domingo, agosto 10, 2008

Largar Aqui, Agarrar Ali

Quando se perde alguém, há muita coisa que com a pessoa se perde também.
Mas as imagens ficam, as histórias contam-se vezes sem conta, as cartas lêem-se uma e outra vez, os sítios permanecem.
Porém, há uma coisa que, inevitavelmente, se vai perdendo e não há maneira de "recarregar".
Essa coisa é a memória do toque.
Uns cabelos lisos ou encaracolados, umas mãos ásperas ou suaves, uma pele macia, um abraço forte, ou uma festa na cabeça.
A memória do toque desaparece com o tempo, mais cedo ou mais tarde, e não há como guardá-la numa gaveta, como se faz com um objecto.

Por isso, deixem de ser tão agarrados.
Deixem de se agarrar tanto às coisas e agarrem-se mais às pessoas.
Literalmente.
Toquem mais, abracem mais, beijem mais.
Dizer que se gosta de alguém é bom, mas dar um abraço é melhor.

Porque as coisas ficam.
As pessoas não.

5 comentários:

Andre disse...

Subscrevo.
Disse-te q encontrei a tua colega de piso de pamplona na noite em braga?
Ao longe so posso mandar abraco :)

MissangaAzul disse...

Texto tão simples, mas tão profundo, que me tocou.
Fiquei admirada por ler um texto assim neste blog...
Mas gostei.
:)

details disse...

(grande) e permitires que a malta te dê um abraço ao vivo e vires até portugal?

baGa disse...

e abraçar um casaco de cabedal maior que tu?

saudades...

baGa disse...

(tuas e dele) :)

 
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