terça-feira, setembro 29, 2009

A Possibilidade da Repetição

Chegou o (grande) autor à conclusão de que, arriscando-se a inventar a pólvora, se deve viver algumas ocasiões como se da última vez se tratasse.
Roça o Carpe Diem, mas mais concretamente, concretando o concreto.
Se uma pessoa for à praia do Castelo e pensar, "hoje é a última vez que venho à Praia do Castelo", a coisa muda de figura.
Ou "hoje é a última vez que como bitoque".
Ou "hoje é a última vez que vou passear com a minha namorada".
Ou "hoje é a última vez que vou ver o Benfica ao estádio".
Porque o que (na maioria das vezes) retira o valor às coisas é a pessoa achar que poderá repetir o que está a fazer.
Em muitos casos, a possibilidade da repetição leva até a que a pessoa deixe de fazer qualquer coisa porque "posso fazer noutra altura".
Assim, se nos colocarmos na perspectiva de que é a última vez que temos a oportunidade de fazer isto ou aquilo, vamos desfrutar muito mais.
Sem exageros, não se vai agora beber coca-cola como se fosse a última vez, até porque com a emoção podem subir os piquinhos ao nariz e depois é desagradável.
Mas ir ao campo e desfrutar da paisagem e da companhia como se fosse a última vez.
Pensar que nunca mais poderemos pisar a erva descalços leva-nos a querer caminhar sobre a erva e, de facto, senti-la entre os dedos dos pés.
Enfim, como dizia alguém que já não está cá para o verbalizar, "é uma teoria, como qualquer outra".

3 comentários:

Anónimo disse...

gosto de ti :)

jota disse...

:)
obrigado, pessoa-que-não-sei-quem-é.

baGa disse...

eu tambem! e nao acho que estejas a exagerar, "de todo"... :)

 
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