quarta-feira, abril 05, 2006

estrangeirismos

numa época em que a nossa língua é maltratada pelo calão, em que para tudo e todos "muito" é "bué", "possível" é "na boa" e "co'a breca" é "daaa-seee", penso ser a altura de abordar um tema que me está a deixar "uma beca" nervoso.
o estrangeirismo.
não há alma lusitana que não aplique pelo menos um estrangeirismo numa frase de 5 palavritas ou menos.
exemplo:
- tudo bem, jovem?
- tudo nice.
- queres um pontapé no cú?
- népia, não tou no mood.
- então fuck you man, até logo.
- hasta, bro!

sinceramente, não compreendo esta atracção pelo estrangeirismo.
ele é na rua, no autocarro, na tv, no trabalho, na escola, no futebol.
um dia destes imagino-me a entrar no autocarro e o pica vir a dizer "os seus tickets fachavôôôr".
ou numa repartição de finanças: "next..."
será que a nossa língua não é digna de ser utilizada a tempo inteiro?
será que, por já ter uns aninhos, é considerada uma língua "cota"?
já me imagino na bancada a ouvir:
- é offside shôr árbitro!! este muthafucker é mesmo blind!!
e na pizzaria da esquina:
-oh diolinda, queres comer aqui ou pedimos take away?
-não sei alfredo, as you wish.
e para terminar....há uma palavra que me deixa ainda mais arrepiado do que qulquer outra:
"baby".
baby não existe, ninguém pode tratar seriamente um namorado/a por baby!
"bonequinho", "torrãozinho", "amor", ainda vá que não vá, mas baby não, por favor!
e quando forem pais, como será?
- oh baby, vai lá buscar a baby para lhe mudares a fralda que até a vizinha de cima já deve tar mal-disposta, caraças...
- oh baby, vai lá tu, baby...
- não baby, ontem eu dei o banho à baby, hoje és tu no pivete, baby...

fiquêmo-nos pelo nosso tuga, que dá tanto espaço de manobra para as mesmas alarvidades e assim não pagamos imposto pela utilização de língua alheia...

4 comentários:

o (grande) autor disse...

ahahah
gosto do bom humor, sim senhor.
e tem toda a razão!
:)

Nandinho Jr. disse...

Eu venho só adicionar mais uma alternativa ao "baby". Aqui os dinamarqueses vão um passo mais longe no modo de "tratar" o nosso "ente" mais querido. Chamam-lhe skat. Ó skat prá'qui e ó skat prá'li. "Skat" vem então nos dicionários como sinónimo de "querido(a)". Mas o primeiro significado de "skat" é "imposto" (taxes). Ora dá para ver a óbvia ligação.
Como extra, outra palavra para dizer impostos é "moms", que também significa "mães". Eles aqui sabem realmente dar bom uso às palavras! :)

Eduardo Pazos disse...

Concordo com essa crônica. Gostei das opiniões a cerca disso. É a triste realidade que estamos vivendo, por causa do poderio cultural estadunidense. Eu sou contra o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, e em outras línguas também. Será que línguas como: português, alemão, francês, italiano, japonês, chinês, espanhol, holandês, dinamarquês irão morrer? Por causa da americanização profunda. Temos que preservar a língua portuguesa, para a sobrevivência dela.

Anónimo disse...

Concordo com essa crônica. Gostei das opiniões a cerca disso. É a triste realidade que estamos vivendo, por causa do poderio cultural estadunidense. Eu sou contra o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, e em outras línguas também. Será que línguas como: português, alemão, francês, italiano, japonês, chinês, espanhol, holandês, dinamarquês irão morrer? Por causa da americanização profunda. Temos que preservar a língua portuguesa, para a sobrevivência dela.

 
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