães ganhar, decidiu-se por puxar o assunto "as-obras-do-metro-do-saldanha-nunca-mais-acabam-não-é-ó-chefe?".
o taxista, mortinho por cascar nos governantes, apressou-se a contar uma história, como exemplo da lentidão deste país.
"c'andeu tavali na praça de taxs de sete rios, aí há uns...vintianos...vi uma vez uma cena...quédzer...em Portugal as coisas não é pa se fazer...é pa sir fazendo...
então não é que tava um buraco aberto dumas obras. uma noite, andaram lá aí uns 7 ou 8 calceteiros a fechar o buraco, porque as obras tinham acabado. no dia seguinte, eu pegava às 11h da manhã...e o buraco tava aberto outra vez!!
eu até fui lá perguntar então mas vocês esqueceram-se aí dalgum tesouro dentro ou quê??
e os gajos respondem-me que não, que as obras agora eram para o gás e que os outros que fecharam o buraco eram dos telefones...
e pronts, lá continuou o buraco aberto mais uns meses..."
chegado ao destino, o (grande) autor pagou e, em jeito de despedida, desejou boa sorte ao taxista e que "a ver se as coisas agora andam prá frente..."
o senhor respondeu prontamente:
"atão não hão dandar?? f...-se, mais pra trás é que não dá!!"
 
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